Foto: Andreas/Pixabay

Lista Vermelha: Um terço dos fungos já avaliados estão em risco de extinção

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O número de fungos incluídos na lista de espécies coordenada pela União Internacional para a Conservação da Natureza chega agora aos 1300, foi anunciado esta quinta-feira.

A Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas ganhou recentemente mais 482 espécies do reino dos fungos, fazendo com que o número de fungos cujo risco de extinção foi avaliado chegue atualmente aos 1300, anunciou esta quinta-feira a União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN).

A Lista Vermelha alberga 169.420 espécies de animais, plantas e fungos, dos quais 47.187 estão classificados como em risco de extinção (Vulneráveis, Em Perigo ou Criticamente em Perigo).

“Os fungos são os heróis não celebrados da vida na Terra, formando a própria fundação dos ecossistemas saudáveis – no entanto, têm sido esquecidos. Graças à dedicação de peritos e cidadãos-cientistas, tomámos um passo vital em frente: mais de 1000 das 155.000 espécies de fungos conhecidas [pela ciência] foram agora avaliadas pela Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da UICN, a fonte de informação mais completa do risco de extinção”, disse o diretor-geral da organização internacional, Grethel Aguilar, citado numa nota de imprensa.

“Agora é altura de transformarmos este conhecimento em ação e de salvaguardarmos o extraordinário reino dos fungos, cujas vastas redes subterrâneas sustêm a natureza e a vida tal como as conhecemos”, acrescentou Grethel Aguilar.

Das várias ameaças, o crescimento de áreas agrícolas e urbanas é aquela que está a afetar mais espécies, num total de 279 fungos em risco. Por sua vez, como resultado do uso de fertilizantes – que libertam amónia e nitrogénio – e da poluição causada pelas máquinas, há 91 espécies ameaçadas. “Estas são ameaças sérias na Europa, que impactam espécies bem conhecidas no campo tradicional como a espécie Hygrocybe intermedia“, sublinhou a UICN.

Outra ameaça importante é a destruição das florestas, seja através do corte de árvores para a produção de madeira ou do abate ilegal de árvores para os mesmos fins, ou então para estas áreas serem convertidas em terrenos agrícolas. Devido a estas práticas, na Lista Vermelha há atualmente 198 fungos em risco.

“O corte de florestas nativas maduras (‘old growth’, em inglês) é especialmente prejudicial, destruindo fungos que não têm tempo para se restabelecerem com sistemas florestais de rotação.” Nas contas da UICN, desde 1975 foram cortadas 30% das florestas de pinheiros de florestas nativas maduras na Finlândia, Suécia e Rússia.

Já as alterações climáticas estão também a prejudicar estas espécies. Por exemplo, nos Estados Unidos, as mudanças que se fazem sentir nos padrões de fogos florestais, que levaram a grandes transformações nas florestas, ameaça o futuro de mais de 50 espécies de fungos. Em causa está por exemplo o grande aumento de abetos na Sierra Nevada, que reduziu o habitat da espécie Gastroboletus citrinobrunneus.

Inês Sequeira

Foi com a vontade de decifrar o que me rodeia e de “traduzir” o mundo que me formei como jornalista e que estou, desde 2022, a fazer um mestrado em Comunicação de Ciência pela Universidade Nova. Comecei a trabalhar em 1998 na secção de Economia do jornal Público, onde estive 14 anos. Fui também colaboradora do Jornal de Negócios e da Lusa. Juntamente com a Helena Geraldes e a Joana Bourgard, ajudei em 2015 a fundar a Wilder, onde finalmente me sinto como “peixe na água”. Aqui escrevo sobre plantas, animais, espécies comuns e raras, descobertas científicas, projectos de conservação, políticas ambientais e pessoas apaixonadas por natureza. Aprendo e partilho algo novo todos os dias.

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