Mostajeiro. Foto: Krzysztof Ziarnek/WikiCommons

Projecto está a conservar árvore rara e ameaçada no Sabugal

Reflorestação, reprodução em viveiros e mapeamento da espécie é o que a Quercus quer fazer para conservar o mostajeiro (Sorbus latifolia), uma árvore portuguesa rara e ameaçada de extinção.

No Dia da Floresta Autóctone, que se celebra a 23 de Novembro, a Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza vai plantar mostajeiros no concelho do Sabugal (distrito da Guarda), mais concretamente em Rebelhos.

Esta reflorestação faz parte do projecto de conservação do mostajeiro, espécie nativa de Portugal que tem vindo a perder terreno. Hoje está classificada com categoria de Vulnerável, segundo a Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental.

Mostajeiro. Foto: Krzysztof Ziarnek/WikiCommons

O mostajeiro é uma árvore caduca que pode crescer entre 10 a 20 metros de altura, mas mais comummente tem um porte de 4 a 10 metros de altura, explica a Quercus em comunicado enviado à Wilder. Em casos excecionais o seu tronco pode atingir os 60 centímetros de diâmetro.

Esta espécie ocorre em bosques caducifólios, principalmente em carvalhais e perto de linhas-de-água. “Tem a capacidade de tolerar quase todo o pH dos solos, tendendo para os mais húmidos e bem drenados. Propaga-se por sementes e precisa de bastante luz”, acrescenta a associação. 

“Esta árvore é cada vez mais rara e sobrevivem apenas poucos exemplares espalhados pela região da Beira Interior.”

A acção de reflorestação de dia 23 de Novembro é o início de um pomar de mostajeiros. De momento, a Quercus dispõe de 1.400 plantas desta espécie.

O projecto quer também conhecer melhor onde crescem estas árvores, através de um trabalho de Sistema de Informação Geográfico (SIG) no terreno para marcar as plantas.

“Os cidadãos poderão contribuir com informação para este SIG fornecendo a localização de exemplares de mostajeiros que conheçam e que posteriormente serão confirmados pela equipa da Quercus.” 

Foto: Bernd Haynold/WikiCommons

Outra acção prevista é a apanha dos frutos para extração das sementes e sua posterior propagação em viveiro. “As plantas produzidas serão depois plantadas juntas em pomar de modo a conseguir a miscigenação genética, que já não é possível de acontecer de modo natural, e deste modo travar a erosão genética e aumentar a biodiversidade da espécie.” 

A apanha, preparação e consumo dos frutos do mostajeiro, que podem ser comestíveis, foi uma prática cultural da Beira Alta, principalmente nas regiões de Trancoso, Guarda e Sabugal. No entanto, tal como a planta, está em vias de se perder para sempre. 


Agora é a sua vez.

Se quiser participar na acção de reflorestação de 23 de Novembro, o ponto de encontro é às 09h00 na rotunda do Parque Industrial da Guarda.

Mais informações:

Email: [email protected]

Telemóvel: 931.104.568

Helena Geraldes

Sou jornalista de Natureza na revista Wilder. Escrevo sobre Ambiente e Biodiversidade desde 1998 e trabalhei nas redacções da revista Fórum Ambiente e do jornal PÚBLICO. Neste último estive 13 anos à frente do site de Ambiente deste diário, o Ecosfera. Em 2015 lancei a Wilder, com as minhas colegas jornalistas Inês Sequeira e Joana Bourgard, para dar voz a quem se dedica a proteger ou a estudar a natureza mas também às espécies raras, ameaçadas ou àquelas de que (quase) ninguém fala. Na verdade, isso é algo que quero fazer desde que ainda em criança vi um documentário de vida selvagem que passava aos domingos na televisão e que me fez decidir o rumo que queria seguir. Já lá vão uns anos, portanto. Desde então tenho-me dedicado a escrever sobre linces, morcegos, abutres, peixes mas também sobre conservacionistas e cidadãos apaixonados pela natureza, que querem fazer parte de uma comunidade. Trabalho todos os dias para que a Wilder seja esse lugar no mundo.