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As formigas podem construir “auto-estradas”?

01.08.2025
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Em Junho, a leitora Rosário Oliveira reparou nuns caminhos deixados por formigas e ficou curiosa. Será que estes animais tão pequenos são capazes de construir “auto-estradas” no solo? Rafael Pinto responde à dúvida naturalista.

“Tenho visto muitas destas “auto-estradas” gigantes em largura em função das formigas, assim como muito extensas. Não sei se é acidente ou se, de facto, as formigas constroem estas vias. Não sei se podem ajudar mas acho muito estranho”, escreveu a leitora à Wilder.

Segundo Rafael Pinto, estudante de Biologia Aplicada da Universidade do Minho, “estas ‘autoestradas’ de formigas que a leitora observou são trilhos que são utilizados por formigas que pertencem ao género Messor. Estas formigas são típicas de ecossistemas mediterrânicos e podem ser facilmente encontradas em Portugal, onde estão representadas por cerca de oito espécies”. 

Rafael Pinto explicou que todas estas espécies de Messor fazem os seus ninhos no solo e têm uma alimentação predominantemente granívora. “É comum observarmos as obreiras destas formigas enquanto procuram sementes, que transportam de volta para o formigueiro. As sementes são armazenadas no ninho em câmaras específicas, que funcionam como reservas de alimento para a colónia”. 

“Embora diferentes espécies apresentem comportamentos de forrageamento distintos, com obreiras que coletam sementes individualmente ou em grupo, várias espécies de Messor podem formar trilhos longos e bem definidos entre uma entrada do ninho até a uma fonte de alimento, tal como os trilhos que podemos observar nas fotografias da leitora.”

Estes trilhos podem ser impressionantes.

“Uma das espécies mais comuns e estudadas na Península Ibérica, Messor barbarus (também conhecida como formiga-do-pão ou formiga-carrilheira), pode formar trilhos com até 30 metros de comprimento e entre 10 a 20 centímetros de largura”, lembrou Rafael Pinto.

“Além de serem impressionantes pela sua extensão, estes trilhos são ativamente construídos e mantidos pelas formigas, uma vez que as obreiras removem detritos, vegetação e outros obstáculos do trilho para facilitar o transporte das sementes.”

Rafael Pinto acrescentou que “o formato, a extensão e as ramificações dos trilhos podem variar consoante a colónia, ao longo do tempo, ou conforme a disponibilidade de recursos nas imediações do ninho e a presença de colónias vizinhas”.

“As Messor barbarus utilizam muitos destes trilhos de forma permanente, o que os torna facilmente visíveis no solo, mesmo em momentos em que as formigas não se encontram ativas, como durante o inverno.”


Conheça estas quatro espécies comuns de formigas em Portugal.

Saiba quantas espécies de formigas existem em Portugal.

Helena Geraldes

Sou jornalista de Natureza na revista Wilder. Escrevo sobre Ambiente e Biodiversidade desde 1998 e trabalhei nas redacções da revista Fórum Ambiente e do jornal PÚBLICO. Neste último estive 13 anos à frente do site de Ambiente deste diário, o Ecosfera. Em 2015 lancei a Wilder, com as minhas colegas jornalistas Inês Sequeira e Joana Bourgard, para dar voz a quem se dedica a proteger ou a estudar a natureza mas também às espécies raras, ameaçadas ou àquelas de que (quase) ninguém fala. Na verdade, isso é algo que quero fazer desde que ainda em criança vi um documentário de vida selvagem que passava aos domingos na televisão e que me fez decidir o rumo que queria seguir. Já lá vão uns anos, portanto. Desde então tenho-me dedicado a escrever sobre linces, morcegos, abutres, peixes mas também sobre conservacionistas e cidadãos apaixonados pela natureza, que querem fazer parte de uma comunidade. Trabalho todos os dias para que a Wilder seja esse lugar no mundo.

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