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Escalo-do-Sado: Novo projeto vai trabalhar com espécies endémicas de rios portugueses

10.03.2026
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Escalo-do-Sado ((Squalius caetobrigus)). Foto: Rúben Oliveira

Peixe da bacia do Sado é o primeiro alvo de um novo protocolo de cooperação entre a Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e o Zoomarine, que pretende avançar com a reprodução e manutenção de diferentes espécies de água doce, em ambiente controlado.

O novo protocolo foi assinado entre a Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (Ciências ULisboa) e o Zoomarine e envolve uma colaboração científica e técnica entre as duas entidades, com o objetivo de trabalharem em conjunto para a conservação ex situ de espécies fluviais, ou seja, fora do seu habitat natural. Em causa estão especialmente espécies de água doce endémicas portuguesas, informa um comunicado conjunto sobre esta iniciativa.

Os dois parceiros vão assumir papéis diferentes. Nas mãos da Faculdade de Ciências vai ficar a componente científica, incluindo a identificação e captura de reprodutores, a monitorização dos seus habitats e também a preparação das ações de reprovoamento. Essas tarefas vão ser assumidas pelos cientistas do CE3C – Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais, que fazem investigação em biodiversidade e conservação.

Quanto ao Zoomarine, o programa de reprodução e manutenção em ambiente controlado vai realizar-se nas instalações deste parque aquático algarvio, com o apoio de equipas que ali trabalham dedicadas à conservação da biodiversidade aquática.

Peixes recolhidos na ribeira de Grândola

O primeiro alvo do projeto é o escalo-do-Sado (Squalius caetobrigus), um peixe endémico português, ou seja, que não existe em mais lado nenhum do mundo. A espécie foi descrita para a ciência muito recentemente, em dezembro de 2024, “com populações muito reduzidas e uma área de distribuição extremamente limitada à bacia do rio Sado”. A região onde este pequeno peixe está presente é “particularmente vulnerável aos efeitos das alterações climáticas e à crescente pressão sobre os recursos hídricos, associada à intensificação das atividades agrícola e turística”.

Depois da emissão de licenças pelo Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas, a equipa recolheu 36 escalos-do-Sado na ribeira de Grândola. Esses peixes foram depois transferidos para o Zoomarine, que já está em fase de trabalhos preparatórios para o programa de reprodução em ambiente controlado.

“Este protocolo estabelece um modelo integrado que combina conhecimento científico, monitorização genética, reprodução assistida e educação ambiental, criando as bases para a constituição de populações para futuras ações de reforço populacional nos ecossistemas naturais”, indicam também os responsáveis do projeto, em comunicado.

“A parceria reforça o compromisso de ambas as instituições com a proteção do património natural português e com a conservação das espécies de água doce ameaçadas, promovendo a articulação entre ciência, conservação e envolvimento da sociedade”, considerou Cristina Máguas, investigadora do CE3C e subdiretora para a Investigação e Inovação, Internacionalização e Relações Externas de Ciências ULisboa.

“A criação deste modelo integrado de reprodução e conservação é um passo importante para proteger uma espécie particularmente vulnerável e reforçar a capacidade nacional de resposta na área da biodiversidade fluvial. É nesse contexto que a parceria com a Ciências ULisboa assume especial relevância, aproximando investigação e aplicação prática”, acrescentou João Neves, diretor de Ciência e Conservação do Zoomarine.

Inês Sequeira

Trabalhei 14 anos na secção de Economia do jornal Público. Juntamente com a Helena Geraldes e a Joana Bourgard, em 2015 ajudei a fundar a Wilder, onde me sinto como “peixe na água”. Escrevo sobre plantas, animais, espécies comuns e raras, ciência, conservação, políticas ambientais e naturalistas. Aprendo e partilho algo novo todos os dias.

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