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De férias na praia? Participe nestes três projetos de ciência cidadã

13.08.2026
leitura de 2 minutos
Pilrito-das-praias (Calidris alba). Foto: Jean-Jacques Boujot/Wiki Commons

Se deparar com algas, medusas e outros gelatinosos ou outros animais costeiros, pode colaborar com os cientistas portugueses em projetos de investigação. E ao mesmo tempo, aprender um pouco mais sobre as espécies que partilham a praia connosco.

1. À caça das algas

A alga Rugulopteryx okamurae numa praia da Ilha do Faial, nos Açores. Foto: Mariajoao22/WikiCommons

    O projeto Algas na Praia, coordenado pelo Centro de Ciências do Mar (CCMAR) e pela Universidade do Algarve (UAlg), funciona desde 2021 com o objetivo de fornecer mais dados aos investigadores sobre as algas que podemos encontrar nas águas e na costa portuguesa, em especial quando se encontram espécies invasoras ou acumulações de algas.

    “Através do envio de fotografias e da localização das ocorrências, os participantes ajudam a acompanhar a distribuição destas espécies ao longo do tempo, apoiando a investigação científica, a monitorização ambiental e a gestão sustentável das zonas costeiras”, explica a Universidade do Algarve sobre este projeto, que conta com quatro investigadores.

    Detetar rapidamente a presença da alga castanha Rugulopteryx okamurae e identificar novas áreas afetadas por esta e outras algas invasoras, que se acumulam em praias e têm efeitos negativos para a biodiversidade e para a economia local, é uma das mais-valias deste projeto, afirmam.

    Ao longo da costa algarvia, por exemplo, os dados fornecidos por cidadãos-cientistas permitiram saber que, entre 2021 e 2022, as espécies mais comuns foram a Rugulopteryx okamurae, originária do Pacífico Noroeste, mas também a alga vermelha invasora Asparagopsis armata, proveniente da Austrália e da Nova Zelândia, além da alga verde Ulva sp., uma espécie nativa que é por vezes chamada de alface-do-mar. 

    No entanto, desde 2024, a Rugulopteryx okamurae passou a ser a espécie invasora mais frequentemente registada: tornou-se “dominante ao longo da costa algarvia, entre Vilamoura e Sagres, continuando a expandir-se para norte, com registos confirmados na região de Cascais”. Entretanto, trabalhos de investigação realizados na Universidade do Algarve identificaram que esta espécie é uma nova fonte natural de vitamina K1.

    Ao longo de cinco anos de monitorização por toda a costa portuguesa, incluindo Madeira e Açores, foram recebidos 456 registos.

    Para saber mais e participar, pode ler a informação sobre o projeto, aqui.

    2. Em busca de caravelas, veleiros e outros gelatinosos

    Veleiros. Foto: José Azevedo

    Foi em 2016 que nasceu o projeto de ciência cidadã GelAvista, com o objetivo de obter mais informação sobre os organismos gelatinosos que habitam as águas portuguesas, incluindo nos arquipélagos da Madeira e Açores. Coordenado por Antonina dos Santos, do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), todos os anos este projeto recebe dados enviados por pessoas que encontram medusas e outros gelatinosos ao passearem na praia ou no mar, que em troca recebem a identificação da espécie.

    Além de servir de base a trabalhos de investigação que têm sido publicados nos últimos anos, a equipa do GelAvista divulga também todos os anos quais foram as espécies mais avistadas em Portugal – em 2023, por exemplo, foram as salpas, os ctenóforos e dos veleiros. Ao mesmo tempo, dão a conhecer todos estes organismos e os cuidados que as pessoas devem ter, se se depararem com um.

    Para colaborar com este projeto, pode enviar-lhes informação por email ou através da app GelAvista. Saiba mais aqui.

    3. Maratonar a biodiversidade da costa, entre maio e outubro

    Anémona Actinia equina. Foto: Fabrizio P. Fonte/Wiki Commons

    É no centro de investigação BIOPOLIS-Cibio, ligado à Universidade do Porto, que trabalham os investigadores que coordenam o projeto de ciência cidadã bioMARatona 2026. O objetivo é que os cidadãos registem a biodiversidade na costa portuguesa, contribuindo para o trabalho desta equipa de cientistas, que se dedicam sobretudo ao estudo do aquecimento costeiro e dos seus efeitos, ligado às alterações climáticas.

    Em 2025, o projeto obteve mais de 3000 observações de 262 espécies. Este ano, quem quiser colaborar habilita-se a receber prémios, incluindo uma câmara fotográfica. Fique a saber como participar nesta iniciativa, quer seja diretamente pela plataforma que utilizam ou juntando-se a iniciativas já agendadas para algumas praias, aqui.

    Inês Sequeira

    Trabalhei 14 anos na secção de Economia do jornal Público. Juntamente com a Helena Geraldes e a Joana Bourgard, em 2015 ajudei a fundar a Wilder, onde me sinto como “peixe na água”. Escrevo sobre plantas, animais, espécies comuns e raras, ciência, conservação, políticas ambientais e naturalistas. Aprendo e partilho algo novo todos os dias.

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