Desenho da semana: o caranguejo-eremita de São Tomé e Príncipe

O ilustrador naturalista Marco Nunes Correia abre os seus cadernos de campo e mostra-nos o que o fascina na natureza portuguesa. São desenhos, esboços ou aguarelas onde regista as estações do ano. Uma por semana.

 

 

Desta vez, Marco Nunes Correia traz-nos uma página do caderno de campo que levou para São Tomé e Príncipe, para uma expedição do Grupo do Risco.

Trata-se de um caranguejo-eremetita (Coenobita rubescens), cuja concha tinha cerca de 3cm de diâmetro, que desenhou num “caderno A4, de fabrico artesanal (Obrigado Ana Luisa!), com folhas de papel liso (grão satinado) de aguarela, e com uns cadernos de papel colorido no final”.

“Por vezes o chão que pisávamos parecia mexer-se devido ao grande numero destes caranguejos a movimentarem-se em simultâneo, conforme íamos avançando a passo lento”, recorda o ilustrador naturalista.

“Decidi recolher um para desenhar mais tarde. Escolhi este indivíduo porque a sua concha estava bastante desgastada pelo tempo, com uma textura muito peculiar, porosa. Parecia mais uma rocha do que uma concha!”

Este desenho demorou cerca de três horas a fazer. “Decidi dirigir a minha atenção mais ao detalhe das formas do que à cor. Daí ter utilizado a técnica de grafite.”

 

 

Segundo Marco Nunes Correia, o desenho da esquerda foi feito “numa abordagem de tom contínuo, para conseguir dar mais detalhe nos volumes e texturas”. “Os dois desenhos da direita foram realizados de forma mais rápida, tendo optado por um estilo de desenho com linhas paralelas e linhas cruzadas por forma a não manter o bicho fora da concha durante muito tempo.”

“O mais engraçado é que estive a dar cabo da vista a desenhar este bicho tão pequeno, com a ajuda de um conta-fios, e passados alguns dias, fomos a uma comunidade piscatória, onde utilizavam estes caranguejos como isco, mas de tamanho cinco vezes maior.”

 

[divider type=”thick”]Saiba mais.
Marco Nunes Correia, de Alcobaça, é professor na Escola Superior de Artes e Design de Caldas da Rainha. É membro do Grupo do Risco e especializou-se em desenho de natureza. 

Helena Geraldes

Sou jornalista de Natureza na revista Wilder. Escrevo sobre Ambiente e Biodiversidade desde 1998 e trabalhei nas redacções da revista Fórum Ambiente e do jornal PÚBLICO. Neste último estive 13 anos à frente do site de Ambiente deste diário, o Ecosfera. Em 2015 lancei a Wilder, com as minhas colegas jornalistas Inês Sequeira e Joana Bourgard, para dar voz a quem se dedica a proteger ou a estudar a natureza mas também às espécies raras, ameaçadas ou àquelas de que (quase) ninguém fala. Na verdade, isso é algo que quero fazer desde que ainda em criança vi um documentário de vida selvagem que passava aos domingos na televisão e que me fez decidir o rumo que queria seguir. Já lá vão uns anos, portanto. Desde então tenho-me dedicado a escrever sobre linces, morcegos, abutres, peixes mas também sobre conservacionistas e cidadãos apaixonados pela natureza, que querem fazer parte de uma comunidade. Trabalho todos os dias para que a Wilder seja esse lugar no mundo.