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Recorde de nascimentos de lince-ibérico nos centros de reprodução de Portugal e Espanha

25.11.2025
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Crias de lince-ibérico. Foto: CNRLI/arquivo

São boas notícias para este felino ameaçado. Até hoje, nunca tinham nascido tantas crias em cativeiro desta espécie que é endémica da Península Ibérica, único local do mundo onde existe na natureza.

“O Programa de Conservação Ex Situ atingiu em 2025 um dos seus marcos mais relevantes”, anunciou esta terça-feira o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF). Ao todo, nasceram 62 crias de lince-ibérico (Lynx pardinus) nesta rede, composta pelo centro de reprodução de Silves, em Portugal, e por outros quatro em Espanha: El Acebuche, La Olivilla, Zarza de Granadilla e Jardim Zoológico de Jerez.

Dos animais que nasceram, sobreviveram 48 até ao momento, acrescenta o ICNF em comunicado, sublinhando que se trata “do valor mais elevado registado nas últimas temporadas, consolidando o papel do programa como motor de recuperação desta espécie emblemática”.

Este ano, durante a época reprodutora, foram formados 32 casais, que deram origem a 25 gestações completas. As 62 crias nasceram entre o final de fevereiro e início de maio, uma altura que costuma ser de atividade intensa dentro dos centros que se dedicam à reprodução do lince. O primeiro nascimento aconteceu a 26 de Fevereiro no centro de Zarza de Granadilla, na zona de Cáceres.

Lince-ibérico, cria. Foto: Programa Ex-situ (arquivo)

Em Silves, no Centro Nacional de Reprodução do Lince-ibérico (CNRLI), até 20 de março tinham nascido seis crias, noticiou a Wilder na altura.

Quanto à taxa de sobrevivência inicial dos linces-ibéricos nascidos em cativeiro na Península Ibérica, saldou-se em 77%: 23 machos e 25 fêmeas. Destas 48 crias, nove ficarão em cativeiro como “reposição de reprodutores” – cinco machos e quatro fêmeas – acrescenta o ICNF. A este grupo vai juntar-se também a fêmea Vidar, uma lince-ibérica cega proveniente da população selvagem de Doñana, no sul de Espanha. “Caso se confirme a aptidão clínica e comportamental dos restantes 39 indivíduos, estes serão libertados na natureza no início de 2026, reforçando as populações selvagens”, explica ainda a mesma entidade, que tutela a conservação da natureza em Portugal. 

Quantos linces nasceram nas temporadas anteriores?

Em comparação, o resultado da temporada de reprodução em 2024 revelou-se menos positivo. No ano passado, formaram-se 30 casais nos cinco centros da rede, que resultaram em 17 gestações e no nascimento de 43 crias – incluindo oito crias no CNRLI. Do total, 31 sobreviveram e 21 foram libertadas já este ano, em 2025. Foram ainda recuperados três órfãos do meio natural. 

No ano anterior, em 2023, apesar de se terem formado menos casais – 26 pares de linces – tinham nascido mais crias, 46, das quais 39 (23 machos e 16 fêmeas) sobreviveram ao desmame. “Após garantir a reposição de reprodutores, 31 foram libertadas em 2024. Adicionalmente, cinco crias órfãs resgatadas no campo foram incorporadas no programa”, recorda o ICNF.

Entre 2023 e 2025, acrescenta, “os exemplares nascidos em cativeiro reforçaram populações selvagens em Múrcia, Castela e Leão, Andaluzia, Castela-La Mancha e Estremadura, ampliando a área de distribuição histórica da espécie”. 

Cria de lince-ibérico. Foto: ICNF

De Criticamente Em Perigo a Vulnerável, em 20 anos 

Foi há 20 anos que nasceram as primeiras crias em cativeiro de lince-ibérico, a 28 de março de 2005: o nascimento de Brezo, Brecina e Brisa — filhos de Saliega e Garfio — aconteceu no Centro de Criação de El Acebuche, em Doñana. Desde então, registaram-se 835 nascimentos em cativeiro deste felino ameaçado, dos quais 640 crias sobreviveram. Destas, 424 foram libertadas na Península Ibérica.

A libertação destes 424 animais em Portugal e Espanha, ao longo das últimas duas décadas, contribuiu para que este felino melhorasse o seu estatuto na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza, que mede o risco de extinção das espécies. Em 2015, o lince-ibérico passou de Criticamente em Perigo para Em Perigo; nove anos mais tarde, em 2024, registou uma nova melhoria, passando a Vulnerável. Brisa, uma das primeiras crias históricas, continua viva e pode hoje ser visitada no Parque Zoológico Terra Natura Murcia. 

Lince-ibérico. Foto: António Rivas/Programa de Conservación Ex-situ

Programa vai continuar ao mesmo ritmo 

Há pouco mais de um mês, a 7 de outubro, realizou-se uma nova reunião do Comité de Criação em Cativeiro do Lince-Ibérico (CCCLI), órgão consultivo do programa, indica ainda o ICNF, que adianta que “foram analisados os resultados mais recentes e delineadas as estratégias para garantir a sustentabilidade a longo prazo do Programa Ex Situ, sempre em coordenação com as necessidades das populações selvagens e com o objetivo de alcançar o Estado de Conservação Favorável definido pela Diretiva Habitats”. 

Nos próximos anos, está previsto que a espécie continuará a reproduzir-se em cativeiro, na Península Ibérica, “ao mesmo ritmo dos anos anteriores, considerando as necessidades futuras dos programas de reintrodução e as necessidades de reposição de reprodutores”.

Desta forma, os centros de criação preveem formar 30 casais reprodutores em 2026, de acordo com o instituto português, “seguindo as recomendações genéticas mais adequadas para satisfazer as futuras exigências dos programas de reintrodução”.


 Saiba mais.

Recorde ainda quais são os três maiores desafios para a recuperação do lince-ibérico e sete factos sobre esta espécie incrível.


Inês Sequeira

Trabalhei 14 anos na secção de Economia do jornal Público. Juntamente com a Helena Geraldes e a Joana Bourgard, em 2015 ajudei a fundar a Wilder, onde me sinto como “peixe na água”. Escrevo sobre plantas, animais, espécies comuns e raras, ciência, conservação, políticas ambientais e naturalistas. Aprendo e partilho algo novo todos os dias.

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