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Quebra-ossos morre envenenado na Cantábria

23.01.2026
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Quebra-ossos. Foto: Francesco Veronesi/Wiki Commons

O quebra-ossos Centenario, que foi libertado nos Picos da Europa em 2017, foi encontrado morto por envenenamento na Cantábria, revelou a Fundação para a Conservação do Quebra-Ossos nesta quarta-feira.

Os técnicos da fundação localizaram, a 18 de janeiro, o corpo sem vida do quebra-ossos, que fazia parte da população dos Picos de Europa, durante os trabalhos habituais de monitorização de exemplares marcados, depois de o emissor satélite ter apresentado localizações anómalas compatíveis com um possível problema.

A necropsia realizada depois pelo Centro de Recuperação de Fauna Silvestre da Cantábria confirmou que a causa da morte foi envenenamento.

Nos dias seguintes, foram organizadas buscas na área onde ocorreu o envenenamento, para tentar localizar possíveis iscos, resíduos tóxicos ou outros indícios que permitam esclarecer os factos e evitar novos episódios.

Este é, segundo a Fundação, “um grave atentado ambiental” contra uma espécie que, segundo o Código Penal espanhol, pode implicar penas de prisão entre seis meses e dois anos, além de multas entre 50.000 e 200.000 euros, que podem atingir os 600.000 euros em casos muito graves.

O quebra-ossos (Gypaetus barbatus) é a espécie de abutre mais ameaçada da Europa e é alvo de vários projetos de conservação em curso pela Europa.

Centenario era um macho cedido pelo Governo de Aragão e foi reintroduzido no Parque Nacional dos Picos da Europa em julho de 2017, no âmbito do programa de recuperação da espécie naquela área.

A sua libertação integrou o projeto LIFE Pro Quebrantahuesos, desenvolvido entre os Pirenéus e os Picos da Europa.

A sua morte é “um duro golpe para a recuperação da espécie”, segundo a Fundação.

Centenário formava parte do primeiro núcleo reprodutor estabelecido na Cantábria, depois do desaparecimento da espécie na região há cerca de 70 anos.” Para a Fundação, “a sua morte é um revés significativo, já que acontece em plena época reprodutora, reduzindo de forma drástica as possibilidades de que a reprodução possa ocorrer”.

Além disso, lembra que esta é uma espécie classificada como Em Perigo de extinção e que figura na lista de espécies ameaçadas de Espanha.

Na semana passada, soubemos que as autoridades portuguesas estão a investigar a morte de, pelo menos, 17 milhafres-reais (Milvus milvus) em Leomil, concelho de Almeida (distrito da Guarda), com suspeitas de envenenamento. A população reprodutora desta espécie em Portugal está Criticamente Em Perigo.

Helena Geraldes

Sou jornalista de Natureza na revista Wilder. Escrevo sobre Ambiente e Biodiversidade desde 1998 e trabalhei nas redacções da revista Fórum Ambiente e do jornal PÚBLICO. Neste último estive 13 anos à frente do site de Ambiente deste diário, o Ecosfera. Em 2015 lancei a Wilder, com as minhas colegas jornalistas Inês Sequeira e Joana Bourgard, para dar voz a quem se dedica a proteger ou a estudar a natureza mas também às espécies raras, ameaçadas ou àquelas de que (quase) ninguém fala. Na verdade, isso é algo que quero fazer desde que ainda em criança vi um documentário de vida selvagem que passava aos domingos na televisão e que me fez decidir o rumo que queria seguir. Já lá vão uns anos, portanto. Desde então tenho-me dedicado a escrever sobre linces, morcegos, abutres, peixes mas também sobre conservacionistas e cidadãos apaixonados pela natureza, que querem fazer parte de uma comunidade. Trabalho todos os dias para que a Wilder seja esse lugar no mundo.

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