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Esponja marinha roxa passou 10 anos sem nome até uma criança lhe ter dado um

14.05.2021
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Parpal Dumplin. Foto: Dawn Watson

Uma misteriosa esponja marinha roxa, descoberta há 10 anos durante uma expedição científica na zona costeira entre Essex e Northumberland, em Inglaterra, só agora recebeu um nome comum, escolhido por uma criança de 9 anos.

A iniciativa foi lançada em Janeiro deste ano pelo projecto Agents of Change da Marine Conservation Society e financiado pelo ramo britânico da Fundação Calouste Gulbenkian. Este projecto convidou as crianças da zona de Norfolk a dar um nome à esponja roxa que ali havia sido descoberta há 10 anos. Pertence ao sub-género Hymedesmia (Stylopus) mas ainda não lhe foi atribuído nenhum nome científico. 

Parpal Dumplin. Foto: Dawn Watson

Todas as propostas de nome comum foram analisadas ao detalhe por um painel de especialistas, que procuravam criatividade e adequação do nome.

A escolha foi unânime e o nome selecionado foi “Parpal Dumplin”, sugerido por Sylvie, aluna de 9 anos da escola de Langham. “A esponja é roxa e parece mesmo um bolinho de massa” (em Inglês, “dumpling”), segundo um comunicado do Norfolk Wildlife Trust.

Entre os especialistas do painel que decidiu o nome estão peritos da Norwich Naturalists Society, do Norfolk Wildlife Trust e Claire Goodwin, especialista internacional em esponjas marinhas no Huntsman Marine Science Centre.  

“O projecto Agents of Change deu à esponja um nome comum que podemos usar enquanto ainda não existe um nome científico”, comentou Claire Goodwin. “Gostei imenso de ver todas as sugestões tão criativas.”

As esponjas marinhas ajudam a manter o fundo do mar limpo porque filtram a água quando se alimentam, consumindo partículas minúsculas de alimento que flutuam na coluna de água.

Estima-se que existam mais de 11.000 espécies diferentes de esponjas em todo o mundo. Esta esponja roxa, descoberta ao largo de Norfolk em 2011 – numa expedição durante a qual foram registadas 352 espécies marinhas, na zona costeira entre Essex e Northumberland -, ocorre na Zona de Conservação Marinha de Cromer Shoal Chalk Beds.

“Dar um nome à esponja foi uma forma divertida de as crianças descobrirem mais sobre a vida fascinante que está escondida por debaixo das ondas”, comentou Jenny Lumb, professora na The Coastal Federation. “É fantástico ter a hipótese de dar um nome a uma espécie que os cientistas e mergulhadores vão usar nos próximos anos! Além disso, estas crianças têm a sorte de ter à porta de casa uma Zona de Conservação Marinha.”

Helena Geraldes

Sou jornalista de Natureza na revista Wilder. Escrevo sobre Ambiente e Biodiversidade desde 1998 e trabalhei nas redacções da revista Fórum Ambiente e do jornal PÚBLICO. Neste último estive 13 anos à frente do site de Ambiente deste diário, o Ecosfera. Em 2015 lancei a Wilder, com as minhas colegas jornalistas Inês Sequeira e Joana Bourgard, para dar voz a quem se dedica a proteger ou a estudar a natureza mas também às espécies raras, ameaçadas ou àquelas de que (quase) ninguém fala. Na verdade, isso é algo que quero fazer desde que ainda em criança vi um documentário de vida selvagem que passava aos domingos na televisão e que me fez decidir o rumo que queria seguir. Já lá vão uns anos, portanto. Desde então tenho-me dedicado a escrever sobre linces, morcegos, abutres, peixes mas também sobre conservacionistas e cidadãos apaixonados pela natureza, que querem fazer parte de uma comunidade. Trabalho todos os dias para que a Wilder seja esse lugar no mundo.

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