Cegonha-branca. Foto: Matthias Barby/Wiki Commons

Ciência cidadã: Estamos todos convidados a contar ninhos de cegonha

Até final de Junho, realiza-se o 7º censo nacional dirigido às aves desta espécie que se reproduzem em Portugal, ao mesmo tempo que se realiza o censo mundial. Em 2014, Portugal era dos países com maior população nidificante.

A realização destas contagens, que tiveram início a 15 de março e em Portugal são coordenadas pelo Instituto para a Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), está organizada por cinco regiões do país. Cada uma tem um coordenador, responsável pela gestão das equipas de vigilantes da natureza e de voluntários que participam no censo.

Os dados são recolhidos por concelho do país, com atenção à quantidade de ninhos ocupados e de ninhos vazios, assim como à tipologia do suporte onde aqueles são construídos.

“Os resultados obtidos permitir-nos-ão saber qual a população atual de cegonha-branca em Portugal. Para além disso, ao comparar com os resultados obtidos em censos anteriores, tentaremos perceber como é que a espécie evoluiu nestes últimos 10 anos”, explica o ICNF, numa resposta a perguntas enviadas pela Wilder.

Por outro lado, acrescenta a entidade que tutela a conservação da natureza, como se trata de um censo internacional “iremos ficar a saber qual a importância do nosso país para a conservação da espécie”.

Este censo é também fundamental, segundo o mesmo instituto, “para compreender os fenómenos populacionais e comportamentais da espécie no nosso território, tendo em vista a redução, tanto quanto possível, das situações de conflito nas áreas onde a sua presença é mais acentuada”.

Foto: Paulo Rocha Monteiro

Sabe-se que a cegonha-branca nidifica em 54 países da Europa, Norte de África e Ásia, prevendo-se que o censo mundial aí se realize também no mesmo período. Dentro deste grupo Portugal surge em destaque: os resultados do último censo – realizado em 2014 – mostram que registou nesse ano a quinta maior população de cegonhas, ultrapassado apenas pela Espanha, Polónia, Ucrânia e Bielorrúsia.

De acordo com os dados registados nesse 6º censo nacional, foram detetados 12.309 ninhos de cegonha, incluindo 11.691 ocupados e 618 vazios – o que se traduziu num crescimento de 53% do número de ninhos ocupados face ao censo realizado 20 anos antes, em 1994. 

Censos desde os finais da década de 1950

Desde 1974 que estas contagens se realizam de 10 em 10 anos, mas em Portugal o primeiro censo da espécie realizou-se vários anos antes, quando a cegonha-branca foi a primeira a ser alvo de um recenseamento da população nidificante cobrindo a quase a totalidade do território português. “Foi levado a cabo por Santos Júnior no final da década de 1950, tendo por base a realização de inquéritos. O número de ninhos recenseados foi então de 3490, número considerado por muitos como muito inferior aos que na realidade existiam, tendo em conta todos os constrangimentos que naquela época dificultavam o trabalho de campo, aliados à falta de recursos humanos”, lembra o ICNF.

Mais tarde, entre 1974 e 1977, foi organizado um novo recenseamento nacional tendo também como base a realização de inquéritos, mas com confirmação no terreno. Foram nessa altura contabilizados 1930 ninhos.

Em 1984, e tendo já contado com a colaboração de voluntários ligados a organizações não-governamentais, teve lugar um novo censo nacional, tendo então sido possível obter um nível de cobertura muito significativo, uma vez que foi prospetado todo o território nacional onde havia histórico da sua presença como nidificante ou habitat disponível para a espécie. Em resultado deste trabalho, foram recenseados e registados 1533 ninhos ocupados. 


Agora é a sua vez.

Caso tenha interesse e disponibilidade em participar neste censo, de acordo com o ICNF, deverá contactar os coordenadores regionais da sua área:

  • Direção Regional Conservação da Natureza e das Florestas do Norte
    Carlos Pedro Santos: [email protected]
  • Direção Regional Conservação da Natureza e das Florestas do Centro
    Isa Sofia Teixeira: [email protected]
  • Direção Regional Conservação da Natureza e das Florestas de Lisboa e Vale do Tejo
    Luiz Silva: [email protected]
  • Direção Regional Conservação da Natureza e das Florestas do Alentejo
    Carlos Carrapato: [email protected]
  • Direção Regional Conservação da Natureza e das Florestas do Algarve
    Sérgio Correia: [email protected]

Poderá também contactar os coordenadores nacionais:

Inês Sequeira

Foi com a vontade de decifrar o que me rodeia e de “traduzir” o mundo que me formei como jornalista e que estou, desde 2022, a fazer um mestrado em Comunicação de Ciência pela Universidade Nova. Comecei a trabalhar em 1998 na secção de Economia do jornal Público, onde estive 14 anos. Fui também colaboradora do Jornal de Negócios e da Lusa. Juntamente com a Helena Geraldes e a Joana Bourgard, ajudei em 2015 a fundar a Wilder, onde finalmente me sinto como “peixe na água”. Aqui escrevo sobre plantas, animais, espécies comuns e raras, descobertas científicas, projectos de conservação, políticas ambientais e pessoas apaixonadas por natureza. Aprendo e partilho algo novo todos os dias.