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Há uma luz ao fundo do túnel para a minúscula rã-de-poça-de-Afia-Birago, à beira da extinção

14.10.2026
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Rã-de-poça-de-Afia-Birago. Foto: Ben Tapley/ZSL

Uma equipa do Zoo de Londres conseguiu pela primeira vez reproduzir em cativeiro esta preciosa espécie descoberta há menos de uma década no Gana. Menor do que um bico de lápis, é um dos mais pequenos e raros anfíbios do mundo.

O anúncio foi feito esta semana pela ZSL – Sociedade Zoológica de Londres, à qual pertence o zoo britânico, que numa nota de imprensa informou sobre o nascimento em cativeiro de 15 crias desta espécie, a primeira vez que isso sucede em todo o mundo.

Em 2025, tinham chegado 20 rãs adultas ao Zoo de Londres, no âmbito de um projeto de conservação em parceria com a associação Herp Conservation Ghana e o CSIR – Instituto de Pesquisa Florestal do Gana.

A rã-de-poça-de-Afia-Birago (Phrynobatrachus afiabirago) é nativa do Gana, um país situado na costa ocidental africana, onde este anfíbio foi descoberto por cientistas há apenas oito anos. Faz parte da família das Phrynobatrachidae, ou das rãs-de-poça, que agrupa dezenas de espécies diferentes na África Subsariana, conhecidas por serem tipicamente muito pequenas. O seu nome inspira-se no facto de muitas se reproduzirem em zonas húmidas temporárias, como poças ou charcos.

A rã-de-poça-de-Afia-Birago, por exemplo, sobrevive apenas em duas piscinas naturais na Reserva Florestal de Atewa Hills, no sudeste do país – um habitat que está a ser destruído por explorações mineiras, o que torna urgente a tomada de medidas para a sua conservação, sublinha a ZSL. Está classificada como Criticamente em Perigo pela Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza.

Rãs-de-poça-de-Afia-Birago no Zoo de Londres. Em 2025, chegaram ali 20 rãs adultas desta espécie, para serem estudadas e ser promovida a sua reprodução. Foto: Ben Tapley/ZSL

“Estas 15 rãs são as primeiras rãs-de-poça-de-Afia-Birago que nascem como parte do nosso programa de conservação de emergência para a espécie. Podem ser suficientemente pequenas para se sentarem na ponta de um dedo, mas a sua chegada representa um enorme passo em frente para um anfíbio que enfrenta um futuro incerto”, disse o curador de répteis e anfíbios da ZLS, Ben Tapley, citado na nota de imprensa.

Depois da chegada das 20 rãs adultas ao zoo londrino, a equipa de peritos em anfíbios da instituição dedicou-se a estudar a espécie – da qual quase nada se sabia – para no futuro conseguirem partilhar os novos conhecimentos com os parceiros no Gana. “Recorrendo à nossa experiência em cuidar de anfíbios, a nossa equipa aprendeu imenso sobre estas rãs incríveis, desenvolvendo o conhecimento, as técnicas e os protocolos de procriação necessários para lhes darmos as melhores possibilidades de sobrevivência”, afirmou Unnar Aevarsson, guardião de anfíbios no zoo.

Crias de rã-de-poça-de-Afia-Birago, recém-nascidas no Zoo de Londres, no âmbito do projeto. Foto: Ben Tapley/ZSL

“Estas crias de rã de cinco milímetros de comprimento são uma causa para celebrarmos, mas o nosso trabalho para salvar a rã-de-poça-de-Afia-Birago só está a começar: o nosso maior objetivo agora é que os nossos parceiros estabeleçam populações de conservação sustentável no Gana que possam suportar a sua recuperação na natureza. Estes nascimentos fazem disso uma possibilidade real.”

Antes da chegada das rãs a Londres, Unnar Aevarsson participou na criação de uma unidade de reprodução de conservação em Kumasi, cidade que fica junto à reserva florestal onde habitam estes anfíbios, no Gana. Esta unidade é a primeira do género dedicada à reprodução de anfíbios, na África Ocidental.

Entretanto, o projeto está a analisar o recurso a propriedades privadas na mesma região, onde poderá haver as condições necessárias para se libertarem na natureza as rãs que venham a ser criadas no Gana.

Caleb Ofori-Boateng, gestor regional deste projeto e um dos autores da descrição científica da nova espécie, foi quem a batizou. “O nome desta rã foi inspirado pelo nome da minha mãe, para que o seu legado possa continuar vivo. Graças a este programa de reprodução, o nome da minha mãe vai estar ligado a uma espécie que nós salvámos, não uma espécie que perdemos”, festejou.

 

Inês Sequeira

Trabalhei 14 anos na secção de Economia do jornal Público. Juntamente com a Helena Geraldes e a Joana Bourgard, em 2015 ajudei a fundar a Wilder, onde me sinto como “peixe na água”. Escrevo sobre plantas, animais, espécies comuns e raras, ciência, conservação, políticas ambientais e naturalistas. Aprendo e partilho algo novo todos os dias.

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