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Cavalo-marinho vai ser o símbolo da Semana da Ria Formosa

25.02.2016
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Foto: Florin Dumitrescu / Wiki Commons

O cavalo-marinho vai ser o símbolo utilizado para assinalar a Semana da Ria Formosa, que se realiza entre os dias 4 e 8 de Abril. O objectivo desta escolha é chamar a atenção para o declínio das populações de cavalo-marinho no parque natural algarvio.

 

“Ao ser uma espécie indicadora da qualidade ambiental, funciona como um alerta para as ameaças que o sistema lagunar da Ria Formosa enfrenta”, afirma em comunicado o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), que promove esta iniciativa através do seu Departamento do Algarve, em coordenação com outras 16 entidades.

A Semana da Ria Formosa vai ter como principal público-alvo os alunos e toda a comunidade escolar dos concelhos do Parque Natural da Ria Formosa, com o objectivo de alertar para a importância deste sistema lagunar e para o valor do património natural e cultural.

Na região, ocorrem duas espécies de cavalo-marinho: o cavalo-marinho-de-focinho-comprido (Hippocampus guttulatus) e o cavalo-marinho-de-focinho-curto (H. hippocampus). Ambas são ameaçadas pela degração ambiental, pela captura acessória em artes de pesca e ainda pela sobre-exploração ligada à medicina tradicional e à aquarofilia, como aliás acontece com os cavalos-marinhos em todo o mundo.

Em 2000, concluiu-se que a Ria Formosa era o local com maior densidade populacional destas duas espécies, a nível mundial, mas novos estudos realizados uma década depois apontaram para “um decréscimo dramático, superior a 90%, por causas ambientais ainda desconhecidas”, recorda o ICNF.

De acordo com o instituto, em 2014, novas pesquisas indicaram uma ligeira recuperação das populações da região, face aos dados obtidos em 2009, “apesar de estar longe dos valores anteriormente observados”.

“Observou-se que factores como a poluição sonora subaquática, a degradação ambiental, a pesca e factores naturais têm um impacto significativo e contribuem para um fraccionamento continuado destas populações.”

Outra das conclusões, na altura, foi que o recurso a estruturas artificiais pode ser útil na reabilitação do habitat destas espécies. No entanto, continua a ser necessária a realização de mais estudos relativos às causas da diminuição populacional, tanto no que respeita aos factores ambientais como às actividades humanas.

 

Inês Sequeira

Trabalhei 14 anos na secção de Economia do jornal Público. Juntamente com a Helena Geraldes e a Joana Bourgard, em 2015 ajudei a fundar a Wilder, onde me sinto como “peixe na água”. Escrevo sobre plantas, animais, espécies comuns e raras, ciência, conservação, políticas ambientais e naturalistas. Aprendo e partilho algo novo todos os dias.

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