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Para este fim-de-semana: bioblitzs vão descobrir as espécies do sapal e da floresta

22.11.2017
leitura de 3 minutos
flores amarelas num fundo preto

O Moinho de Maré de Corroios, no Seixal, e a Mata Nacional da Machada, no Barreiro, são dois locais da Península de Setúbal onde cientistas e o público em geral vão partir à descoberta do mundo natural, em dois bioblitzs já este fim-de-semana.

 

Na agenda estão acções de ciência cidadã que permitem a qualquer interessado participar numa acção-relâmpago de identificação e registo de espécies, com a ajuda de cientistas.

No sábado, 25 de Novembro, o bioblitz no Moinho de Maré de Corroios começa pelas 9h00 com uma saída de campo em busca de espécies de flora e vegetação, num local onde os arbustos estão em primeiro plano.

Vão observar-se plantas como a salgadeira (Atriplex halimus), a barrilha (Suaeda vera) e ainda a Halimione portulacoides, adaptadas ao ambiente de sapal, onde “a vegetação está sujeita ao efeito das marés”, explicou à Wilder Inês Teixeira do Rosário, da BioDiversity4All, associação que coordena as duas iniciativas.

 

folhas da salgadeira, que é um arbusto um
Folhas da salgadeira. Foto: Krzysztof Ziarnek, Kenraiz/Wiki Commons

 

Seguem-se os insectos e as aves, estas últimas ao início da tarde, sendo de esperar “aves limícolas que durante a maré vazia vêm ao sapal para se alimentarem na vaza”, em especial durante os meses de Outono e Inverno.

Exemplos? Corvos-marinhos-de-faces-brancas, garças-reais, flamingos, pernilongos, alfaiates, borrelhos-grandes-de-coleira-interrompida, mas também o perna-vermelha-comum, a rola-do-mar e o guincho-comum.

 

flamingos no meio de um curso de água
Flamingos. Foto: Andrea Schaffer/Wiki Commons

 

Este bioblitz vai ainda contar com uma saída para observação de invertebrados na zona entre-marés, já a meio da tarde, “um grupo diferente daquilo a que as pessoas estão mais habituadas.” E quem aguardar até às 17h00 pode ficar desde logo a saber quantas espécies foram registadas ao longo do dia, ou quais foram aquelas que mais curiosidade despertaram entre o público e os cientistas.

 

Gaios e toutinegras na Mata da Machada

Já no domingo, as aves vão ser o primeiro alvo do bioblitz que se realiza na Mata Nacional da Machada.

“Este local é a maior área verde do concelho do Barreiro e é muito usado pela população para várias actividades. É uma área mais florestal, com várias espécies desde sobreiros, pinheiros e também muitas acácias que agora estão a ser removidas com a ajuda de um projecto LIFE (Biodiscoveries)”, explica Inês Teixeira do Rosário.

Por ali abundam espécies como os melros, os piscos-de-peito-ruivo, os gaios e as toutinegras-de-cabeça-preta, entre outras.

 

gaio com uma semente no bico
Gaio. Foto: Jerzystrzelecki / Wiki Commons

 

Ao longo do dia, vão seguir-se passeios guiados em busca de insectos e de espécies de flora e vegetação, como os sobreiros (Quercus suber), pinheiros-mansos (Pinus pinea), o sanganho-mouro (Cistus salvifolius) e uma espécie de tojo, o Ulex australis.

A bióloga chama também a atenção para uma saída em busca dos invertebrados do solo, que acontece ao início da tarde: espécies que “serão mais desconhecidas” pois calcula-se que seja “a primeira vez que se investiga este grupo na mata”.

Tal como no Seixal, o dia termina pelas 17h00 com a apresentação dos resultados.

Nos dois casos, essas informações ser ainda divulgadas no site do BioDiversity4All e também no Facebook, “para quem quiser ver e utilizar.” Podem vir a ser úteis, por exemplo, em estudos científicos ou na definição de estratégias locais para a conservação da natureza.

Estes bioblitzs são os primeiros de um projecto que pretende realizar acções de ciência cidadã como estas nos municípios da Península de Setúbal, com o apoio das diversas câmaras municipais e também da Simarsul, empresa que explora o sistema multimunicipal de saneamento de águas residuais na região.

[divider type=”thin”]Agora é a sua vez.

Conheça aqui o programa dos dois bioblitzs e faça também a sua inscrição nas acções, se desejar participar.

 

[divider type=”thin”]Saiba mais.

Releia este artigo da Wilder sobre os resultados do bioblitz que se realizou no final de Maio no Parque da Paz, em Almada.

Inês Sequeira

Trabalhei 14 anos na secção de Economia do jornal Público. Juntamente com a Helena Geraldes e a Joana Bourgard, em 2015 ajudei a fundar a Wilder, onde me sinto como “peixe na água”. Escrevo sobre plantas, animais, espécies comuns e raras, ciência, conservação, políticas ambientais e naturalistas. Aprendo e partilho algo novo todos os dias.

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