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Como saber se uma borboleta é diurna ou nocturna

16.05.2019
leitura de 2 minutos
Borboleta-preta-zigzag (Hipparchia fidia). Foto: ®Albano Soares

Se pensa que todas as borboletas nocturnas voam de noite, desengane-se. Afinal, este nem sequer é o termo mais correcto para identificar o maior grupo de insectos lepidópteros, explica a especialista Patrícia Garcia-Pereira.

“A maioria das borboletas nocturnas voam durante a noite, mas muitas voam durante o dia e algumas até são muito coloridas”, explicou à Wilder a presidente do Tagis – Centro de Conservação das Borboletas de Portugal.

Borboleta pequeno-pavão-nocturno (Saturnia pavonia). Foto: Patrick Clement/Wiki Commons

“Mariposas” é aliás o nome que deveríamos chamar às borboletas nocturnas, defende Patrícia Garcia-Pereira, que é também investigadora no cE3c – Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. Mas, avisa, é preciso termos muito cuidado ao falar deste assunto em espanhol: é que nesta língua, “mariposas” significa “borboletas diurnas”.

Por outro lado, o termo “traças” para as nocturnas acaba por ser redutor e com algumas conotações negativas, nota.

Mas qual é a melhor maneira de sabermos a que grupo pertence uma borboleta? Muito simples: “É uma questão de estarmos atentos às antenas.”

“As antenas das borboletas diurnas são sempre do mesmo tipo: terminam numa bolinha e são filiformes (lineares). As das nocturnas são o mais diversas possível – em forma de pente ou filiformes, por exemplo – e não têm bolinha no final”, nota.

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Borboleta diurna almirante-vermelho (Vanessa atalanta). Foto: Kristian Peters / Wiki Commons

A forma das antenas traduz-se aliás no nome dos dois grupos científicos. Rhopalocera, o grupo das borboletas diurnas, significa que têm as antenas (cera) em forma de maça (rhopalo), descreve o catálogo da exposição Insectos em Ordem. Já o grupo Heterocera, das nocturnas, quer dizer que têm antenas (cera) com diferentes formas (hetero).

Para que servem? São muito importantes para o olfacto das borboletas, que assim identificam o perfume das flores, por exemplo, e acredita-se que ajudam algumas espécies a orientarem-se durante as viagens de migração.

Borboleta-colibri (Agrius convolvuli), uma borboleta nocturna que voa de dia. Foto: Charles J. Sharp/Wiki Commons

Outra pista para identificar qual o tipo de borboleta são as asas: as diurnas costumam fechar as asas quando pousam, colocando-as na vertical, o que não acontece para quase todas as espécies do outro grupo.

Mundialmente, estima-se que há entre 160.000 a 175.000 espécies, tanto borboletas diurnas como nocturnas, todas elas agrupadas na ordem dos lepidópteros.

Em Portugal, tal como no resto do mundo, a esmagadora maioria das borboletas são nocturnas, com cerca de 2.600 espécies inventariadas. Já o pequeníssimo grupo das diurnas representa à volta de 135 espécies.

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Aprenda a identificar a pequeno-pavão-nocturno, a grande-pavão-nocturno e a colibri-riscada, três das espécies de borboletas nocturnas identificadas na secção Que Espécie é Esta, da Wilder.

E agora que estão a chegar os dias mais quentes, procure identificar estas cinco espécies de borboletas diurnas que ocorrem em Portugal.

Inês Sequeira

Trabalhei 14 anos na secção de Economia do jornal Público. Juntamente com a Helena Geraldes e a Joana Bourgard, em 2015 ajudei a fundar a Wilder, onde me sinto como “peixe na água”. Escrevo sobre plantas, animais, espécies comuns e raras, ciência, conservação, políticas ambientais e naturalistas. Aprendo e partilho algo novo todos os dias.

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