É no fim do verão, entre o final de julho e agosto, que a colheita de alimentos se torna mais desafiante para as abelhas, concluíram investigadores britânicos que usaram um novo método de avaliação, e que sugerem soluções.
Deixar as ervas do final do verão crescerem sem ser cortadas pode ajudar as abelhas a encontrarem o néctar de que necessitam nesta altura do ano, quando mostram mais dificuldade para obter alimentos em quantidade suficiente, afirma uma equipa de investigadores da Universidade de Sussex, no Reino Unido, num artigo publicado pela revista científica Functional Ecology.
No estudo, estes cientistas recorreram a um método de medições diretas para contabilizarem as mudanças sazonais observadas pelas abelhas-do-mel, no que respeita aos ganhos e perdas de energia relacionados com a recolha de néctar.
Existem muitas espécies diferentes de abelhas, incluindo as abelhas-do-mel (Apis melifera), que além dos apiários podem ser encontradas também em liberdade na natureza, em muitas localizações. Por esse motivo, a equipa escolheu esta espécie para o estudo, que se realizou em espaços verdes em redor de Brighton, na costa sul de Inglaterra, e Edimburgo, capital da Escócia.
O trabalho de campo foi conduzido entre abril e outubro, mas foi no final de julho e em agosto que os investigadores perceberam que havia mais falta de comida para as abelhas, indica uma nota de imprensa sobre a investigação.
A descida na quantidade de néctar, sugere a equipa, pode estar ligada ao facto de haver menos plantas em flor no final do verão, mas ao mesmo tempo mais polinizadores que competem por estas fontes de alimento. Foi na primavera, quando mais plantas florescem, que as abelhas mostraram ser mais eficientes na recolha de néctar.
“Os nossos resultados reforçam um corpo crescente de literatura científica que indica que o final do verão é uma época particularmente desafiante para os polinizadores”, afirmou Nicholas Balfour, um dos co-autores deste esudo. “Isso é incrivelmente importante, uma vez que é neste período do ano que uma vasta maioria dos polinizadores está ativa e necessita de alimentos para os providenciar às suas crias”, acrescentou.
“Encorajar flores que florescem no final do verão, quando as abelhas têm mais dificuldades para juntar mel e néctar, pode ser mais útil para as ajudar”, acrescentou por seu lado Ciaran Harris, outro co-autor do artigo científico. “Isso pode conseguir-se com a plantação dessas espécies de plantas, ajustando quando os relvados são aparados e também se formos mais tolerantes com ‘ervas’ que florescem no verão, como os cardos, a erva-de-são-tiago e as centáureas.”
No entanto, não são apenas as abelhas-do-mel que enfrentam dificuldades, alertou o mesmo responsável. “O final do verão é provavelmente desafiador para outras espécies de insetos que visitam flores, porque as abelhas-do-mel visitam uma grande variedade de espécies florais. Isso significa que são um bom indicador da disponibilidade geral de néctar na paisagem”, detalhou.
Para medirem o sucesso das abelhas na colheita de néctar ao longo dos meses de abril a outubro, os cientistas compararam a energia gasta durante a colheita (calculada por quanto tempo os insetos passavam a voar e a andar num período de 60 segundos) com a energia recebida da colheita (calculada pelo número e espécies de flores visitas e pela quantidade de néctar).
Ao longo do estudo, recolheram dados de 1217 abelhas-do-mel e dados de néctar de 1426 flores.