A WWF Portugal expressou hoje a sua satisfação por o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) recuar na intenção de internalizar a gestão do CNRLI sem um período de transição adequado, ao decidir prolongar por mais 14 meses a colaboração com a atual equipa técnica do Centro instalado em Silves.
A WWF Portugal foi uma das entidades que, nas últimas semanas, se mostrou preocupada “quanto à necessidade de preservar o conhecimento técnico acumulado ao longo de quase duas décadas de trabalho especializado na reprodução em cativeiro do lince-ibérico em Portugal e na gestão transfronteiriça desta vertente da conservação da espécie”, escreveu a organização em comunicado.
A decisão anunciada na sexta-feira pelo ICNF é “um sinal positivo de ouvir a sociedade civil e de valorização da experiência acumulada pela equipa do centro, criando condições para uma eventual transição mais gradual, transparente e segura, compatível com a elevada exigência técnica e complexidade de um programa de conservação desta natureza”.
A WWF Portugal considera que “este período adicional permitirá preparar adequadamente o futuro do CNRLI, garantindo que o eventual processo de transição decorra sem comprometer os resultados alcançados na recuperação do lince-ibérico, uma das maiores histórias de sucesso da conservação da biodiversidade na Península Ibérica”.
No entanto, a WWF lamenta não ter sido dado conhecimento até agora à Comissão Executiva do Plano de Ação para a Conservação do Lince Ibérico em Portugal (PAC-LIP), quer dos detalhes e fundamentação da decisão inicial, quer deste prolongamento do contrato com a atual equipa e da finalidade do mesmo.
A WWF reiterou ainda “a sua disponibilidade para continuar a colaborar com o ICNF e com os restantes parceiros do programa, contribuindo para que Portugal mantenha um papel de referência na conservação desta espécie emblemática e para que o trabalho desenvolvido nas últimas décadas continue a produzir resultados duradouros para a biodiversidade ibérica, e para a melhoria do seu estatuto de conservação”.
A 11 de maio, a Wilder noticiou que o ICNF se preparava para assumir a gestão direta do CNRLI, afastando a atual equipa e o seu coordenador quando terminasse o atual contrato, no final deste mês. No centro de reprodução ficaria uma nova equipa liderada pela antiga diretora do Departamento do Bem-Estar dos Animais de Companhia no ICNF, Alexandra Pereira.
A novidade provocou surpresa e fortes críticas de várias organizações ambientais e também de peritos ligados à reprodução e ao estudo deste felino selvagem, incluindo a pioneira mundial em reprodução do lince-ibérico, Astrid Vargas, que criticou a falta de articulação com Espanha. Madrid, aliás, admitiu que não tinha sido informada sobre estas futuras mudanças. Também Rodrigo Serra se mostrou preocupado com o “risco de colapso” do projeto.
Na sexta-feira passada, o ICNF afirmou que “mantém e reforça o seu compromisso absoluto com a conservação do lince-ibérico em Portugal e com a continuidade do Programa de Reprodução e Reintrodução da espécie”.