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Saiba porque é que plantas como a tamargueira e o lentisco ajudam a combater pragas nas vinhas

03.07.2026
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Lentisco (Pistacia lentiscus). Foto: Patrícia Garcia Pereira

Um estudo realizado por investigadores portugueses concluiu que a presença de plantas mediterrânicas nas margens de vinhas tem vantagens para o controlo biológico de organismos que se alimentam das videiras, diminuindo a necessidade do uso de químicos.

O novo estudo foi publicado recentemente na revista científica Agricultural and Forest Entomology e realizado por cientistas ligados ao CE3C – Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, e ao LEAF – Linking Landscape, Environment, Agriculture and Food, do Instituto Superior de Agronomia.

A investigação, realizada em vinhas biológicas da Herdade do Esporão, no Alentejo, analisou a abundância de três grupos que são inimigos naturais de pragas agrícolas: vespas parasitóides (pequenas vespas cujas larvas se desenvolvem à custa de insetos e outros artrópodes), aranhas e ainda ácaros predadores.

Área da Herdade do Esporão, onde decorreu o estudo. Foto: Cândida Ramos

“Estes organismos estão associados ao controlo de pragas da vinha, como a cigarrinha-verde e os ácaros fitófagos, contribuindo para reduzir a dependência de tratamentos fitofarmacêuticos e reforçar a sustentabilidade da produção vitivinícola”, explica uma nota de imprensa sobre o novo estudo, divulgada esta semana pelo CE3C. O principal objetivo deste trabalho foi “compreender o impacto do habitat envolvente e de espécies de plantas nativas do Mediterrâneo nas populações de artrópodes benéficos na vinha”, indicou Renata Santos, primeira autora deste estudo e doutoranda do CE3C e do LEAF. 

Os resultados da investigação mostram que diferentes espécies de plantas mediterrânicas estão associadas, ao longo do ano, a quantidades diferentes dos organismos que se alimentam de pragas. Entre as espécies testadas, destacam-se a tamargueira (Tamarix africana) e o lentisco (Pistacia lentiscus), por “albergarem elevadas abundâncias de vespas parasitóides e de aranhas durante a primavera e o verão”. 

Tamargueira (Tamarix africana). Foto: Renata Santos

“Instalar plantas mediterrânicas como a tamargueira e o lentisco em sebes na periferia das vinhas pode ser uma medida útil para apoiar estes organismos benéficos, sobretudo em períodos críticos do ano”, comentou Renata Santos.

Já no inverno, a vegetação rasteira presente nas margens destas culturas pode abrigar grandes quantidades de vespas parasitóides e de aranhas, o que levou os investigadores a concluir que “diferentes componentes da vegetação podem desempenhar papéis complementares na manutenção destes organismos ao longo das estações”, refere o CE3C.

Renata Santos. Foto: Ricardo Ramirez

No caso dos ácaros predadores, a equipa encontrou uma maior presença destes organismos em parcelas de vinha situadas junto a margens biodiversas, do que nas parcelas rodeadas apenas por outras vinhas. Estes organismos alimentam-se de ácaros fitófagos, que são uns pequenos ácaros que se comem partes das plantas e podem causar prejuízos em culturas como estas. 

Por outro lado, os resultados obtidos sugerem também que a influência da vegetação seminatural pode depender não apenas da proximidade imediata de plantas mediterrânicas, mas também das características da paisagem agrícola em redor das vinhas.

O estudo foi financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia e pela Herdade do Esporão. Nesta investigação participaram também investigadores do Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária e do Tagis – Centro de Conservação das Borboletas de Portugal. 

Inês Sequeira

Trabalhei 14 anos na secção de Economia do jornal Público. Juntamente com a Helena Geraldes e a Joana Bourgard, em 2015 ajudei a fundar a Wilder, onde me sinto como “peixe na água”. Escrevo sobre plantas, animais, espécies comuns e raras, ciência, conservação, políticas ambientais e naturalistas. Aprendo e partilho algo novo todos os dias.

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