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Lince-ibérico: Livre questiona ministra do Ambiente sobre mudanças no Centro de Reprodução, em Silves

12.05.2026
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Crias de lince-ibérico. Foto: CNRLI/arquivo

Num requerimento dirigido a Maria da Graça Carvalho, os deputados do Livre perguntam quais os motivos e as consequências da internalização do Centro Nacional de Reprodução do Lince-Ibérico (CNRLI) no Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), com o afastamento do coordenador atual e da equipa, que foram noticiados pela Wilder.

O anúncio das mudanças previstas para dia 31 de maio, quando termina o contrato atual relativo à gestão técnica do CNRLI, situado em Silves, foi feito esta segunda-feira por Carlos Albuquerque, vogal do Conselho Diretivo do ICNF, em declarações à Wilder.

A equipa que desde o início assegura a reprodução em cativeiro do lince-ibérico e a gestão genética deste felino ameaçado, em Portugal, incluindo o coordenador, Rodrigo Serra, vão ser substituídos por outras pessoas, num processo atualmente em curso, indicou Carlos Albuquerque. Prevê-se que à frente do Centro de Silves passe a estar Alexandra Pereira, médica veterinária e antiga diretora do Departamento do Bem-Estar dos Animais de Companhia, no ICNF.

“O ICNF afiançou garantir continuidade operacional, mas, a cerca de 15 dias do fim do contrato com a equipa que prossegue este trabalho de forma ininterrupta há 16 anos, não detalhou motivos para o afastamento e, mais importante, sobre como pretende garantir a continuidade dos cuidados diários necessários no CNRLI e o sucesso do programa no futuro”, afirma o requerimento parlamentar assinado pelos deputados do Livre, a que a Wilder teve acesso. “Todo este processo deve ser esclarecido e transparente, uma vez que a conservação do lince ibérico não é matéria de gerência interna do ICNF, mas sim uma política ambiental estratégica, com financiamento público europeu e responsabilidade partilhada perante a sociedade portuguesa e a comunidade internacional […]”, sublinham também. 

Além de questionar a ministra do Ambiente e Energia sobre o motivo para o afastamento da equipa e do coordenador do CNRLI, os deputados perguntam também como é que o Ministério vai garantir que a mudança “não compromete o sucesso do programa de reintrodução do lince-ibérico, um trabalho de décadas que tem granjeado louros a Portugal a nível internacional”.

Outra dúvida colocada pelo grupo parlamentar, tendo em conta que o contrato com a equipa de Rodrigo Serra termina já a 31 de maio, prende-se com a existência ou não de “um plano de transição para assegurar a continuidade das atividades de reprodução em cativeiro e reintroduções, de forma a evitar interrupções que possam afetar a população atual de linces em Portugal”.

São colocadas ainda outras perguntas dirigidas à ministra Maria da Graça Carvalho, que tem a tutela da área de conservação da natureza e do ICNF, incluindo sobre os termos da proposta apresentada aos trabalhadores da empresa que operacionaliza o CNRLI desde 2009, de que forma será realizado o recrutamento e formação de novos profissionais e também sobre “qual é o plano para compensar a perda de conhecimento técnico e científico acumulado da equipa afastada” do Centro de Silves.

Entre outras questões, o grupo parlamentar pergunta também quais são as “competências técnicas específicas em reprodução de espécies ameaçadas, gestão de programas ex-situ e in-situ e reintrodução de linces-ibéricos que possui a nova coordenação e equipa, para continuar a garantir o sucesso do programa” e de que forma será feita a articulação com as autoridades espanholas desta mudança de gestão, “para garantir que não há interrupções na cooperação transfronteiriça, nomeadamente no intercâmbio de animais ou no cumprimento das metas populacionais conjuntas”.

Os deputados pedem também esclarecimentos sobre a relação entre esta decisão e a reestruturação do ICNF, anunciada recentemente.

O CNRLI faz parte de uma rede ibérica que inclui ainda outros três centros: Centro de La Olivilla (Jaén), Centro de Zarza de Granadilla (Cáceres) e Centro de El Acebuche (Huelva). Todos trabalham para garantir a maior diversidade genética possível para esta espécie e reforçar as populações no campo.

Inês Sequeira

Trabalhei 14 anos na secção de Economia do jornal Público. Juntamente com a Helena Geraldes e a Joana Bourgard, em 2015 ajudei a fundar a Wilder, onde me sinto como “peixe na água”. Escrevo sobre plantas, animais, espécies comuns e raras, ciência, conservação, políticas ambientais e naturalistas. Aprendo e partilho algo novo todos os dias.

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