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Ameaçados: As espécies que precisam de ajuda urgente em 2026

03.01.2026
leitura de 13 minutos

Fique a conhecer os animais, plantas e cogumelos que em Portugal necessitam de medidas a curto prazo para melhorarem a sua situação, apontados por investigadores e conservacionistas consultados pela Wilder.

1. Abelhas selvagens de dunas, arribas e sapais costeiros

Em Portugal, são hoje conhecidas quase 750 espécies diferentes de abelhas selvagens, mas entre estas, aqueles que estão associadas aos ambientes terrestres costeiros preocupam especialmente Hugo Gaspar. Este investigador da Universidade de Coimbra afirma que “grande parte dos nossos tesouros da biodiversidade de abelhas selvagens estão nesta franja costeira no canto do continente europeu”, nomeadamente “em todos os habitats naturais próximos das dunas, arribas e, de forma muito especial, dos sapais costeiros”. Dentro desse grupo, destaca a única abelha selvagem endémica de Portugal continental, a Colletes dinizi, que em 2001 foi descrita para a Ciência.

A associação da Colletes dinizi e de outras abelhas selvagens a estes habitats do litoral acontece porque “as abelhas evoluíram com as plantas em flor para a colheita do seu alimento (o néctar e o pólen), e nestes habitats surgem plantas com flor que são únicas na nossa flora”, explica o entomólogo. O problema é que estes locais são “frequentemente destruídos ou degradados pela sobre-exploração urbanística, turística, agrícola e silvícola e também pela forte presença de plantas invasoras”. “É imperativo concentrarmos esforços de conservação nestas áreas e fazer valer a especial relação que Portugal tem com o mar”, apela.

2. Arméria-do-sado (Armeria rouyana) e outras plantas da Comporta

Foto: Sergio Chozas

Sergio Chozas, investigador na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL), aponta o dedo à má situação das espécies psamófilas (características de substratos arenosos) que ocorrem na Comporta, como acontece com a arméria-do-sado. Esta região localiza-se a sul do estuário do Sado e está incluída no Sistema Nacional de Áreas Classificadas, caracterizando-se pela predominância de solos arenosos.

Os alertas para os problemas na Comporta já soam pelo menos desde 2019, quando a Sociedade Portuguesa de Botânica (SPBotânica) avisou publicamente sobre a situação periclitante dessas plantas. Não só devido à construção de empreendimentos turísticos nesta parte do Litoral Alentejano, mas também por causa da conversão dos seus pinhais sobre areias em culturas intensivas de regadio, incluindo campos de horticultura e fruticultura onde se produzem abacates, tangerinas e outros produtos para exportação.

Mais recentemente, em 2023, a SPBotânica fez uma nova chamada de atenção e descreveu o que está em risco de se perder, se nada for feito em breve: “A paisagem nesta zona é maioritariamente composta por pinhais abertos de pinheiro-bravo, cuja silvicultura é compatível com o desenvolvimento de tojais dominados pelo tojo-manso (Stauracanthus genistoides), que traz com ele um espetacular elenco de espécies psamófilas (próprias de areias) muitas delas endémicas, tais como: arméria-do-sado (Armeria rouyana), marcetão-das-areias (Santolina impressa), tomilho-do-mato (Thymus capitellatus) e tojo-do-sado (Ulex australis subsp. welwitschianus)”. Além disso, sob os pinheiros “apresentam-se de forma dispersa, nas zonas de areias profundas, os zimbrais de piorro ou zimbro-galego (Juniperus navicularis)”, uma planta que existe apenas em Portugal e Espanha.

Nas contas da SPBotânica, de cuja direção faz parte Sergio Chozas, mais de 1200 hectares de pinhal e de matos terão sido destruídos entre 2011 e 2019 para dar lugar a culturas intensivas, incluindo pomares de fruteiras e unidades de produção de hortícolas em áreas de Rede Natura 2000.

3. Arminho (Mustela erminea)

O arminho, espécie que pode estar já extinta em território nacional, é um dos mamíferos que necessitam rapidamente de atenção. Francisco Álvares, investigador do CIBIO – Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos (Universidade do Porto), nota que este pequeno carnívoro bastante desconhecido tem uma presença pontual no norte do país.

“A maior ameaça ao arminho aparentam ser as alterações climáticas, pois é uma espécie típica de climas nórdicos e alpinos, pelo que o aquecimento gradual da região Norte – que se reflete, por exemplo, numa drástica redução de queda e permanência de neve nas últimas décadas – poderá levar à ausência de condições adequadas para a sobrevivência desta espécie”, avisa.

4. Borrelho-de-coleira interrompida (Charadrius alexandrinus)

Foto: Zeynel Cebeci/WikiCommons

Apesar de “algumas ações positivas” nalguns locais, este borrelho continua a precisar de cuidados importantes a nível nacional, “pois os índices de perturbação e de limpezas mecânicas nas dunas das praias continuam a ter impacto negativo na nidificação”, explica Joana Andrade, coordenadora de conservação marinha da SPEA – Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves.

Estas pequenas aves, cuja época de reprodução acontece entre a primavera e o verão, quando as praias portuguesas se enchem de veraneantes, fazem o ninho em pequenas depressões na areia, por vezes com conchas e pedrinhas e com dois a três ovos minúsculos em cada. Preferem dunas com vegetação mas é necessário termos muito cuidado para não destruir os ninhos – andando por exemplo sempre por cima dos passadiços na chegada a uma praia – uma vez que os ovos deste borrelho se confundem facilmente com a areia.

5. Cogumelo Laccariopsis mediterranea

Foto: Dario Gisotti

Na ausência de uma lista vermelha que contemple os riscos de extinção de diferentes espécies de cogumelos (e de outros fungos) em Portugal, Susana Gonçalves prefere destacar aquelas que estão hoje classificadas com categoria de ameaça a nível da Península Ibérica e que ocorrem em território português. Esta lista de espécies e a respetiva avaliação foram feitas no âmbito de um grupo de trabalho da Sociedade Ibérica de Micologia, ao qual pertence esta cientista, e os resultados vão ser publicados em breve.

Entre os 13 cogumelos nessa situação, Susana chama a atenção para a espécie Laccariopsis mediterranea, que a nível ibérico e também global foi classificada como Em Perigo: “é uma espécie decompositora, rara, exclusiva do Mediterrâneo, que ocorre tipicamente em dunas costeiras com Ammophila e/ou Juniperus, que são habitats em franca regressão devido às alterações climáticas, à urbanização e a outras atividades humanas”, descreve. 

Esta investigadora, que coordena o MyCoLab – laboratório dedicado à investigação sobre macrofungos na Universidade de Coimbra – avisa que “é prioritário perceber quantos núcleos de Laccariopsis mediterranea existem e como se distribuem na costa portuguesa”. 

“A principal ameaça a esta espécie é o desaparecimento e a diminuição da qualidade do seu habitat, quer seja pela subida do nível do mar, quer devido ao aumento da erosão costeira ou à urbanização”, aponta. Por esse motivo, para que este cogumelo tenha mais garantias de futuro, é urgente aplicar medidas ligadas à conservação das dunas, “impedindo a sua transformação e limitando a utilização turística.”

6. Cortiçol-de-barriga-branca (Pterocles alchata)

Foto: Francesco Veronesi/WikiCommons

Samuel Infante, que pertence à Plataforma de Defesa do Tejo Internacional, indica que o cortiçol-de-barriga-branca será a espécie mais ameaçada de população reprodutora em Portugal. “O último censo que fizemos em 2021 apontava para menos de 12 casais”, recorda, acrescentando que esta pequeníssima população portuguesa é satélite de outra população no lado espanhol do Parque Natural do Tejo Internacional.

Nesta área protegida com mais de 26.000 hectares no lado português da fronteira, sobranceira ao Tejo fronteiriço, o habitat deste cortiçol e de outras aves tem vindo a ser destruído, acusa Samuel, que aponta o dedo à expansão de mega-centrais solares fotovoltaicas (prevendo-se mais projetos no futuro, para a região) e à intensificação da agricultura. “Claramente, a degradação e alteração do habitat têm vindo a contribuir para a ameaça a esta ave, com populações tão diminutas que pode facilmente extinguir-se como população reprodutora em Portugal”, alerta.

Quanto às medidas necessárias, está pendente desde 2023 o alargamento da ZPE (zona de proteção especial) da Rede Natura 2000 do Tejo Internacional, “que inclui habitats do cortiçol-de-barriga-branca, da águia-imperial-ibérica, abutre-preto e cegonha preta, entre outras espécies de conservação prioritária”. “Não se entende bem porque é que, concluída a consulta pública para esta medida, o alargamento da ZPE não foi ainda publicado”, lamenta.

A águia-imperial-ibérica e o milhafre-real são outras espécies em maus lençóis. No segundo caso, Samuel Infante nota que a população reprodutora tem vindo a diminuir bastante em Portugal, afetada desde logo por envenenamentos detetados pelo projeto LIFE Eurokite.

7. Cumba (Luciobarbus comizo)

Foto: Filipe Ribeiro

O cumba (Luciobarbus comizo), também conhecido por barbo-trompeteiro, é um peixe português de que os cientistas pouco sabem. “Em todo o mundo existe apenas no Tejo e no Guadiana, atinge grandes dimensões e sabemos que é frequentemente pescada (pesca comercial), sendo essa uma das principais ameaças à sobrevivência da espécie”, descreve Filipe Ribeiro, investigador do MARE – Centro de Ciências do Mar e do Ambiente e da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

“Sabemos muito pouco sobre a espécie e corremos o risco de que desapareça antes de a conhecermos; coisas tão básicas como a sua distribuição, idade, alimentação e ecologia”, avisa.

Trata-se de um peixe “muito curioso” porque tem a cabeça em forma de “bico de pato”, com a boca terminal, o que sugere que é uma espécie possivelmente predadora, acrescenta este cientista – “digo possivelmente porque nem sabemos bem o que come, por ser tão rara”. “Tirando um par de estudos de genética, existe muito pouca informação sobre a biologia e ecologia desta espécie nativa que é uma das maiores espécies nativas em Portugal.” 

Mas não é esse o único peixe de águas doces metido em sarilhos. Bem pelo contrário. Apesar de ser “difícil elencar que espécies são mais prioritárias do que outras”, Filipe Ribeiro nomeia rapidamente uma mão cheia de peixes com uma distribuição muito restrita, altamente ameaçados em Portugal: o ruivaco-do-oeste (Achondrostoma occidentale), a verdemã-do-norte (Cobitis calderoni), o escalo-do-arade (Squalius aradensis), a boga-da-lezíria (Iberochondrostoma olissiponense), a lampreia-lusitanica (Lampetra lusitanica), entre outros. “De entre estas espécies diria que o escalo e a verdemã podem ser as mais urgentes, uma vez que pouco se sabe destas espécies e não existem grupos a trabalhar com as mesmas”, afirma.

8. Galheta (Phalacrocorax aristotelis)

Foto: Jason Thomp

A galheta, também conhecida como corvo-marinho-de-crista, tem em Portugal “uma população muito pequena que tem decrescido acentuadamente ao longo dos últimos anos, com mortalidade em artes de pesca e produtividades muito baixas”, alerta Joana Andrade, da SPEA.

Entre as medidas mais urgentes está o aumento de estudos dirigidos à conservação deste corvo-marinho, que por vezes é difícil de distinguir do corvo-marinho-de-faces-brancas (Phalacracorax carbo). “Será necessário identificar as principais fontes de pressão que afetam a galheta, analisar mais a fundo as causas possíveis para o seu decréscimo – como por exemplo a escassez de alimento ou mortalidade não natural dos adultos – e reduzir a mortalidade em artes de pesca”, sublinha a mesma responsável. Em 2026, prevê-se que seja publicado o Plano de Ação para reduzir as capturas acidentais na pesca, que será “uma ferramenta decisiva para minimizar uma das principais ameaças a esta e às outras as aves marinhas”.

9. Gato-bravo (Felis silvestris)

Foto: Lviatour/WikiCommons

O gato-bravo é outra espécie que corre o risco de desaparecer do território português, “se nada for feito para atenuar os fatores que a ameaçam”, avisa Francisco Álvares. De facto, este felino selvagem enfrenta uma situação periclitante, penalizado pela redução da qualidade do seu habitat e pelos efeitos negativos causados por outras espécies – neste caso, “a hibridação (reprodução cruzada) e competição com gatos domésticos errantes”, afirma o investigador do CIBIO.

As prioridades que Francisco Álvares nomeia “não são fáceis e carecem de apoio social e político.” Desde logo, “um ordenamento do território que salvaguarde extensas áreas sem presença e atividades humanas e o controlo e esterilização de gatos domésticos errantes”.

10. Linária-dos-olivais (Linaria ricardoi) e outras plantas de olivais tradicionais do Alentejo

Foto: Cristina Estima Ramalho

Esta planta de flores roxas que não existe em mais lugar nenhum do mundo cresce em searas, pousios e prados em olivais tradicionais ou montados, raramente em taludes e bermas de caminhos. A linária-dos-olivais é também uma das espécies associadas aos olivais tradicionais do Alentejo interior atualmente ameaçadas de extinção, que Sergio Chozas adverte necessitarem de medidas urgentes.

A agricultura intensiva que está a substituir estes olivais centenários e a instalação de parques solares em sítios de interesse botânico são duas das principais ameaças à conservação da flora única desta região, que inclui mais de 20 plantas típicas desses habitats e de outros que estão associados à mesma região, como a alcachofra-rasteira e a soagem-gigante, avisava já em 2022 este investigador ligado à Sociedade Portuguesa de Botânica.

Algumas destas espécies são “autênticas raridades locais, regionais, ou mesmo mundiais e, por isso, muito mais suscetíveis à extinção.” No que respeita à linária-dos-olivais, sabe-se que tem sofrido “um declínio galopante.”

11. Morcego-rato-pequeno (Myotis blythii)

Foto: C. Robiller / www.naturlichter.de

Com o estatuto de Criticamente Em Perigo no Livro Vermelho dos Mamíferos de Portugal Continental – o último degrau antes de chegar à extinção – o morcego-rato-pequeno é uma das espécies de mamíferos mais ameaçadas do país, sublinha Jorge Palmeirim, da direção da Liga para a Protecção da Natureza. “É urgente reforçar a sua conservação por várias razões, desde logo porque a sua população é muito reduzida, estimando-se que existam apenas algumas centenas de indivíduos, que se abrigam quase exclusivamente em grutas”, nota.

Este professor e investigador da FCUL, que tem dedicado uma parte importante do seu trabalho aos morcegos, explica que “apesar de terem sido registadas observações pontuais em várias regiões do país, apenas são conhecidas colónias regulares de morcego-rato-pequeno no Algarve e em Trás-os-Montes”. O resultado da forte concentração da população portuguesa num número muito reduzido de abrigos, acrescenta, faz com que a espécie fique “particularmente vulnerável a perturbações” – “sobretudo aquelas causadas por visitantes durante períodos críticos do seu ciclo anual, como a hibernação e a época de reprodução/criação”, alerta.

Entre as prioridades que Jorge Palmeirim elenca, aliás, está garantir que a perturbação dos abrigos deste pequeno morcego seja “efetivamente evitada”, pois para já não tem sido suficiente a sua proteção ao abrigo da Diretiva Habitats da União Europeia. E adverte: “a gruta que alberga o que aparenta ser a maior colónia de criação da espécie tem vindo a sofrer derrocadas, que poderão, eventualmente, impedir o acesso dos animais, o que teria consequências muito graves para a população.”

Para piorar o cenário, sabe-se que este morcego hibridiza – ou seja, faz reprodução cruzada – com um outro morcego muito semelhante, o morcego-rato-grande, que é “bastante abundante nos mesmos abrigos”. “A diluição de um número cada vez mais reduzido de indivíduos de morcego-rato-pequeno numa população numerosa de morcego-rato-grande aumenta a probabilidade de hibridação, colocando em causa a integridade genética da espécie.”

Embora a biologia deste pequeno morcego de 23 gramas sejamal conhecida, tudo indica que “a sua alimentação depende sobretudo de áreas com uma vegetação herbácea bem desenvolvida”. Ainda assim faltam estudos, pelo que é fundamental “determinar com segurança quais os habitats de alimentação preferenciais da espécie, de modo a garantir a sua manutenção ou mesmo promoção na área envolvente dos abrigos”, enfatiza o investigador.

As lacunas de conhecimento sobre este mamífero voador estendem-se, ainda para mais, às causas do seu declínio populacional. Jorge Palmeirim enfatiza que é esse um dos fatores que mais ameaçam o morcego-rato-pequeno, o que “dificulta a definição e aplicação de medidas de conservação eficazes”. Entre as espécies que precisam de ajuda urgente, destaca também o sisão, o tartaranhão-caçador (também chamado de águia-caçadeira) e o gato-bravo.

12. Sisão (Tetrax tetrax) e outras aves estepárias

macho de sisão no meio da vegetação
Foto: Pierre Dalous/Wiki Commons

Habitante de ambientes estepários, como é o caso das planícies desarborizadas do Alentejo, o sisão tem regredido de forma preocupante em Portugal. “A população nacional desta ave diminuiu 80% nos últimos 20 anos e, se nada for feito, poderá vir a desaparecer totalmente do país num futuro próximo”, sublinha Gonçalo Elias, coordenador do portal Aves de Portugal. De facto, os avisos sobre o declínio da espécie têm-se repetido nos últimos anos.

Como resposta a esta situação preocupante, Gonçalo Elias afirma que “é essencial implementar medidas de conservação que permitam reduzir a mortalidade de adultos e juvenis e aumentar o sucesso reprodutor”. E aponta o exemplo de medidas agro-ambientais que já foram aplicadas em França, com “resultados encorajadores”: “nesse país, as medidas envolveram protocolos com os agricultores, a quem foi pedido que deixassem determinadas parcelas por cultivar, sendo-lhes paga uma compensação devido à quebra de produção”, descreve. “Creio que esse é o caminho certo.”

O sisão é também nomeado por Joaquim Teodósio, da Palombar, que junta a essa espécie outros habitantes do mesmo habitat como a abetarda, os cortiçóis e o alcaravão. “Nas aves estepárias a situação é dramática”, enfatiza.

13. Toupeira-de-água (Galemys pyrenaicus)

Foto: Joxerra Aihartza/WikiCommons

A toupeira-de-água é outra espécie portuguesa com um futuro negro pela frente se nada for feito, considera Francisco Álvares. Neste caso, tal como no gato-bravo, à redução da qualidade do habitat aliam-se efeitos negativos provocados por outra espécie: este mamífero semi-aquático é perseguido e predado pelo visão-americano, um carnívoro exótico invasor responsável por graves problemas ambientais.

No entanto, também aqui, as medidas necessárias são de aplicação difícil e não recolhem apoio social ou político, admite o investigador do CIBIO e da Universidade do Porto. Em causa está “um ordenamento do território que salvaguarde extensas áreas sem presença e atividades humanas” e também a “erradicação das populações de visão-americano.”

Em cima da mesa está atualmente uma estratégia transfronteiriça para salvar esta espécie Em Perigo de extinção, foi anunciado em setembro passado.


Saiba mais.

Agora que já conhece algumas das espécies que mais preocupam cientistas e conservacionistas em Portugal, saiba que nem tudo está mal: recorde quais são as espécies que nos deram sinais de esperança em 2025, aqui.

Inês Sequeira

Trabalhei 14 anos na secção de Economia do jornal Público. Juntamente com a Helena Geraldes e a Joana Bourgard, em 2015 ajudei a fundar a Wilder, onde me sinto como “peixe na água”. Escrevo sobre plantas, animais, espécies comuns e raras, ciência, conservação, políticas ambientais e naturalistas. Aprendo e partilho algo novo todos os dias.

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