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C6 apresenta queixa em Bruxelas contra “degradação” de habitats no Alentejo

05.09.2019
leitura de 2 minutos
macho de sisão no meio da vegetação
Sisão. Foto: Pierre Dalous/Wiki Commons

A coligação C6, que junta seis grandes organizações não governamentais de ambiente em Portugal, acusa o Governo português de não estar a cumprir a legislação europeia em pelo menos 14 zonas de protecção especial para as aves (ZPE) na região alentejana.

As ZPE foram criadas em Portugal e noutros Estados-membros da União Europeia no âmbito da Rede Natura 2000, tendo como principal objectivo a protecção de espécies ameaçadas de aves.

Na queixa formal que foi entregue esta semana em Bruxelas, as associações da C6 responsabilizam os ministros do Ambiente e da Agricultura “pela degradação do habitat agrícola da Rede Natura 2000, colocando em risco espécies ameaçadas como o sisão, cuja salvaguarda foi o objetivo da classificação destas zonas”, indica a coligação em comunicado.

“Foram as decisões e omissões dos ministérios do Ambiente e da Agricultura que deixaram os agricultores da Rede Natura 2000 sem apoios para fazerem uma gestão adequada e sustentável do habitat agrícola”, sublinha o director da Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA), Domingos Leitão. Na opinião deste representante da C6, foi isso que empurrou os agricultores “para opções ilegais de intensificação da exploração e alteração drástica da paisagem”.

Alguns exemplos? A área de olival intensivo na  ZPE de Torre da Bolsa e uma barragem e mais área de regadio na ZPE de Campo Maior, ambas no Alto Alentejo. E também “uma enorme área de estufas” que tem vindo a surgir na ZPE da Costa Sudoeste, no Litoral Alentejano.

“Agora só há uma solução, suspender todos os novos regadios no Alentejo e repor a situação inicial nas ZPE afetadas”, conclui Domingos Leitão, citado no comunicado.

Subsídios atribuídos prejudicaram aves protegidas

Mas além da falta de gestão e conservação de espécies e habitats, para as quais a UE disponibiliza fundos, houve outras medidas adoptadas com recurso a dinheiros europeus que “foram prejudicar as espécies e habitats que estas zonas deveriam proteger”, sublinha a coligação.

Resultado? Nos últimos 10 anos, aves como o francelho, a abetarda, o rolieiro e o sisão sofreram um “declínio preocupante”, apesar de serem consideradas espécies prioritárias a nível europeu e alvo de projectos de conservação comunitários.

O caso do sisão é representativo deste problema, salienta a coligação, lembrando que esta ave estepária diminuiu 50% em 10 anos, de 2006 a 2016, com perdas muito grandes dentro das próprias ZPE. Nessas áreas, ouve uma redução da área e da qualidade do habitat destas aves e de outras espécies protegidas, um mosaico de cultivo de sequeiros e pastagens conhecido por “habitat pseudo-estepário”.

macho de sisão no meio da vegetação
Macho de sisão. Foto: Pierre Dalous/Wiki Commons

“O Estado Português podia ter evitado esta situação catastrófica se tivesse cumprido o estipulado nas Diretivas Aves e Habitats”, conclui a C6, que aponta o dedo ao Ministério do Ambiente por não ter desenvolvido os planos de gestão das ZPE necessários para a gestão adequada destas áreas e fazer “vista grossa à intensificação do uso agrícola dentro e fora das ZPE”.

Já o Ministério da Agricultura é acusado de não investir “o suficiente em medidas agroambientais específicas para a manutenção dos mosaicos de sequeiro e pastagens na Rede Natura 2000”.

Além da SPEA, a coligação C6 junta junta o WWF-Portugal, GEOTA, FAPAS, Liga para a Protecção da Natureza e Quercus.


Saiba mais.

Conheça quais são as Zonas de Protecção Especial para as Aves em Portugal Continental, aqui.

Inês Sequeira

Trabalhei 14 anos na secção de Economia do jornal Público. Juntamente com a Helena Geraldes e a Joana Bourgard, em 2015 ajudei a fundar a Wilder, onde me sinto como “peixe na água”. Escrevo sobre plantas, animais, espécies comuns e raras, ciência, conservação, políticas ambientais e naturalistas. Aprendo e partilho algo novo todos os dias.

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