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Qual a diferença entre cágado e tartaruga?

13.08.2025
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Cágado-de-carapaça-estriada (Emys orbicularis). Foto:Onkel Ramirez/Pexels

Quando falamos destes répteis, qual a palavra certa a usar? Será uma tartaruga ou um cágado? E serão a mesma coisa? José Teixeira, investigador do CIIMAR – Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental, da Universidade do Porto, ajuda a acabar com as dúvidas.

As tartarugas são uma ordem de répteis, também conhecida por testudines, caracterizadas pela presença de casco, com carapaça (dorsal) e plastrão (ventral). Estão descritas mais de 350 espécies, organizadas em 14 famílias. 

As tartarugas dividem-se em três grandes grupos com características físicas e habitats diferentes: as tartarugas aquáticas (maioritariamente marinhas, com patas em forma de barbatanas e carapaça baixa e hidrodinâmica), terrestres (com carapaça alta, patas grossas e unhas fortes, adaptadas para a locomoção em terra) e semi-aquáticos (os cágados, que transitam entre ambientes de água doce e terrestres).

Cágado-de-carapaça-estriada (Emys orbicularis). Foto: Onkel Ramirez/Pexels

Os cágados são, assim, um tipo específico de tartarugas de hábitos semiaquáticos associados à água doce. Estes distinguem-se por possuírem um casco mais achatado e patas com membranas entre os dedos e a presença de unhas, que permitem tanto a natação quanto a locomoção em terra, e por retraírem o pescoço lateralmente.

Em Portugal, são conhecidas duas espécies de cágados nativos: o cágado-de-carapaça-estriada (Emys orbicularis), que se encontra em perigo de extinção, e o cágado mediterrânico (Mauremys leprosa).

Infelizmente, numerosas espécies de cágados exóticos têm sido libertadas na natureza, entre as quais a tartaruga da Flórida (Trachemys scripta) que é a mais problemática, reproduzindo-se em grandes quantidades no sul do país.

Tartaruga-comum (Caretta caretta). Foto: Onkel Ramirez/Pexels

Cinco espécies de tartarugas marinhas ocorrem nas águas nacionais: a tartaruga-de-couro (Dermochelys coriacea), a tartaruga-de-kemp (Lepidochelys kempii), a tartaruga-de-escamas (Eretmochelys imbricata) – todas consideradas “Criticamente em Perigo” pela IUCN -, a tartaruga-comum (Caretta caretta) e a tartaruga-verde (Chelonia mydas). Embora não se reproduzam em Portugal continental, estas espécies visitam regularmente as águas portuguesas, com maior frequência no Algarve, Madeira e Açores.

Não existem tartarugas terrestes em Portugal.


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Helena Geraldes

Sou jornalista de Natureza na revista Wilder. Escrevo sobre Ambiente e Biodiversidade desde 1998 e trabalhei nas redacções da revista Fórum Ambiente e do jornal PÚBLICO. Neste último estive 13 anos à frente do site de Ambiente deste diário, o Ecosfera. Em 2015 lancei a Wilder, com as minhas colegas jornalistas Inês Sequeira e Joana Bourgard, para dar voz a quem se dedica a proteger ou a estudar a natureza mas também às espécies raras, ameaçadas ou àquelas de que (quase) ninguém fala. Na verdade, isso é algo que quero fazer desde que ainda em criança vi um documentário de vida selvagem que passava aos domingos na televisão e que me fez decidir o rumo que queria seguir. Já lá vão uns anos, portanto. Desde então tenho-me dedicado a escrever sobre linces, morcegos, abutres, peixes mas também sobre conservacionistas e cidadãos apaixonados pela natureza, que querem fazer parte de uma comunidade. Trabalho todos os dias para que a Wilder seja esse lugar no mundo.

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