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Apesar da perda de gelo no Ártico, há ursos polares mais gordos e saudáveis

06.02.2026
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Urso polar, uma das espécies que dependem do gelo do Ártico. Foto: Hans Jurgen Mager/Unsplash

Apesar de ser um local fortemente afetado pelo degelo ligado às alterações climáticas, no arquipélago norueguês de Svalbard os ursos polares estão hoje de melhor saúde que há duas décadas, concluíram os cientistas, que avançam razões para o sucedido.

Os resultados de um estudo sobre as condições de saúde dos ursos polares no Mar de Barents, na região do Ártico, surpreenderam uma equipa internacional de cientistas liderados pelo Instituto Norueguês Polar, que previam que estes grandes mamíferos estariam a sofrer efeitos negativos da perda de habitat.

Os investigadores analisaram e compararam as condições de saúde de centenas de ursos adultos em Svalbard, entre 1995 e 2019. As conclusões, publicadas no final de janeiro na revista Scientific Reports, indicam que apesar da perda de uma quantidade significativa de gelo marinho nesta região do Mar de Barents, nos últimos 30 anos o peso e a saúde destes mamíferos parece estar a melhorar.

“Este é um achado surpreendente”, comentou Jon Aars, primeiro autor do artigo científico. “Se nos tivessem perguntado há 25 anos sobre as consequências de os ursos passarem agora menos dois meses do ano em cima de gelo [devido ao degelo e perda dessa superfície], esperaríamos animais mais magros, menos reprodução e o começo de um declínio populacional”, acrescentou o investigador do Instituto Norueguês Polar.

Mas pelo contrário, os ursos estão agora em melhor situação, o que se percebe pelo aumento das suas reservas de gordura corporal. Estas reservas são importantes, pois nas fêmeas são um sinal de que as crias serão alimentadas com um leite nutritivo e também porque asseguram que estes mamíferos têm energia e ficam protegidos das temperaturas rigosoras.

Mais renas, morsas e focas-comuns

Uma das explicações possíveis para este resultado surpeendente é que estes predadores tenham passado a caçar mais em terra do que nas superfícies de gelo, que estão agora bastante menos disponíveis. Assim, é provável que cacem mais renas e comam mais carcaças de morsas, tal como ovos, aves e focas-comuns, admite a equipa. Os números dessas espécies subiram durante o período de estudo.

Por outro lado, a população de ursos em Svalbard foi fortemente perseguida até 1973, quando passou a estar legalmente protegida. Como resultado, os números cresceram nas décadas seguintes e são agora relativamente estáveis, com 240 a 260 indivíduos, mas ainda assim podem estar abaixo da capacidade de carga do arquipélago.

“Se for esse o caso, poderemos ver um declínio repentino na condição [destes animais] quando a população atingir o que é provavelmente uma capacidade de carga em declínio”, avisam os autores do estudo. Até porque, acrescentam, noutras regiões do Ártico os ursos-polares têm sido afetados pela diminuição de gelo e de habitat, e estão cada vez mais magros.

O mesmo deverá acabar por suceder também em Svalbard, no longo prazo, concluem estes cientistas, que sublinham que é importante continuar a monitorizar as condições da população desta área, que tem vindo a ser avaliada todos os anos desde 1987 através de um programa científico de capturas.

Inês Sequeira

Trabalhei 14 anos na secção de Economia do jornal Público. Juntamente com a Helena Geraldes e a Joana Bourgard, em 2015 ajudei a fundar a Wilder, onde me sinto como “peixe na água”. Escrevo sobre plantas, animais, espécies comuns e raras, ciência, conservação, políticas ambientais e naturalistas. Aprendo e partilho algo novo todos os dias.

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