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Espanha: Desmantelada rede criminosa ligada à eliminação de linces e outros predadores

18.08.2026
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Lince-ibérico. Foto: MITECO/Arquivo

Agentes na zona de Cuenca, na região espanhola de Castilla-La Mancha, detiveram três pessoas suspeitas de matar sistematicamente predadores silvestres. Outra está a ser investigada e há também duas entidades acusadas.

De acordo com uma informação publicada nas redes sociais do Seprona, cujos agentes se dedicam à proteção da natureza, a organização desmantelada é suspeita de se dedicar a esta prática há mais de um ano, num couto de caça situado entre Huelves e Barajas de Melo.

O objetivo seria favorecer a caça menor, que é dedicada a animais de pequeno porte, como as aves e os pequenos mamíferos.

No âmbito da operação, batizada de LINCU, foram encontrados cadáveres de espécies protegidas em Espanha, como gato-bravo (Felis silvestris), sacarrabos (Herpestes ichneumon) e um lince-ibérico (Lynx pardinus).

Os agentes detiveram também três indivíduos, enquanto que um outro está a ser investigado. Além destes, duas pessoas jurídicas (ou seja, empresas ou associações) foram formalmente acusadas.

Durante as buscas, foram ainda apreendidas cinco armas de fogo e munições, tal como meios de caça proibidos e não seletivos – uma vez que provocam a morte indiscriminada de muitos animais – como armadilhas, laços, armadilhas de gaiola e venenos.

A captura e morte de animais predadores trata-se de “uma prática criminosa e pouco eficaz”, avisa também o Seprona, que acrescenta que “estas práticas que ambicionam favorecer a caça menor, além de criminosas, o que conseguem é obter o efeito contrário”.

“Por exemplo, a presença do lince-ibérico mantém afastados outros predadores menores, como raposas ou sacarrabos, o que equilibra o ecossistema e favorece o aumento das populações de coelho e perdiz”, conclui a autoridade espanhola.

Inês Sequeira

Trabalhei 14 anos na secção de Economia do jornal Público. Juntamente com a Helena Geraldes e a Joana Bourgard, em 2015 ajudei a fundar a Wilder, onde me sinto como “peixe na água”. Escrevo sobre plantas, animais, espécies comuns e raras, ciência, conservação, políticas ambientais e naturalistas. Aprendo e partilho algo novo todos os dias.

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