Projeto Sentinelas já tem 23 aves marcadas para ajudar a combater venenos ilegais em Portugal

31.08.2022
Grifo. Foto: Miguel Nóvoa/Palombar

O projecto Sentinelas – Rede de Monitorização de Ameaças para a Fauna Silvestre foi alargado e conta agora com 23 aves marcadas para detetar e combater várias formas de perseguição ilegal de animais selvagens, como os venenos ilegais.

As aves mais recentes a serem marcadas foram um grifo (Gyps fulvus) subadulto e um milhafre-real (Milvus milvus) juvenil, o primeiro a integrar a rede, e são fruto de uma colaboração realizada entre a Palombar e o Centro de Recuperação de Animais Selvagens do Hospital Veterinário da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (CRAS-HVUTAD), onde os animais estiveram a recuperar depois de terem sido resgatados debilitados. O processo de recuperação das aves também contou com o apoio do Centro de Interpretação Ambiental e Recuperação Animal (CIARA), localizado em Felgar, Torre de Moncorvo.

O grifo e o milhafre-real foram equipados com dispositivo GPS e marcados com anilhas de PVC e agora serão monitorizados pela equipa do projeto.

As anilhas de PVC para marcar os milhafres-reais deste projeto foram cedidas pela Hawk Mountain Sanctuary, uma organização dedicada à conservação das aves de rapina a nível mundial.

No total, desde o início deste projeto, 23 aves foram anilhadas e 18 receberam GPS (17 grifos e um milhafre-real). O milhafre-real agora marcado também passa a integrar o projeto LIFE Eurokite para promover a proteção e conservação do milhafre-real na Europa.

Projeto já fez 10 denúncias de ameaças para a fauna silvestre

O projeto Sentinelas tem contribuído para a implementação do Plano de Ação para a Conservação das Aves Necrófagas, em colaboração com as autoridades nacionais competentes, nomeadamente o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).

Também já permitiu realizar 10 denúncias e comunicações às autoridades competentes relacionadas com ameaças para a fauna silvestre, entre as quais suspeitas de envenenamento e tiro, uso de armadilhas e colisão com linhas elétricas.

O grifo e o milhafre-real recentemente marcados foram devolvidos à natureza a 24 de Agosto, no Miradouro do Carrascalinho, no concelho de Freixo de Espada à Cinta, em pleno Parque Natural do Douro Internacional (PNDI).

Este projecto da Palombar – Conservação da Natureza e do Património Rural é desenvolvido em parceria com a Universidade de Oviedo, em Espanha, e tem financiamento do Fundo Ambiental e da Viridia – Conservation in Action.


Saiba mais.

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E esclareça cinco mitos sobre os abutres em Portugal, neste artigo da Wilder.

Helena Geraldes

Sou jornalista de Natureza na revista Wilder. Escrevo sobre Ambiente e Biodiversidade desde 1998 e trabalhei nas redacções da revista Fórum Ambiente e do jornal PÚBLICO. Neste último estive 13 anos à frente do site de Ambiente deste diário, o Ecosfera. Em 2015 lancei a Wilder, com as minhas colegas jornalistas Inês Sequeira e Joana Bourgard, para dar voz a quem se dedica a proteger ou a estudar a natureza mas também às espécies raras, ameaçadas ou àquelas de que (quase) ninguém fala. Na verdade, isso é algo que quero fazer desde que ainda em criança vi um documentário de vida selvagem que passava aos domingos na televisão e que me fez decidir o rumo que queria seguir. Já lá vão uns anos, portanto. Desde então tenho-me dedicado a escrever sobre linces, morcegos, abutres, peixes mas também sobre conservacionistas e cidadãos apaixonados pela natureza, que querem fazer parte de uma comunidade. Trabalho todos os dias para que a Wilder seja esse lugar no mundo.

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