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Associação Zero vai plantar 1000 sobreiros no Pinhal de Leiria

26.01.2018
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tronco de sobreiro
Foto: Helena Geraldes

Cerca de 1000 sobreiros vão ser plantados este domingo, dia 28 de Janeiro, no Pinhal de Leiria, em memória das vítimas dos incêndios de 2017, anunciou a Zero-Associação Sistema Terrestre Sustentável.

 

Esta plantação vai ser realizada pelos associados da organização ambientalista e vai contar com a presença do secretário de Estado das Florestas e Desenvolvimento Rural, Miguel Freitas, adiantou a Zero em comunicado.

Nesta acção também participa o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, que gere as matas nacionais onde está incluído o Pinhal de Leiria – também conhecido por Mata Nacional de Leiria – e que se compromete a assegurar “a manutenção das árvores no local nos próximos anos, incluindo a substituição dos sobreiros que não sobreviverem.”

De acordo com a associação, “no momento em que se multiplicam iniciativas de arborização de espécies autóctones por todo o país”, há várias medidas que podem ser tomadas para garantir a sobrevivência destas árvores.

Primeiro, é importante que quem organiza as iniciativas de plantação “verifiquem se existem compromissos/garantias que as árvores e arbustos plantados são monitorizados e mantidos nos anos seguintes”.

Isto porque, alerta, nos primeiros anos destas plantações a mortalidade “é muito elevada”, o que obriga “a substituir muitas árvores que não sobrevivem”.

Por outro lado, é importante controlar “periodicamente” a vegetação arbustiva nos primeiros anos depois da plantação de novas árvores, “através de métodos que não impliquem a mobilização do solo.”

Objectivo? “Para reduzir a competição e para prevenir a propagação de eventuais incêndios que possam ocorrer”, detalham.

A Zero apela também a parcerias com organizações de produtores locais, que estejam ligadas a equipas de sapadores, para que as tarefas sejam desempenhadas com qualidade e para se promover o emprego a nível local.

Exige ainda que fique disponível para todos informação sobre os locais onde as árvores foram plantadas e sobre as monitorizações, para que estas iniciativas tenham credibilidade e produzam resultados.

Na última segunda-feira, dia 22, o primeiro-ministro esteve no Pinhal de Leiria para dizer que o país tem a “oportunidade de fazer diferente e fazer melhor” com a reflorestação desta área, afectada em 86% pelos incêndios de Outubro.

António Costa falava na apresentação da estratégia de recuperação do Pinhal de Leiria para os próximos cinco anos, documento que está a ser preparado.

O Pinhal de Leiria, após o incêndio de 15 de Outubro, perdeu 9.475 hectares de floresta, o que corresponde a 86% da sua área total (11.021 hectares), segundo dados do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).

Uma das apostas da nova estratégia vai ser a diversidade de espécies, em especial as autóctones. “Não quer dizer que o pinhal não vá ser pinhal. Mas, para termos um bom pinhal e um bom pinheiro que seja, também ele, resistente ao fogo, é preciso que este pinhal não seja só de pinheiro e tenha uma boa composição e um bom ordenamento que ajudem à sua resistência”, disse António Costa, citado por um comunicado oficial.

 

[divider type=”thin”]Saiba mais.

Recorde o que o primeiro-ministro António Costa disse sobre a estratégia para a reflorestação do Pinhal de Leiria, neste artigo da Wilder.

 

Inês Sequeira

Trabalhei 14 anos na secção de Economia do jornal Público. Juntamente com a Helena Geraldes e a Joana Bourgard, em 2015 ajudei a fundar a Wilder, onde me sinto como “peixe na água”. Escrevo sobre plantas, animais, espécies comuns e raras, ciência, conservação, políticas ambientais e naturalistas. Aprendo e partilho algo novo todos os dias.

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