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Investigadores surpreendidos com espécies exóticas invasoras nas ilhas Bijagós

30.07.2025
leitura de 2 minutos

Uma expedição científica documentou 28 novos registos de invertebrados marinhos no arquipélago Bijagós, incluindo seis espécies nunca antes observadas no Atlântico Oriental. Ao mesmo tempo, os investigadores ficaram alarmados com a presença preocupante de espécies não nativas numa das zonas mais intactas de África.

Uma expedição científica liderada pelo Centro de Ciências do Mar (CCMAR), em colaboração com investigadores internacionais, realizada em Março de 2023 revelou a presença inesperada de espécies invasoras nas águas das ilhas Bijagós, na Guiné-Bissau. Esta é considerada uma das regiões marinhas mais bem preservadas de África.

Gorgónia com craca Conopea. Foto: CCMAR

O objectivo da missão era amostrar e identificar espécies de invertebrados no arquipélago, um grupo de animais que ainda não tinha sido estudado na região.

Durante a missão, os cientistas realizaram mergulhos e recolhas sistemáticas em várias zonas do arquipélago, identificando 28 novos registos de invertebrados marinhos, incluindo seis espécies nunca antes documentadas no Atlântico Oriental.

“Nesta campanha, graças à excelente colaboração das equipas de Portugal e da Guiné-Bissau, conseguimos amostrar locais pouco acessíveis e descrever alguma dessa biodiversidade marinha ainda desconhecida nos Bijagós”, disse, em comunicado, Ester Serrão, coordenadora da expedição e investigadora da Universidade do Algarve e do CCMAR. 

Barco da expedição. Foto: CCMAR

No entanto, o que era inicialmente um levantamento da biodiversidade local acabou por levantar um alerta preocupante: foram detetadas diversas espécies não-nativas de invertebrados, algumas com potencial impacto negativo nos ecossistemas da região.

Ester Serrão, Nuno Fernandes e Filipe Nhanquê. Foto: CCMAR

A equipa também detetou o primeiro registo no Atlântico Este de um camarão invasor, Lysmata rauli e encontraram duas novas espécies de camarão endémicas da região: a Periclimenes africanus e uma segunda, ainda não descrita, do género Palaemon. 

“O que descobrimos nesta expedição é apenas a ponta do icebergue da complexidade biológica local”, comentou, em comunicado, Carlos Moura, autor principal do artigo publicado na Ecology and Evolution. Esta descoberta alerta para os riscos crescentes da introdução de espécies não nativas, um problema silencioso, mas com potencial para alterar profundamente os ecossistemas marinhos da região.

Os investigadores reforçam a necessidade urgente de monitorização ambiental ativa para compreender a biodiversidade de Bijagós, identificar as ameaças aos ecossistemas marinhos e implementar medidas de mitigação da introdução de espécies não nativas.

As Bijagós, compostas por 88 ilhas e ilhéus e Reserva da Biosfera da UNESCO desde 1996, albergam uma impressionante diversidade de vida selvagem — desde tartarugas marinhas e dugongos a aves migratórias raras — e desempenham um papel crucial na conectividade ecológica da região.


Artigo corrigido a 4 de Agosto.

Helena Geraldes

Sou jornalista de Natureza na revista Wilder. Escrevo sobre Ambiente e Biodiversidade desde 1998 e trabalhei nas redacções da revista Fórum Ambiente e do jornal PÚBLICO. Neste último estive 13 anos à frente do site de Ambiente deste diário, o Ecosfera. Em 2015 lancei a Wilder, com as minhas colegas jornalistas Inês Sequeira e Joana Bourgard, para dar voz a quem se dedica a proteger ou a estudar a natureza mas também às espécies raras, ameaçadas ou àquelas de que (quase) ninguém fala. Na verdade, isso é algo que quero fazer desde que ainda em criança vi um documentário de vida selvagem que passava aos domingos na televisão e que me fez decidir o rumo que queria seguir. Já lá vão uns anos, portanto. Desde então tenho-me dedicado a escrever sobre linces, morcegos, abutres, peixes mas também sobre conservacionistas e cidadãos apaixonados pela natureza, que querem fazer parte de uma comunidade. Trabalho todos os dias para que a Wilder seja esse lugar no mundo.

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