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Picos da Europa: Anunciado nascimento de dois quebra-ossos na natureza

09.04.2026
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Quebra-ossos. Foto: Francesco Veronesi/Wiki Commons

Este abutre emblemático tem vindo lentamente a recuperar a sua presença em várias regiões da Europa, com a ajuda de programas de reintrodução e conservação.

A Fundação para a Conservação do Quebra-ossos (FCQ) anunciou esta semana o nascimento de mais duas crias desta espécie na natureza, no Parque Nacional dos Picos da Europa, sublinhando que se trata de “um marco” na estratégia de recuperação da espécie nesta área protegida do norte de Espanha. Uma das aves nasceu na zona das Astúrias e a outra na Cantábria, no âmbito do projeto LIFE Pro Quebrantahuesos, coordenado pela FCQ e co-financiado pela União Europeia.

O quebra-ossos (Gypaetus barbatus) é conhecido por ser o único abutre da Europa que se alimenta dos restos de ossos de animais de gado e ungulados selvagens, quebrando-os e comendo a medula que está no interior.

Depois de uma forte regressão da área histórica ao longo do século XX, a maior população da União Europeia vive nas montanhas dos Pirineos, na fronteira entre Espanha e França. Entretanto a presença da espécie tem-se vindo a estender para outras regiões espanholas e também da Europa, graças a vários projetos de reintrodução nas últimas décadas.

Na área dos Picos da Europa, onde o quebra-ossos se extinguiu em meados do século XX, a FCQ tem apostado num programa de resgate de ovos que não sobreviveriam na natureza, criando depois as crias em cativeiro. Muitos desses ovos são provenientes da população dos Pirineus, com o objetivo de diversificar e gerir geneticamente a população, explica o projeto. Atualmente, na Cordilheira Cantábrica, onde se situa esta área protegida espanhola, habitam 40 quebra-ossos e cinco casais reprodutores.

No entanto, as ameaças à espécie continuam muito presentes, sublinha a equipa do projeto, que recorda duas mortes bastante recentes: o envenenamento do quebra-ossos Centenario, em janeiro de 2026, e a eletrocussão de uma fêmea juvenil, Rona, anunciada há uma semana. “Estes episódios evidenciam a continuação de fatores de mortalidade não natural, como o uso ilegal de venenos e os riscos associados a infraestruturas elétricas, que continuam a comprometer a viabilidade a longo prazo desta população.”

Em dezembro passado, foi anunciado um “feito histórico” com o nascimento e voo na natureza da primeira cria da espécie na Cantábria, desde a sua extinção nesta região há cerca de 100 anos. Foi a primeira vez que se completou com sucesso esta primeira etapa de vida, desde a postura ao crescimento com sucesso. O jovem quebra-ossos, cujos progenitores são provenientes dos Pirineos, foi batizado de Candela.

Em Portugal, onde o quebra-ossos estava presente já há milhares de anos, a espécie encontra-se extinta pelo menos desde o final do século XIX. O último registo mais preciso de ocorrência é de 1888, quando duas aves foram abatidas no rio Guadiana. Os exemplares estão hoje no Museu de Zoologia da Universidade de Coimbra.

Inês Sequeira

Trabalhei 14 anos na secção de Economia do jornal Público. Juntamente com a Helena Geraldes e a Joana Bourgard, em 2015 ajudei a fundar a Wilder, onde me sinto como “peixe na água”. Escrevo sobre plantas, animais, espécies comuns e raras, ciência, conservação, políticas ambientais e naturalistas. Aprendo e partilho algo novo todos os dias.

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