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BeeConnected debate soluções para travar declínio de insetos polinizadores

17.03.2026
leitura de 3 minutos
Andrena. Foto: JAGNI

De Coimbra ao sudoeste de França, passando por Espanha, há um diagnóstico comum: os insetos polinizadores estão sob pressão crescente. Essa foi uma das conclusões de vários encontros que reuniram especialistas para pensar soluções concretas.

Cerca de 80 atores locais participaram numa série de workshops participativos para encontrar soluções, no âmbito do projeto de três anos BeeConnected SUDOE que está a decorrer em Portugal, Espanha e França desde julho de 2025.

Em todos os territórios analisados, em três países do sudoeste europeu, existe uma perceção clara de que as populações de polinizadores estão sujeitas a múltiplas pressões.

Os encontros realizaram-se em quatro zonas-piloto representativas do sudoeste europeu: a área peri-urbana de Coimbra, as Vias Verdes de Girona, a Cañada Real Conquense, em Castilla-La Mancha, e as infra-estruturas verdes sob linhas elétricas no maciço florestal das Landes, em França.

Workshop participativo na Cañana Conquense. Foto: UAM

O principal objetivo foi recolher o conhecimento e a experiência de quem trabalha nestes territórios, identificando tanto as principais ameaças aos polinizadores como as medidas mais eficazes para a sua conservação.

Uma preocupação partilhada

Em todos os territórios analisados, existe consenso de que os insetos polinizadores enfrentam múltiplas pressões. Apesar de o conhecimento sobre as diferentes espécies variar, há um reconhecimento generalizado da sua importância ecológica e económica.

As abelhas selvagens foram identificadas como particularmente importantes para o funcionamento dos ecossistemas e para muitas culturas agrícolas.

No entanto, em vários workshops ficou evidente que muitas pessoas associam a polinização quase exclusivamente à abelha-do-mel, revelando a necessidade de reforçar a divulgação sobre a diversidade dos polinizadores.

Principais causas do declínio

Entre as ameaças mais referidas nos workshops destaca-se o uso de pesticidas e de outros produtos fitossanitários, a perda e a fragmentação de habitats naturais, a intensificação agrícola, a urbanização e as alterações climáticas.

Andrena. Foto: JAGNI

Foram também apontadas outras pressões, como a expansão de espécies exóticas invasoras (em particular a vespa-asiática), a simplificação da paisagem e determinadas práticas de gestão do território.

Em contextos urbanos, como em Coimbra, destacou-se o impacto dos modelos de manutenção de espaços verdes, onde a gestão intensiva e a procura de áreas excessivamente “limpas” reduzem os recursos disponíveis para os polinizadores.

Já em áreas florestais, como nas Landes, surgiram questões relacionadas com a monocultura de pinheiro-bravo e com práticas de prevenção de incêndios que podem entrar em conflito com a conservação da biodiversidade.

Medidas para apoiar os polinizadores

Entre as principais soluções propostas estão o restauro de habitats com espécies autóctones, a criação de corredores ecológicos, a redução do uso de pesticidas e o aumento de recursos florais e locais de abrigo e reprodução.

Foram também sugeridas medidas como a recuperação de caminhos rurais e margens agrícolas, o incentivo ao pastoreio extensivo, a gestão diferenciada de espaços verdes urbanos e a adaptação da gestão de faixas de proteção sob linhas elétricas.

Um obstáculo identificado foi a dificuldade em encontrar sementes e plantas autóctones nos viveiros, o que pode limitar as ações de restauro ecológico.

Os resultados destes workshops irão agora apoiar a implementação de ações-piloto. Estas pretendem demonstrar como infra-estruturas verdes — como corredores ecológicos ou zonas sob linhas elétricas — podem melhorar a conectividade ecológica e favorecer a conservação dos polinizadores.

O BeeConnected SUDOE, coordenado pela Universidade Autónoma de Madrid, tem a participação portuguesa de João Loureiro e de Sílvia Castro, professores do Departamento de Ciências da Vida (DCV) e investigadores do Centro de Ecologia Funcional (CFE), e da Câmara Municipal de Coimbra. 

O projeto, financiado com fundos Interreg SUDOE da União Europeia, conta ainda com a participação da Universidade de Bordéus (França), da Universidade de Coimbra (Portugal) e do Consórcio CREAF (Centro de Investigação Ecológica e Aplicações Florestais), na vertente científica. A SEO/BirdLife (Sociedade Espanhola de Ornitologia)será responsável pelas ações de sensibilização, enquanto a Junta de Comunidades de Castilla-La Mancha, a Câmara Municipal de Coimbra e a Diputación de Girona desenvolverão ações no terreno.

Helena Geraldes

Sou jornalista de Natureza na revista Wilder. Escrevo sobre Ambiente e Biodiversidade desde 1998 e trabalhei nas redacções da revista Fórum Ambiente e do jornal PÚBLICO. Neste último estive 13 anos à frente do site de Ambiente deste diário, o Ecosfera. Em 2015 lancei a Wilder, com as minhas colegas jornalistas Inês Sequeira e Joana Bourgard, para dar voz a quem se dedica a proteger ou a estudar a natureza mas também às espécies raras, ameaçadas ou àquelas de que (quase) ninguém fala. Na verdade, isso é algo que quero fazer desde que ainda em criança vi um documentário de vida selvagem que passava aos domingos na televisão e que me fez decidir o rumo que queria seguir. Já lá vão uns anos, portanto. Desde então tenho-me dedicado a escrever sobre linces, morcegos, abutres, peixes mas também sobre conservacionistas e cidadãos apaixonados pela natureza, que querem fazer parte de uma comunidade. Trabalho todos os dias para que a Wilder seja esse lugar no mundo.

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