Andorinhão-preto (Apus apus). Foto: pau.artigas/Wiki Commons

10 coisas para saber sobre os andorinhões-pretos

A 7 de Junho celebra-se o Dia Mundial do Andorinhão-preto (Apus apus), ave migradora que podemos ver em Portugal na Primavera e Verão. Aqui estão 10 coisas interessantes para saber mais sobre esta espécie.

Como identificar: estas aves têm plumagem muito escura, asas compridas em forma de foice e uma pequena mancha clara por baixo do bico. As suas patas são muito curtas e por isso preferem descolar de pontos altos em vez de o fazer a partir do chão. Têm uma envergadura de asa entre os 44 e os 57 centímetros.

Como são os seus ninhos: normalmente, os andorinhões constroem os seus ninhos em edifícios nas cidades, como casas ou castelos, e também em pontes ou barragens. Mas, segundo o ornitólogo Gonçalo Elias, responsável pelo portal Aves de Portugal, também “há registos de nidificação em fragas e até em palmeiras com buracos”. Forma colónias que podem ter dezenas ou até centenas de casais.

Andorinhão-preto. Foto: Gzen92/WikiCommons

O que comem: tal como os outros andorinhões, o andorinhão-preto alimenta-se de invertebrados, principalmente insetos, que captura em voo.

Excelentes migradores: todos os anos, os andorinhões-pretos passam os meses mais frios do ano em África, onde há maior abundância de alimento. Na Primavera e Verão estão em Portugal para se reproduzirem, depois de percorrerem milhares de quilómetros até às nossas cidades.

Voadores exímios: os andorinhões-pretos passam a vida a voar e estão adaptados ao voo como mais nenhuma outra ave. Apenas pousam no momento da reprodução ou para sobreviver a fenómenos meteorológicos extremos. Assim, podem passar 10 meses a voar sem parar e os juvenis até aos dois anos, quando atingem a maturidade. Podem atravessar mares e continentes, voando de dia e de noite. Voam junto a água para beber ou sobem a grandes altitudes para dormir, descrevendo círculos amplos. Numa tarde de Verão podemos ver grupos de andorinhões-pretos a voar a velocidades incríveis, fazendo ouvir-se bem alto. Preparam-se para passar a noite a grandes altitudes, até aos 2.000 metros.

Como é a nidificação: a temporada da nidificação pode ser algo demorada, uma vez que o desenvolvimento das crias é lento (um mês e meio). Durante este tempo, os adultos andam ocupados a recolher alimento para a sua prole, podendo ser vistos a voar em redor dos edifícios onde têm os ninhos.

Onde ver: na maioria das cidades e vilas portuguesas.

Caixas-ninho para andorinhões-pretos. Foto: Luis Martínez/SEO/Birdlife

Estatuto de conservação: esta espécie tem estatuto de Pouco Preocupante segundo o Livro Vermelho das Aves de Portugal. Já em Espanha, esta ave está classificada como Vulnerável, tendo registado um declínio populacional de 40% entre 1998 e 2018, segundo a Sociedade Espanhola para as Aves (SEO/Birdlife).

Ameaças: Segundo a SEO/Birdlife, os andorinhões-pretos estão ameaçados pela destruição dos seus locais de nidificação. Por isso, tem um projecto para instalar centenas de caixas-ninho para estas aves em vários edifícios.

Como ajudar os andorinhões: participe no projecto Andorin, lançado pela organização Vita Nativa em Outubro de 2022 e registe os ninhos e as colónias desta espécie através deste formulário online. O site do projecto ajuda ainda a identificar andorinhões e oferece várias actividades dedicadas aos mais novos.

Segundo disse hoje Vasco Flores Cruz, do projecto Andorin, à Wilder, “temos até ao momento 108 colónias de andorinhão-preto registadas na nossa campanha”.

Essas colónias “desigualmente distribuídas pelo país porque há diferentes esforços de amostragem, essa diferença não representa uma diferente densidade das aves”, explicou. “Por exemplo, na zona de Vila Pouca de Aguiar temos perto de 20 colónias registadas (1/5 do total) porque é onde mora um observador especialista em andorinhões, não que essa zona seja particularmente rica em andorinhões.”

Para já, “o que podemos confirmar é que é uma espécie que nidifica em todo o país, temos registos do Gerês à Ria Formosa, dos Castelos da Raia às maiores cidades costeiras”. Mas, alertou Vasco Flores Cruz, “precisamos ainda de muita ajuda de cidadãos atentos que registem as colónias que identifiquem, para ter uma melhor ideia de onde possam ser mais ou menos comuns”.

E Vasco Flores Cruz notou que “algumas das colónias registadas na nossa campanha são incríveis”. “Convido toda a gente a visitar Trancoso ou Linhares da Beira em qualquer fim de tarde de um dia de Verão e apreciar as centenas de andorinhões-pretos que nidificam nos respectivos castelos e muralhas. É um espetáculo de uma beleza impressionante, que se torna ainda mais especial se pensarmos que provavelmente estas colónias de nidificação são quase tão antigas quanto os próprios edifícios e que ali convivem aves e pessoas há muitas gerações.”


Saiba mais sobre as aves estivais de Portugal aqui.

Helena Geraldes

Sou jornalista de Natureza na revista Wilder. Escrevo sobre Ambiente e Biodiversidade desde 1998 e trabalhei nas redacções da revista Fórum Ambiente e do jornal PÚBLICO. Neste último estive 13 anos à frente do site de Ambiente deste diário, o Ecosfera. Em 2015 lancei a Wilder, com as minhas colegas jornalistas Inês Sequeira e Joana Bourgard, para dar voz a quem se dedica a proteger ou a estudar a natureza mas também às espécies raras, ameaçadas ou àquelas de que (quase) ninguém fala. Na verdade, isso é algo que quero fazer desde que ainda em criança vi um documentário de vida selvagem que passava aos domingos na televisão e que me fez decidir o rumo que queria seguir. Já lá vão uns anos, portanto. Desde então tenho-me dedicado a escrever sobre linces, morcegos, abutres, peixes mas também sobre conservacionistas e cidadãos apaixonados pela natureza, que querem fazer parte de uma comunidade. Trabalho todos os dias para que a Wilder seja esse lugar no mundo.