Abelharuco em voo. Foto: Jac. Janssen/Wiki Commons

Dia Mundial das Aves Migradoras 2024 destaca importância dos insectos

A campanha do Dia Mundial das Aves Migradoras 2024, que se celebra a 11 de Maio, destaca a diminuição dos insectos importantes para muitas espécies de aves e alerta para o preocupante declínio destes dois grupos de animais.

O Dia Mundial das Aves Migradoras é uma campanha mundial que promove os esforços de conservação das aves migradoras e das suas viagens que atravessam fronteiras, com o objectivo de aumentar a consciencialização sobre os desafios que estas aves enfrentam.

São centenas de iniciativas a decorrer por todo o mundo com a missão comum de incentivar a protecção internacional das aves.

Todos os anos, a campanha escolhe um tema central e este ano o tema escolhido foi “Protege os insectos, protege as aves”.

Presentes em quase todos os ecossistemas do mundo, os insectos são fontes essenciais de alimento para as aves migradoras nas suas longas viagens. Ao longo das suas rotas migratórias, as aves procuram activamente insectos em campos, florestas, zonas húmidas e até em jardins das cidades. Muitas vezes, estas aves programam as suas migrações para que coincidam com os picos de abundância de insectos nos locais onde param para descansar e recuperar energia antes de continuar a viagem. Dependem deles para se alimentar durante as suas viagens, para ter êxito reprodutor e para alimentar as suas crias.

Mas a dura realidade, descoberta nos últimos anos, é que as populações de insectos estão a diminuir.

Uma análise publicada na revista Science revelou que, a cada década, estamos a perder cerca de 9% da população mundial de insectos. A desflorestação, o uso excessivo de pesticidas, a poluição luminosa e as alterações climáticas são os principais factores desta tendência.

E isto traz consequências para as aves. Por exemplo, nos Estados Unidos e no Canadá registou-se desde 1970 uma redução de 29% da população de aves, equivalendo a cerca de 2.900 milhões de aves a menos.

Na Europa, o declínio do papa-moscas-preto (Ficedula hypoleuca) está ligado à escassez de alimentos, relacionada com o clima, porque as aves chegam agora com frequência às florestas europeias depois das lagartas terem passado a borboletas e estas as suas crias já não conseguem comer. As consequências deste desajuste foram publicadas na revista Nature em 2006.

Por isso, os organizadores desta iniciativa acreditam que esta é uma “oportunidade para alertar para a importância dos insectos, para educar e aprender”.

Para comemorar este dia, todos estão convidados a adoptar estratégias simples mas eficazes para proteger tanto os insectos como as aves.

Algumas dessas estratégias são plantar jardins de plantas autóctones para criar habitats adequados à vida silvestre, escolher produtos ecológicos para evitar pesticidas nocivos, reduzir a destruição de habitats, sensibilizar amigos e familiares para o papel dos insectos no nosso ecossistema e fomentar actividades locais de conservação de insectos, aves e outros animais selvagens.

O Dia Mundial das Aves Migradoras, celebrado todos os anos a 11 de Maio e a 12 de Outubro – alinhado com a natureza cíclica da migração das aves nos diferentes hemisférios – , é organizado pela Convenção sobre a Conservação das Espécies Migradoras de Animais Selvagens.

“As populações de insectos estão a diminuir por todo o mundo e isso está a afetar muitas aves migradoras insectívoras”, comentou Amy Fraenkel, secretária-executiva da Convenção. “A diminuição de insectos em muitas partes do mundo já está a ter impactos significativos numa série de espécies migradoras insectívoras, especialmente espécies de aves e de morcegos.”

Helena Geraldes

Sou jornalista de Natureza na revista Wilder. Escrevo sobre Ambiente e Biodiversidade desde 1998 e trabalhei nas redacções da revista Fórum Ambiente e do jornal PÚBLICO. Neste último estive 13 anos à frente do site de Ambiente deste diário, o Ecosfera. Em 2015 lancei a Wilder, com as minhas colegas jornalistas Inês Sequeira e Joana Bourgard, para dar voz a quem se dedica a proteger ou a estudar a natureza mas também às espécies raras, ameaçadas ou àquelas de que (quase) ninguém fala. Na verdade, isso é algo que quero fazer desde que ainda em criança vi um documentário de vida selvagem que passava aos domingos na televisão e que me fez decidir o rumo que queria seguir. Já lá vão uns anos, portanto. Desde então tenho-me dedicado a escrever sobre linces, morcegos, abutres, peixes mas também sobre conservacionistas e cidadãos apaixonados pela natureza, que querem fazer parte de uma comunidade. Trabalho todos os dias para que a Wilder seja esse lugar no mundo.