Foto: Kristian Leahy

Borboletas noturnas: Seis espécies que pode observar por estes dias, em Portugal

Início

Muitas dezenas de borboletas noturnas voam na época de inverno, em Portugal. Aprenda a reconhecer seis espécies que desafiam os rigores desta altura do ano.

João Nunes, coordenador da Rede de Estações de Borboletas Nocturnas, um projeto de ciência cidadã que se dedica à monitorização e conservação deste grupo de insetos ao longo de todo o ano, sugeriu à Wilder algumas das espécies que voam durante a estação mais fria em território português.

Aprenda a reconhecer seis destas borboletas, que recorrem a várias estratégias para se adaptarem às baixas temperaturas.

1. Poecilocampa populi

As escamas que mais parecem pelos e o corpo robusto são úteis para esta borboleta noturna fazer frente às temperaturas baixas. No estado adulto, a traça-de-dezembro – como é chamada em inglês – não se alimenta. O período de voo costuma estender-se de outubro a dezembro e é mais comum no Norte e Centro do país, segundo o Lusoborboletas. A espécie foi descrita cientificamente pelo “pai” da taxonomia, o sueco Lineu, em 1758.

2. Erannis defoliaria

No caso dos machos desta espécie os padrões das asas podem variar, apresentando algumas vezes riscas mais marcadas, como na foto de baixo. Quanto às fêmeas, não conseguem voar. O período de voo acontece de novembro a janeiro e é mais observada na Beira Litoral e Beira Alta, Minho e Trás-os-Montes. Foi descrita para a Ciência em 1759, pelo sueco Carl Alexander Clerck. Esta borboleta pertence à família dos geometrídeos, cujas lagartas costumam movimentar-se de uma forma peculiar.

3. Xylocampa areola

Em inglês chamam-lhe ‘Early grey’, por ser das primeiras borboletas noturnas a voar na estação. O período de voo em Portugal estende-se de outubro a maio. As lagartas alimentam-se das folhas de madressilvas (Lonicera periclymenum), tanto silvestres como cultivadas. A espécie foi cientificamente descrita pelo naturalista alemão Eugenius Esper, em 1789.

4. Cerastis faceta

O período de voo desta pequena borboleta noturna de antenas compridas, comum e presente de norte a sul do país, ocorre de novembro a abril. As lagartas alimentam-se de dentes-de-leão e alfaces, entre outras plantas. A espécie foi descrita em 1835, pelo alemão Georg Friedrich Treitschke.

5. Allophyes alfaroi

É uma espécie endémica da Península Ibérica, ou seja, em todo o mundo existe apenas em Portugal e Espanha. Esta borboleta noturna pode ser encontrada em todas as regiões de Portugal continental. Segundo a REBN, “voa entre outubro e dezembro, com as suas lagartas a surgirem em março e a alimentarem-se de árvores como o pilriteiro (Crataegus monogyna), o abrunheiro (Prunus spinosa), macieiras (Malus spp.) e pereiras (Pyrus spp.)”. Podemos identificá-la pelos tons castanhos e cinzentos salpicados de escamas verdes, assim como pelas grandes manchas nas asas. Por vezes, é chamada de traça-musgosa-ibérica. Foi descrita para a Ciência apenas em 1951, pelo espanhol Ramón Agenjo Cecilia.

6. Operophtera brumata

Pode ser observada no estado adulto de novembro a janeiro e está presente na Beira Litoral, Alto Douro e Trás-os-Montes, descreve o Lusoborboletas. No Reino Unido, é chamada de traça-de-inverno (‘Winter Moth’, no original). Os cientistas acreditam que as asas grandes em relação ao corpo, que é leve, contribuem para os machos desta espécie conseguirem sobreviver mesmo em temperaturas quase geladas. Já as fêmeas não conseguem voar. Tal como a Poecilocampa populi, foi descrita em 1758 por Lineu.


Saiba mais.

Além das borboletas noturnas de inverno, descubra também algumas borboletas diurnas que voam na estação mais fria do ano, aqui.

Inês Sequeira

Trabalhei 14 anos na secção de Economia do jornal Público. Juntamente com a Helena Geraldes e a Joana Bourgard, em 2015 ajudei a fundar a Wilder, onde me sinto como “peixe na água”. Escrevo sobre plantas, animais, espécies comuns e raras, ciência, conservação, políticas ambientais e naturalistas. Aprendo e partilho algo novo todos os dias.

Não perca