Borboleta almirante-vermelho (Vanessa atalanta). Foto: Sara Faustino

Conheça a lista das borboletas da Maia feita por estes alunos

A borboleta-limão, a cauda-de-andorinha e a bela-dama são apenas três das 27 espécies de borboletas diurnas da cidade da Maia, revela a lista feita por um grupo de alunos do ensino secundário do Curso de Ciências e Tecnologias do Agrupamento de Escolas de Águas Santas.

São 15 os alunos que assinam um artigo que revela quais as espécies de borboletas diurnas que podemos encontrar na cidade da Maia.

Pavão-diurno (Aglais io). Foto: Salomé Rodrigues

Ao longo de três anos – mais concretamente entre setembro de 2021 e abril de 2024 -, Beatriz, Catarina, Inês, Joana, João, Maria, Mariana, Pedro, Rafael e os colegas passaram os espaços verdes do município a pente fino e descobriram 27 espécies, distribuídas por quatro famílias. O total de espécies identificadas representa cerca de 36% das espécies listadas para Portugal.

As mais comuns, conclui este trabalho, são a malhadinha (Pararge aegeria), a almirante-vermelho (Vanessa atalanta), a borboleta-da-couve (Pieris brassicae), a cinzentinha (Leptotes pirithous) e a borboleta-pequena-da-couve (Pieris rapae).

Cauda-de-andorinha (Papilio machaon). Foto: Inês Reis

“A amostragem, com uma periodicidade mensal, foi realizada pelo público estudantil do Agrupamento de Escolas de Águas Santas, sempre que era avistado algum espécime através da recolha de registo fotográfico”, segundo o artigo enviado à Wilder. Os alunos visitaram parques, jardins, matas, campos de cultivo e linhas de água.

Tudo aconteceu no âmbito do projeto Biodiversidade nos Espaços Verdes da Maia que quer conhecer melhor a composição da biodiversidade no município da Maia, com cerca de 83 quilómetros quadrados.

Aurinia (Ephydryas aurinia). Foto: João Caló

Além daquelas cinco espécies ficámos a saber que ocorrem na Maia estas espécies: borboleta-sardinheira, azul-celeste, pintinhas, azulinha, acobreada, acobreada-escura, azul-comum, esculi, zizeria, pavão-diurno, aurinia, loba, borboleta-vírgula, pirónia, bela-dama, bela-dama-americana, borboleta-zebra, cauda-de-andorinha, maravilha, borboleta-limão, napi e borboleta-branca-e-verde.

“Com este estudo pretende-se melhorar o conhecimento do património natural existente na cidade da Maia, assim como promover ativamente a sua conservação”, explica o artigo.

Maravilha (Colias croceus). Foto: Sara Faustino

O projecto Biodiversidade nos Espaços Verdes da Maia começou em 2021 quando foi lançado o desafio a uma turma do ensino secundário do Curso de Ciências e Tecnologias do Agrupamento de Escolas de Águas Santas, na Maia, na disciplina de Biologia e Geologia, “para o seu envolvimento ativo na promoção da biodiversidade da região”, explicou anteriormente à Wilder o coordenador do projecto, Pedro Pimenta.

“Cada aluno regista fotograficamente e identifica a biodiversidade que encontra nos espaços verdes do município”, acrescentou o professor do Agrupamento de Escolas de Águas Santas e licenciado em Biologia pela Faculdade de Ciências da Universidade do Porto.

Almirante-vermelho (Vanessa atalanta). Foto: Sara Faustino

Até Maio do ano passado, estes alunos, com 16 e 17 anos, já tinham registado 205 espécies diferentes. “O destaque vai para os invertebrados e para os vertebrados. Observaram-se um total de 82 espécies de invertebrados pertencentes a 10 ordens. Os lepidópteros e os coleópteros foram as ordens com maior contributo para o projeto”, especificou Pedro Pimenta. A lista dos vertebrados tem 77 espécies, das quais 61 aves, cinco anfíbios, cinco répteis e seis mamíferos.

O coordenador do projecto acredita que com este catálogo de espécies, os alunos estão a ajudar o público estudantil a mudar atitudes e comportamentos em relação aos espaços verdes da cidade. Além disso, registar as espécies que temos à nossa porta “desenvolve um sentido de pertença em relação à biodiversidade local, encorajando a sua defesa através da participação cívica ativa e informada,” e ajuda a aumentar o conhecimento sobre a biodiversidade da região.

Em Portugal são conhecidas 135 espécies de borboletas diurnas diferentes. Em Maio de 2019 começaram no nosso país os Censos de Borboletas de Portugal, um projecto que ajuda a traçar o diagnóstico de como estão hoje estes insectos tão carismáticos, afectados tal como muitos outros pela crise da biodiversidade.


Saiba mais aqui sobre o trabalho destes alunos.

Helena Geraldes

Sou jornalista de Natureza na revista Wilder. Escrevo sobre Ambiente e Biodiversidade desde 1998 e trabalhei nas redacções da revista Fórum Ambiente e do jornal PÚBLICO. Neste último estive 13 anos à frente do site de Ambiente deste diário, o Ecosfera. Em 2015 lancei a Wilder, com as minhas colegas jornalistas Inês Sequeira e Joana Bourgard, para dar voz a quem se dedica a proteger ou a estudar a natureza mas também às espécies raras, ameaçadas ou àquelas de que (quase) ninguém fala. Na verdade, isso é algo que quero fazer desde que ainda em criança vi um documentário de vida selvagem que passava aos domingos na televisão e que me fez decidir o rumo que queria seguir. Já lá vão uns anos, portanto. Desde então tenho-me dedicado a escrever sobre linces, morcegos, abutres, peixes mas também sobre conservacionistas e cidadãos apaixonados pela natureza, que querem fazer parte de uma comunidade. Trabalho todos os dias para que a Wilder seja esse lugar no mundo.