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Lince: ICNF altera planos e anuncia novo contrato com equipa do centro de reprodução de Silves

29.05.2026
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Crias de lince-ibérico. Foto: CNRLI/arquivo

O Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) adjudicou esta sexta-feira, por mais 14 meses, uma nova aquisição de serviços à equipa técnica que tem estado presente no Centro Nacional de Reprodução do Lince-ibérico (CNRLI) desde o seu início.

Num comunicado enviado à Wilder na noite desta sexta-feira, o instituto que tutela a conservação da natureza em Portugal afirma que contratou com a equipa liderada pelo coordenador técnico Rodrigo Serra, por mais 14 meses, a operacionalização e a gestão técnico-científica do CNRLI, do Complexo de Treino e Recuperação do Lince-Ibérico (CTRLI) e do apoio de campo associado ao Programa de Conservação e Reintrodução da espécie em Portugal. 

“O CNRLI é parte de uma estratégia ibérica de conservação do lince-ibérico, desenvolvida ao longo de décadas, em estreita articulação com parceiros científicos, institucionais e internacionais, liderada em Portugal pelo ICNF”, afirma um comunicado do instituto, acrescentando que “este trabalho conjunto permitiu alcançar resultados históricos para a recuperação da espécie, hoje reconhecidos internacionalmente como um caso exemplar de sucesso em conservação da natureza”. 

“O contrato terá uma duração de 14 meses, e permitirá assegurar a continuidade das operações num período considerado particularmente relevante para o bem-estar e acompanhamento das crias que venham a nascer em 2027, até atingirem uma fase de maior autonomia. Nesta contratação está adicionalmente incluída a elaboração de uma proposta de modelo de gestão do Centro”, afirma também o ICNF. 

Este anúncio surge à beira da conclusão do contrato ainda em vigor, e cerca de duas semanas depois de terem sido conhecidos os planos do conselho diretivo do ICNF para o afastamento dos trabalhadores do centro de Silves. A 11 de maio, a Wilder noticiou que o ICNF se preparava para assumir a gestão direta do CNRLI, afastando a atual equipa e o seu coordenador quando terminasse o atual contrato, no final deste mês. No centro de reprodução ficaria uma nova equipa liderada pela antiga diretora do Departamento do Bem-Estar dos Animais de Companhia no ICNF, Alexandra Pereira.

A novidade provocou surpresa e fortes críticas de várias organizações ambientais e também de peritos ligados à reprodução e ao estudo deste felino selvagem, incluindo a pioneira mundial em reprodução do lince-ibérico, Astrid Vargas, que criticou a falta de articulação com Espanha. Madrid, aliás, admitiu que não tinha sido informada sobre estas futuras mudanças. Também Rodrigo Serra se mostrou preocupado com o “risco de colapso” do projeto.

O anúncio feito esta sexta-feira surge alguns dias depois do envio de um despacho urgente ao ICNF assinado pela ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho, a alertar que qualquer alteração ao funcionamento do CNRLI deveria ter em conta o bem maior dos animais que ali vivem.

“Compromisso absoluto” com a continuidade do programa

O instituto liderado por Nuno Banza afirma ainda que “mantém e reforça o seu compromisso absoluto com a conservação do lince-ibérico em Portugal e com a continuidade do Programa de Reprodução e Reintrodução da espécie”. 

“Este compromisso materializa-se pela ação do ICNF e de todos os parceiros nacionais e internacionais, na estratégia em execução de conservação do lince-ibérico, mas também com o novo Plano de Ação para a Conservação do Lince-ibérico em Portugal (PACLIP 2026-2030), e com a renovação da parceria com a empresa Águas do Algarve, que garante financiamento ao projeto até 2037”, sublinha. 

No início de maio, ouvida na Comissão Parlamentar de Ambiente e Energia, a ministra Maria da Graça Carvalho anunciou que o ICNF será reestruturado em breve, tal como a Agência Portuguesa do Ambiente, “num processo coordenado pelo Ministro Adjunto e da Reforma do Estado, Gonçalo Matias, em articulação com as áreas governativas do ambiente e da energia e da agricultura e do mar”.

Inês Sequeira

Trabalhei 14 anos na secção de Economia do jornal Público. Juntamente com a Helena Geraldes e a Joana Bourgard, em 2015 ajudei a fundar a Wilder, onde me sinto como “peixe na água”. Escrevo sobre plantas, animais, espécies comuns e raras, ciência, conservação, políticas ambientais e naturalistas. Aprendo e partilho algo novo todos os dias.

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