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Aplicação de ciência cidadã pode ajudar a salvar o tartaranhão-caçador da extinção

13.03.2026
leitura de 2 minutos
Macho de tartaranhão-caçador (Circus pygargus). Foto: Cks3976/Wiki Comuns

Os utilizadores da aplicação eBird podem ter um papel importante na conservação do tartaranhão-caçador (Circus pygargus), ave de rapina migradora que está Em Perigo em Portugal. O apelo é feito pelo projeto LIFE SOS Pygargus, que incentiva observadores de aves e cidadãos em geral a registar e partilhar dados sobre a espécie.

Segundo os responsáveis pelo projeto, a participação pública é fundamental para recolher informação atualizada sobre a distribuição da ave e apoiar a campanha anual “Salvar o Tartaranhão-caçador”, que procura melhorar a proteção dos ninhos e compreender as ameaças que afetam esta espécie.

Uma população em forte declínio

A situação do tartaranhão-caçador na Península Ibérica é preocupante. Em Portugal, a população diminuiu cerca de 80% entre 2012 e 2022.

Esta ave de rapina passa o inverno na África subsaariana e regressa à Península Ibérica na primavera para se reproduzir, permanecendo aqui entre março e setembro.

Nesta altura do ano, os primeiros indivíduos já começaram a chegar aos territórios de nidificação, sobretudo em áreas agrícolas e paisagens abertas.

Para os investigadores, recolher dados sobre locais de reprodução, áreas de alimentação e potenciais ameaças é hoje uma prioridade para travar a tendência negativa da espécie.

Como os cidadãos podem ajudar

Os observadores de aves que encontrem um tartaranhão-caçador, um casal ou um ninho podem registar a sua observação na aplicação eBird, considerada a maior plataforma mundial de ciência cidadã dedicada à observação de aves e gerida pelo Laboratório de Ornitologia da Universidade Cornell, nos Estados Unidos.

Além do registo na aplicação, os participantes podem enviar informações adicionais à equipa do projeto, como coordenadas GPS, fotografias, vídeos ou notas de campo. Estes dados ajudam os investigadores a localizar ninhos e a planear medidas de proteção durante a época de reprodução.

Durante este período, que decorre entre março e agosto, é também importante reportar anilhas coloridas de identificação, usadas em programas de monitorização da espécie.

Se forem encontrados ninhos ou situações de risco — como atividades agrícolas próximas, incêndios ou predadores — os responsáveis recomendam que a informação seja comunicada rapidamente à equipa do projeto.

No caso de uma ave ferida ou morta, a recomendação é não tocar no animal e contactar as autoridades ambientais, como o Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente da GNR.

Uma rede de “amigos” para proteger a espécie

Para reforçar a participação pública, o projeto criou ainda a rede “Amigos do Tartaranhão-caçador”, aberta a qualquer pessoa interessada em acompanhar e apoiar as ações de conservação desta ave.

O projeto LIFE SOS Pygargus é uma iniciativa ibérica financiada pelo programa LIFE da União Europeia e envolve várias organizações científicas e ambientais, incluindo a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves SPEA, a Palombar, o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) ou a Associação BIOPOLIS-CIBIO.

Para os investigadores, cada registo conta. E, neste caso, um simples registo numa aplicação pode ajudar a garantir o futuro de uma das aves de rapina mais ameaçadas da Península Ibérica.


Saiba mais sobre este projeto de conservação e os seus resultados aqui.

Helena Geraldes

Sou jornalista de Natureza na revista Wilder. Escrevo sobre Ambiente e Biodiversidade desde 1998 e trabalhei nas redacções da revista Fórum Ambiente e do jornal PÚBLICO. Neste último estive 13 anos à frente do site de Ambiente deste diário, o Ecosfera. Em 2015 lancei a Wilder, com as minhas colegas jornalistas Inês Sequeira e Joana Bourgard, para dar voz a quem se dedica a proteger ou a estudar a natureza mas também às espécies raras, ameaçadas ou àquelas de que (quase) ninguém fala. Na verdade, isso é algo que quero fazer desde que ainda em criança vi um documentário de vida selvagem que passava aos domingos na televisão e que me fez decidir o rumo que queria seguir. Já lá vão uns anos, portanto. Desde então tenho-me dedicado a escrever sobre linces, morcegos, abutres, peixes mas também sobre conservacionistas e cidadãos apaixonados pela natureza, que querem fazer parte de uma comunidade. Trabalho todos os dias para que a Wilder seja esse lugar no mundo.

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