Dados do censo ibérico indicam que nasceram 129 crias no território nacional. População mundial é agora de 2663 exemplares.
Os resultados do censo realizado em 2025 foram divulgados esta sexta-feira pelo Ministério do Ambiente e Energia, que destaca “os resultados históricos alcançados na recuperação do lince-ibérico, uma das espécies mais emblemáticas da fauna da Península Ibérica”.
Os 394 linces-ibéricos contabilizados em território português incluem 265 adultos ou subadultos e ainda 129 crias nascidas no mesmo ano. Registaram-se um total de 74 fêmeas reprodutoras.
Representam 14,8% da população mundial deste felino ameaçado, que totaliza 2663 exemplares divididos entre Portugal e Espanha, país onde se contaram 2269 linces.
Em 2024, tinham sido registados 354 linces-ibéricos em território português, incluindo 110 crias, enquanto que a população espanhola totalizava 2047 animais.
O censo realizado no ano passado registou ainda 542 fêmeas reprodutoras, mais 72 do que no ano anterior, e 952 crias nascidas, “indicadores fundamentais para assegurar a viabilidade futura da espécie”, afirma também o Governo. A presença da espécie foi confirmada em 26 áreas geográficas distintas da Península Ibérica, com reprodução em 18 desses núcleos, incluindo o núcleo português do Vale do Guadiana.
“Os resultados confirmam uma trajetória de crescimento consistente e sustentado”, acrescenta o gabinete da ministra do Ambiente, que acrescenta que “em apenas quatro anos, a população ibérica aumentou 95%, passando de 1.365 exemplares em 2021 para 2.663 em 2025”.
“Quando comparados com os números de 2002, ano em que existiam menos de 100 linces na natureza, os dados atuais demonstram uma recuperação sem precedentes de uma espécie que esteve à beira da extinção.”

Ministra do Ambiente fala em “história de sucesso”
Reagindo aos dados divulgados, a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, sublinhou que “a recuperação do lince-ibérico é uma das maiores histórias de sucesso da conservação da natureza na Europa”, afirmou, citada em comunicado. “Estes resultados demonstram que é possível inverter processos de perda de biodiversidade quando existe conhecimento científico, compromisso político, cooperação internacional e envolvimento das comunidades locais.”
O Governo afirma ainda que “Portugal tem desempenhado um papel relevante neste esforço”, tanto através do trabalho do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) como do Centro Nacional de Reprodução do Lince-Ibérico (CNRLI), em Silves. Recentemente, as duas entidades estiveram envolvidas numa polémica sobre o futuro do programa de reprodução ex situ em Portugal, que terá ficado concluída no final de maio.
Mas apesar do sucesso, refere também o Ministério do Ambiente, continuam a existir desafios à recuperação e à conservação desta espécie ibérica a longo prazo, “como a redução da mortalidade por atropelamento e o reforço da conectividade ecológica entre habitats”.
As taxas de mortalidade não natural, de facto, “ainda são preocupantes”, adianta por sua vez o Ministério para a Transição Ecológica e o Desafio Demográfico (MITECO), que em Espanha tutela a conservação da biodiversidade. Num comunicado também divulgado esta sexta sobre os dados do último censo ibérico, Madrid indica que se registaram 273 mortes de lince em 2025, das quais 212 (77,9%) se deveram a atropelamentos em várias vias rodoviárias.
Em Portugal estão registados 12 linces-ibéricos mortos por atropelamento durante o ano de 2025.
“Isso mostra como é importante avançar com os trabalhos de aplicação da Estratégia de conservação do lince-ibérico em Espanha e Portugal, aprovada em 2024, […] para melhorar a desfragmentação de habitats entre os núcleos geográficos onde está estabelecida a espécie no nosso país”, acrescenta.
Os dados divulgados esta sexta-feira, apesar de tudo, podem estar abaixo dos números reais de linces-ibéricos na Península Ibérica, uma vez que à medida que a população vai crescendo se torna mais difícil contabilizar todos os animais. Assim, o resultado do censo deverá ser encarado como o número mínimo de linces, avisam as autoridades espanholas.

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