PUB

Projecto Cigarras de Portugal recebeu mais de 100 sons em três meses

25.10.2019
leitura de 2 minutos
Foto: Marcello Consolo/Wiki Commons

Os resultados da primeira campanha de ciência cidadã lançada pelo projecto Cigarras de Portugal foram divulgados esta semana, num encontro em Lisboa.

O objectivo desta iniciativa, que decorreu entre 1 de Junho e 30 de Setembro, era aumentar o conhecimento dos cientistas e da população em geral sobre as 13 espécies de cigarras com presença confirmada em Portugal, em 2004.

Assim, quem ouvisse uma cigarra a cantar podia gravá-la e enviar o registo à equipa do projecto, ligada à Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL), juntamente com o local onde tinha sido ouvido. São as diferenças nos sons que estes insectos cantores emitem, quando os machos procuram atrair as fêmeas, que ajudam a identificar as espécies.

Cigarra da espécie Cicada orni. Foto: Marcello Consolo/Wiki Commons

Até ao dia 30 de Agosto, a equipa tinha recebido 102 registos de cigarras, revelam os números divulgados num poster científico esta quinta-feira, durante o 2º Encontro Nacional de Ciência Cidadã.

Mais de metade dos sons gravados recebidos pela página do projecto no Facebook e por outros meios eram da espécie Cicada orni, 56% do total, e outros 34% de Cicada barbara. Esse “enviesamento nas espécies registadas” foi uma das limitações reconhecidas pela equipa: os registos foram dominados pelas “duas espécies mais comuns e audíveis”. Outras cinco espécies foram também enviadas por quem participou nesta iniciativa.

Quanto aos locais de origem das 102 gravações recebidas, quase metade foram obtidas nos distritos de Lisboa e Setúbal, seguidas pela região Centro e em terceiro lugar pelo Algarve. Da região Norte, chegaram apenas três.

Também aqui terá ocorrido um “enviesamento geográfico e temporal nos registos, mais frequente no período de férias e zonas urbanas do litoral”, admite a equipa do projecto, liderada por Paula Simões, professora auxiliar na FCUL e investigadora do cE3c-Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais, e por Vera Nunes, também investigadora no cE3c.

Por outro lado, o lançamento desta primeira campanha de ciência cidadã, que decorreu no Facebook e foi divulgada na comunicação social, “resultou num incremento significativo do número de observadores e de registos de cigarras identificadas ao nível da espécie, face aos anos anteriores”, notam.

Para que vai servir?

Os dados recolhidos poderão ser agora usados, adiantam, para “acelerar o mapeamento das populações de cigarras” e “descobrir novas populações e estabelecer locais de interesse para monitorização”, mas também para “registar alterações aos limites de distribuição (expansão/contracção) e investigar as suas causas” e “modelar as necessidades ecológicas e o impacto de alterações no habitat nas cigarras.”

Quanto ao Verão do próximo ano, para quando está prevista uma nova campanha, a equipa quer realizar mais workshops de formação gratuitos, à semelhança dos dois que se realizaram em 2019.

Outros desafios: “Dirigir a campanha para espécies e áreas geográficas específicas”, tal como “reforçar a informação científica acessível digitalmente para cada espécie”, explicam.

Em cima da mesa está também o eventual alargamento dos censos de cigarras a Espanha e a outras espécies de insectos cantores durante o Verão, como é o caso dos grilos e dos gafanhotos, que muitas vezes são confundidos com as primeiras.


Saiba mais.

Comece já a preparar-se para o próximo Verão aprendendo mais sobre o canto das cigarras, aqui e aqui.

E acompanhe o projecto Os Sons do Verão, no portal FonoZoo.

Inês Sequeira

Trabalhei 14 anos na secção de Economia do jornal Público. Juntamente com a Helena Geraldes e a Joana Bourgard, em 2015 ajudei a fundar a Wilder, onde me sinto como “peixe na água”. Escrevo sobre plantas, animais, espécies comuns e raras, ciência, conservação, políticas ambientais e naturalistas. Aprendo e partilho algo novo todos os dias.

Não perca