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Espécimes valiosos de plantas do século XIX destruídos na Austrália por engano

08.05.2017
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Dragoeiro, árvore antiga, originária da região da Macaronésia. Fotografia: Joana Bourgard

Vários espécimes de plantas raras enviadas pelo Museu de História Natural de Paris, com destino ao herbário de Queensland, na Austrália, foram incinerados por agentes de bio-segurança devido a falhas de informação.

 

O incidente, noticiado pela televisão australiana ABC, aconteceu em Março, e levou à destruição de exemplares de flores consideradas valiosas, recolhidas e prensadas em meados do século XIX.

“Eram o primeiro espécime-tipo recolhido de uma espécie”, indicou Michelle Waycott, que preside ao Council of Heads of Australasian Herbaria, organismo que representa os principais herbários da Austrália e da Nova Zelândia. Os espécimes-tipo são espécimes que serviram de base à descrição científica de novas espécies ou géneros de plantas, por exemplo.

Esta terá sido a segunda vez, em poucas semanas, que amostras importantes de plantas foram destruídas pelos agentes dos serviços de quarentena australianos. Foi esse o destino de uma colecção de líquenes provenientes de um herbário da Nova Zelândia, com destino ao Herbário Nacional Australiano em Camberra.

“Os herbários da Nova Zelândia passaram a banir o envio de qualquer espécime para a Austrália”, sublinhou Michelle Waycott, acrescentando que suspeita de que em França a mesma decisão está a ser estudada.

Estes acontecimentos podem “afectar de forma significativa a capacidade de pesquisa “ na Austrália, receia. A troca de exemplares entre herbários é uma prática comum a nível mundial, uma vez que ajuda à identificação e ao estudo de espécies menos conhecidas.

Um porta-voz do Departamento Federal de Agricultura e Recursos Hídricos, que tutela os serviços de quarentena australianos, indicou que o material de França chegado em Janeiro tinha sido destruído porque os documentos apresentados não cumpriam as regras de importação para a Austrália.

Devido a uma troca de endereços de email, informação que deveria ter sido enviada chegou com atraso ao destino, e quando finalmente chegou faltariam ainda outros dados que foram depois pedidos, informou o porta-voz, numa nota enviada à ABC. Mas entretanto as plantas foram incineradas, o que não deveria ter acontecido, reconheceu.

Ainda assim, “os espécimes de herbário podem ter riscos para a bio-segurança”. “Podem incluir solo e outros itens que representam riscos de pragas e doenças para a Austrália”, afirmou.

Quanto aos espécimes da Nova Zelândia que terão sido também destruídos, o porta-voz disse desconhecer essa situação.

 

Inês Sequeira

Trabalhei 14 anos na secção de Economia do jornal Público. Juntamente com a Helena Geraldes e a Joana Bourgard, em 2015 ajudei a fundar a Wilder, onde me sinto como “peixe na água”. Escrevo sobre plantas, animais, espécies comuns e raras, ciência, conservação, políticas ambientais e naturalistas. Aprendo e partilho algo novo todos os dias.

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