Mais de 420 mil pessoas conseguiram contar, num só fim-de-semana, mais de 6,7 milhões de aves nos jardins do Reino Unido. Conheça os resultados do 39º Bird Garden Birdwatch, organizado pela RSPB e divulgados hoje.
Todos os anos, milhares de cidadãos dedicam uma hora de um fim-de-semana de Janeiro para contar as aves nos seus jardins e cidades. Este esforço ajuda a Royal Society for the Protection of Birds (RSPB) a saber se as aves mais comuns estão bem ou se estão a desaparecer silenciosamente.
O censo de 2018 aconteceu no último fim-de-semana de Janeiro e contou com um total de 420.489 participantes. Juntos, estes cidadãos naturalistas registaram 6.764.475 aves.
Esta é a lista das 10 espécies que mais foram observadas e que também ocorrem em Portugal:
1. Pardal (Passer domesticus)
2. Estorninho-comum ou estorninho-malhado (Sturnus vulgaris)
3. Chapim-azul (Cyanistes caeruleus ou Parus caeruleus)
4. Melro (Turdus merula)
5. Pombo-torcaz (Columba palumbus)
6. Pintassilgo (Carduelis carduelis)
7. Chapim-real (Parus major)
8. Pisco-de-peito-ruivo (Erithacus rubecula)
9. Chapim-rabilongo (Aegithalos caudatus)
10. Tentilhão (Fringilla coelebs)
A RSPB destaca o aumento no número de pintassilgos e de outras aves pequenas – como o chapim-rabilongo e o chapim-carvoeiro – que terão beneficiado de um Janeiro mais ameno no Reino Unido. O número de observações de pintassilgos subiu 11% em relação aos números de 2017 e esta ave foi vista em mais de dois terços dos jardins onde decorreu o censo. O chapim-rabilongo registou um aumento de 16%, o chapim-carvoeiro subiu 15% e o chapim-azul 5%.
Boas notícias também para o verdilhão. Depois de um declínio de 58% nas observações desde o primeiro censo, em 1979, esta ave registou este ano um aumento de 5%.
“O aumento destas espécies nos nossos jardins deve estar ligado às condições favoráveis durante a sua época de reprodução de 2017”, explica a RSPB em comunicado. “Isto tudo combinado com o Outono e Inverno amenos.”
Mas o que impressionou mesmo a organização foi o número de pessoas que participaram nas contagens. “As nossas aves dos jardins fazem parte da nossa vida, desde o pisco-de-peito-ruivo empoleirado numa vedação ao bando de estorninhos que vemos a caminho do trabalho. Ter milhares de pessoas a dedicar uma hora à procura da vida selvagem é algo fantástico de se ver e que nos ajuda a construir uma imagem do estado em que estão as aves”, comentou Daniel Hayhow, investigador e conservacionista da RSPB.
Na sua opinião, o último Verão foi bom para muitas aves nidificantes, com boas condições para cuidarem das suas crias, e depois o Outono e Inverno foram amenos. Isto quer dizer que as aves viram facilitada a tarefa de procurar alimento, como insectos.
Ainda assim, o censo mostrou uma redução no número de observações de melros (menos 18%), piscos-de-peito-ruivo (menos 12%) e de carriça (menos 11%). “Ao contrário dos chapins e verdilhões, os piscos e as carriças não tiveram uma boa época de reprodução em 2017 e os dados de outros censos indicam que os seus números podem ser mais baixos este ano, de uma forma geral”, acrescentou Hayhow.
Esta iniciativa de ciência cidadã contou ainda com a participação das escolas, no Big Schools Birdwatch. Participaram cerca de 60.000 crianças que passaram uma hora a contar aves. A espécie mais registada foi o melro, com uma ave destas a ser observada em 88% das escolas.