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WWF Portugal saúda continuidade na gestão do Centro Nacional de Reprodução do Lince-Ibérico

01.06.2026
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Lince-ibérico. Foto: Programa de Conservação Ex-Situ

A WWF Portugal expressou hoje a sua satisfação por o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) recuar na intenção de internalizar a gestão do CNRLI sem um período de transição adequado, ao decidir prolongar por mais 14 meses a colaboração com a atual equipa técnica do Centro instalado em Silves. 

A WWF Portugal foi uma das entidades que, nas últimas semanas, se mostrou preocupada “quanto à necessidade de preservar o conhecimento técnico acumulado ao longo de quase duas décadas de trabalho especializado na reprodução em cativeiro do lince-ibérico em Portugal e na gestão transfronteiriça desta vertente da conservação da espécie”, escreveu a organização em comunicado.

A decisão anunciada na sexta-feira pelo ICNF é “um sinal positivo de ouvir a sociedade civil e de valorização da experiência acumulada pela equipa do centro, criando condições para uma eventual transição mais gradual, transparente e segura, compatível com a elevada exigência técnica e complexidade de um programa de conservação desta natureza”. 

A WWF Portugal considera que “este período adicional permitirá preparar adequadamente o futuro do CNRLI, garantindo que o eventual processo de transição decorra sem comprometer os resultados alcançados na recuperação do lince-ibérico, uma das maiores histórias de sucesso da conservação da biodiversidade na Península Ibérica”. 

No entanto, a WWF lamenta não ter sido dado conhecimento até agora à Comissão Executiva do Plano de Ação para a Conservação do Lince Ibérico em Portugal (PAC-LIP), quer dos detalhes e fundamentação da decisão inicial, quer deste prolongamento do contrato com a atual equipa e da finalidade do mesmo. 

A WWF reiterou ainda “a sua disponibilidade para continuar a colaborar com o ICNF e com os restantes parceiros do programa, contribuindo para que Portugal mantenha um papel de referência na conservação desta espécie emblemática e para que o trabalho desenvolvido nas últimas décadas continue a produzir resultados duradouros para a biodiversidade ibérica, e para a melhoria do seu estatuto de conservação”.

A 11 de maio, a Wilder noticiou que o ICNF se preparava para assumir a gestão direta do CNRLI, afastando a atual equipa e o seu coordenador quando terminasse o atual contrato, no final deste mês. No centro de reprodução ficaria uma nova equipa liderada pela antiga diretora do Departamento do Bem-Estar dos Animais de Companhia no ICNF, Alexandra Pereira.

A novidade provocou surpresa e fortes críticas de várias organizações ambientais e também de peritos ligados à reprodução e ao estudo deste felino selvagem, incluindo a pioneira mundial em reprodução do lince-ibérico, Astrid Vargas, que criticou a falta de articulação com Espanha. Madrid, aliás, admitiu que não tinha sido informada sobre estas futuras mudanças. Também Rodrigo Serra se mostrou preocupado com o “risco de colapso” do projeto.

Na sexta-feira passada, o ICNF afirmou que “mantém e reforça o seu compromisso absoluto com a conservação do lince-ibérico em Portugal e com a continuidade do Programa de Reprodução e Reintrodução da espécie”.  

Helena Geraldes

Sou jornalista de Natureza na revista Wilder. Escrevo sobre Ambiente e Biodiversidade desde 1998 e trabalhei nas redacções da revista Fórum Ambiente e do jornal PÚBLICO. Neste último estive 13 anos à frente do site de Ambiente deste diário, o Ecosfera. Em 2015 lancei a Wilder, com as minhas colegas jornalistas Inês Sequeira e Joana Bourgard, para dar voz a quem se dedica a proteger ou a estudar a natureza mas também às espécies raras, ameaçadas ou àquelas de que (quase) ninguém fala. Na verdade, isso é algo que quero fazer desde que ainda em criança vi um documentário de vida selvagem que passava aos domingos na televisão e que me fez decidir o rumo que queria seguir. Já lá vão uns anos, portanto. Desde então tenho-me dedicado a escrever sobre linces, morcegos, abutres, peixes mas também sobre conservacionistas e cidadãos apaixonados pela natureza, que querem fazer parte de uma comunidade. Trabalho todos os dias para que a Wilder seja esse lugar no mundo.

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