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Conservação

Lince-ibérico: ministra do Ambiente envia despacho urgente ao ICNF

19.05.2026
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Crias de lince-ibérico. Foto: Programa de Conservação Ex-situ/Arquivo

Qualquer alteração ao funcionamento do Centro Nacional de Reprodução de Lince-ibérico (CNRLI) deve ter em conta o bem maior dos animais que lá vivem, recomenda Maria da Graça Carvalho, num despacho a enviar nesta terça-feira ao Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).

A Wilder confirmou esta tarde junto do gabinete da ministra do Ambiente e da Energia a informação inicialmente avançada pelo jornal Expresso.

O despacho interno deverá ser enviado ainda esta terça-feira, dia 19 de maio, ao conselho diretivo do ICNF, autoridade nacional para a conservação da natureza, avançou à Wilder o gabinete da ministra.

A 13 de maio, em declarações aos jornalistas à margem de uma iniciativa para reposição de areias nas praias da Costa da Caparica, a ministra disse, citada pela agência Lusa, que “o ICNF tem autonomia e eu respeito muito, num regime democrático, as autonomias das instituições”. Maria da Graça Carvalho acrescentou na altura que a internalização é uma questão interna daquele Instituto, na qual não interferiu.

Passada uma semana, o gabinete da ministra explica que Maria da Graça Carvalho tem hoje mais informação sobre o processo e sobre as suas implicações. Por isso, recomenda ao ICNF, no despacho, uma atenção especial ao bem-estar dos linces-ibéricos do Centro de Silves e que tenham isso em conta.

Foi a 11 de maio que o ICNF avançou à Wilder que iria internalizar o CNRLI e formar uma nova equipa para gerir tecnicamente o Centro. A nova coordenadora será Alexandra Maria Silveira Pinto Pereira, médica veterinária especializada em bem-estar de animais de companhia e atual técnica superior do Departamento de Conservação da Natureza e Biodiversidade do ICNF.

O contrato com a equipa atual cessa a 31 de maio. Em entrevista à Wilder, o actual coordenador técnico e diretor científico do centro, Rodrigo Serra, diz que “reconhece que o Estado tem todo o direito de definir o modelo de gestão”, mas “o problema é que não há uma transição técnica nem legal nem segura.”

Foram várias as vozes que já se mostraram preocupadas com a falta de preparação desta transição, tendo em conta a especificidade técnica do trabalho no CNRLI. Uma delas foi Astrid Vargas, veterinária que revolucionou a conservação ao conseguir reproduzir linces-ibéricos em cativeiro pela primeira vez e coordenadora espanhola do Programa de Reprodução do lince-ibérico em cativeiro, entre 2003 e 2010.

“Não faz nenhum sentido. Fiquei em choque. Isto é algo que deve acontecer fruto de um processo de sucessão cuidado, feito com tempo, construído paulatinamente, não numa semana”, contou em entrevista telefónica à Wilder. “Devia ser uma transferência gradual de equipas, com um plano tornado público de como isso aconteceria”.

Pelo menos três grupos parlamentares já enviaram à ministra pedidos de esclarecimento quanto ao futuro do CNRLI, nomeadamente o Livre, o Bloco de Esquerda e o PAN – Partido Pessoas – Animais – Natureza.

Desde há uma semana que decorre uma petição pública, lançada pela associação SOS Animal, para pedir a “salvaguarda da continuidade técnica, científica e humana deste projeto de conservação de importância nacional e europeia”. A 19 de maio reunia mais de 4500 assinaturas.

Helena Geraldes

Sou jornalista de Natureza na revista Wilder. Escrevo sobre Ambiente e Biodiversidade desde 1998 e trabalhei nas redacções da revista Fórum Ambiente e do jornal PÚBLICO. Neste último estive 13 anos à frente do site de Ambiente deste diário, o Ecosfera. Em 2015 lancei a Wilder, com as minhas colegas jornalistas Inês Sequeira e Joana Bourgard, para dar voz a quem se dedica a proteger ou a estudar a natureza mas também às espécies raras, ameaçadas ou àquelas de que (quase) ninguém fala. Na verdade, isso é algo que quero fazer desde que ainda em criança vi um documentário de vida selvagem que passava aos domingos na televisão e que me fez decidir o rumo que queria seguir. Já lá vão uns anos, portanto. Desde então tenho-me dedicado a escrever sobre linces, morcegos, abutres, peixes mas também sobre conservacionistas e cidadãos apaixonados pela natureza, que querem fazer parte de uma comunidade. Trabalho todos os dias para que a Wilder seja esse lugar no mundo.

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