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Alterações climáticas podem estar a mudar as cores dos chapins-azuis

11.07.2022
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Chapim-azul. Foto: Ann/Pixabay

Uma equipa de cientistas de Espanha e França estudou populações de chapins-azuis ao longo de 15 anos e encontrou alterações que estarão ligadas à subida das temperaturas.

O trabalho foi realizado por investigadores da Universidade do País Basco e do Centro de Ecologia Funcional e Evolutiva de Montpellier, a partir de duas populações de chapins-azuis no sul de França – uma nos arredores de Montpellier e outra na ilha da Córsega. Os resultados foram publicados na revista The American Naturalist.

O chapim-azul (Cyanistes caeruleus) é conhecido como uma ave bastante chamativa, devido aos tons azuis e amarelados das suas penas. Está presente em muitos países, incluindo França, Espanha e Portugal.

Entre 2005 e 2019, foram capturados e analisados todos os chapins-azuis reprodutores das duas populações que estavam a ser seguidas, o que permitiu que os cientistas envolvidos neste estudo registassem “mais de 5.800 observações sobre as cores e outras características dos chapins”, explica um comunicado da Universidade do País Basco.

A equipa concluiu que ao longo dos anos, houve uma diminuição das cores azul e amarela nas duas populações estudadas. “Dito de outra maneira, nos dias de hoje, nestas duas populações as cabeças azuis e os peitos amarelos dos chapins-azuis são em média menos coloridos do que quando começou a investigação”, acrescenta a universidade basca.

Os investigadores acreditam que essa mudança no brilho e na vivacidade das cores destas aves estará ligada às alterações climáticas. “A mudança de cor da plumagem parece ser o resultado de uma subida da temperatura (de 1,23ºC) e da redução das precipitações (0,64mm), pelo que as alterações climáticas são a causa potencial desta diferença”, afirma David López-Idiáquez, cientista daquela instituição espanhola e um dos autores do estudo.

E embora possa parecer que essa mudança afecta apenas o lado estético dos chapins, avisa o investigador, os impactos são mais profundos: “Nestas aves aspectos como a coloração funcionam como sinais para indicar a outros indivíduos a qualidade deste espécime e são decisivos, por exemplo, na altura da reprodução.”

Quando se dá uma mudança num território, as populações de animais têm quatro opções: ou sofrem uma mudança genética; ou uma mudança plástica, com alterações físicas mas não genética; ou emigram; ou desaparecem. “É importante destacar que esta mudança não é genética mas sim plástica, uma das formas destas aves se adaptarem às novas condições ambientais”, explica o mesmo responsável.

David López sublinha que os estudos de longo prazo são importantes “para compreender os efeitos das alterações climáticas nos ecossistemas que nos rodeiam”.

Inês Sequeira

Trabalhei 14 anos na secção de Economia do jornal Público. Juntamente com a Helena Geraldes e a Joana Bourgard, em 2015 ajudei a fundar a Wilder, onde me sinto como “peixe na água”. Escrevo sobre plantas, animais, espécies comuns e raras, ciência, conservação, políticas ambientais e naturalistas. Aprendo e partilho algo novo todos os dias.

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