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Quatro crias órfãs de lince e mãe adoptiva levadas para o Parque Nacional de Monfrague

08.08.2025
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Lince-ibérico, cria. Foto: Programa Ex-situ (arquivo)

Quatro crias de lince-ibérico, que ficaram sem mãe há uns meses, e a sua mãe adoptiva foram libertados a 6 de Agosto num cercado de solta branda no Parque Nacional espanhol de Monfrague, na Extremadura.

Os cinco linces foram levados para o cercado de aclimatação onde as crias irão aprender a caçar e a viver na natureza durante, pelo menos, quatro ou cinco meses, segundo um comunicado da Junta da Extremadura.

As crias são filhas de duas linces que morreram atropeladas, com apenas um mês de diferença, em Navalmoral de la Mata (Cáceres) e em Vale de Matachel (Badajoz).

“Graças aos colares de radio-frequência que tinham as mães, pudemos localizar as crias e levá-las para o Centro de Reprodução em Cativeiro de Zarza de Granadilla, onde foram criadas a biberão”, explicou Germán Puebla, director geral de Sustentabilidade da Junta da Extremadura.

Às crias juntou-se Flora, uma fêmea que cuidou das crias durante todos esses meses. “Foi uma experiência absolutamente assombrosa ver como Flora as acolheu, as ensinou a caçar coelhos e outros pequenos animais e como cuidou delas como se fossem suas”, comentou o responsável.

Agora, os cinco linces foram libertados no mesmo cercado onde já estavam outros dois, em fase de semi-liberdade.

Flora e esses dois linces adultos têm um colar de radio-frequência para ser possível aos técnicos acompanhar como interagem até que sejam colocados em liberdade total. Na Extremadura espanhola estão registados cinco núcleos populacionais de lince-ibérico.

Esta iniciativa acontece no âmbito de um projeto que tem o apoio de fundos europeus LIFE Plus e procura recuperar a espécie e devolve-la à natureza. “Não queremos linces em zoológicos, queremos linces livres, como sempre foram”, disse Germán Puebla.

Durante mais de 50 anos, as populações de lince-ibérico (Lynx pardinus) não conheceram outra coisa se não o declínio. A perseguição humana e a escassez de coelho-bravo ditaram esta descida que levou a espécie à beira da extinção.

Nos últimos 20 anos, Portugal e Espanha uniram-se e avançaram em várias frentes no derradeiro esforço de salvar este felino. Em 23 anos, a população passou de menos de 100 exemplares contabilizados em 2002 para 2401 em 2024, segundo os dados do mais recente censo à espécie.

Helena Geraldes

Sou jornalista de Natureza na revista Wilder. Escrevo sobre Ambiente e Biodiversidade desde 1998 e trabalhei nas redacções da revista Fórum Ambiente e do jornal PÚBLICO. Neste último estive 13 anos à frente do site de Ambiente deste diário, o Ecosfera. Em 2015 lancei a Wilder, com as minhas colegas jornalistas Inês Sequeira e Joana Bourgard, para dar voz a quem se dedica a proteger ou a estudar a natureza mas também às espécies raras, ameaçadas ou àquelas de que (quase) ninguém fala. Na verdade, isso é algo que quero fazer desde que ainda em criança vi um documentário de vida selvagem que passava aos domingos na televisão e que me fez decidir o rumo que queria seguir. Já lá vão uns anos, portanto. Desde então tenho-me dedicado a escrever sobre linces, morcegos, abutres, peixes mas também sobre conservacionistas e cidadãos apaixonados pela natureza, que querem fazer parte de uma comunidade. Trabalho todos os dias para que a Wilder seja esse lugar no mundo.

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