Os topos das montanhas albergam muitas das mais diversas concentrações de espécies de borboletas, segundo um novo estudo. Mas as alterações climáticas estão a fazer desaparecer esses habitats refúgio.
Uma investigação coordenada pela Universidade de Yale, nos Estados Unidos, alerta que as alterações climáticas poderão ter um efeito devastador em muitas populações de borboletas por todo o mundo, causando o desaparecimento das condições para as borboletas nesses habitats de montanha, até agora ricos em diversidade de espécies.
O novo estudo, publicado a 24 de Março na revista Nature Ecology and Evolution, também sugere que a falta de dados mundiais completos sobre insectos podem deixar os conservacionistas e decisores políticos mal preparados para conseguir mitigar a perda da biodiversidade causada pelas alterações climáticas, uma ameaça que afecta uma grande variedade de insectos.
Para esta investigação, uma equipa coordenada por Walter Jetz, ecológo da Universidade de Yale, analisou dados filogenéticos e de distribuição geográfica para 12.119 espécies de borboletas por todo o mundo. A equipa também foi coordenada por Stefan Pinkert, entomólogo na Universidade de Marburg, na Alemanha.
Os investigadores descobriram que a diversidade de borboletas está muito concentrada em sistemas montanhosos tropicais e subtropicais: dois terços das espécies de borboletas vivem principalmente em montanhas, zonas que albergam mais hotspots de borboletas do que as zonas de mais baixas altitudes.
Mas esses ecossistemas montanhosos e as áreas envolventes estão a mudar rapidamente por causa das alterações climáticas. Segundo o estudo, 64% dos nichos de temperatura ocupados por borboletas em zonas tropicais vão desaparecer até 2070. Isto significa que as áreas de montanha com condições para estes insectos estão constantemente a encolher.
“A diversidade, elegância e beleza pura das borboletas apaixonam pessoas por todo o mundo”, comentou Jetz, director do Yale Center for Biodiversity and Global Change (BGC Center).
“As borboletas, que co-evoluíram com as suas plantas hospedeiras, formam parte da teia da vida. Infelizmente, a nossa primeira avaliação global da diversidade de borboletas e das ameaças que enfrentam concluiu que milhares de espécies poderão estar em risco de extinção ainda neste século por causa das alterações climáticas”, acrescentou.
“Como entomólogo, estou comprometido em informar as pessoas sobre a distribuição da diversidade de insectos e sobre as melhores formas para a proteger”, disse Stefan Pinkert. “Os nossos resultados são importantes do ponto de vista ecológico mas, infelizmente, também são muito alarmantes.”
Actualmente, as prioridades de conservação da biodiversidade, notam os investigadores, estão direccionadas para plantas e para os outros animais que não os insectos. Até agora não existia uma avaliação global sobre a coincidência geográfica da diversidade e raridade de espécies de borboletas com as ameaças colocadas pelas alterações climáticas.
A nova avaliação revelou que os padrões de diversidade de borboletas diferem muito dos padrões de grupos muito mais bem estudados, como as aves, mamíferos e anfíbios. Isto desafia a relevância das prioridades de conservação actuais, consideram os investigadores.
“A redução das emissões de dióxido de carbono, combinada com a identificação pro-activa e a preservação de habitats cruciais para as borboletas e de corredores migratórios serão a chave para garantir que muita da diversidade de borboletas sobreviva para benefício das gerações futuras”, defendeu Jetz.