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Oitenta voluntários ajudam a recuperar habitat do lobo-ibérico em Montalegre

04.03.2026
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lobo ibérico
Foto: Joana Bourgard

A plantação de 300 árvores e arbustos como teixos, azereiros e pinheiros-silvestres e a criação de pequenas charcas foi o resultado de um dia de trabalho, a 28 de fevereiro, para restaurar o habitat do lobo-ibérico junto ao Mosteiro de Santa Maria de Pitões das Júnias, Montalegre.

Mais de 80 voluntários participara, nesta iniciativa promovida pelo projeto europeu LIFE WILD WOLF, em parceria com a Associação Amigos da Montanha, a Junta de Freguesia de Pitões das Júnias, a Associação dos Baldios do Parque Nacional da Peneda-Gerês e a sua equipa de sapadores florestais, o BIOPOLIS/CIBIO (Universidade do Porto), elementos da equipa do Corpo Nacional de Agentes Florestais, sediada no concelho de Montalegre, o Município de Montalegre e o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).

Os participantes plantaram 300 árvores e arbustos de dez espécies autóctones, todas de origem local. Entre elas destacam-se espécies raras e sensíveis como o teixo, o azereiro e o pinheiro-silvestre, “um contributo decisivo para reforçar a biodiversidade e restaurar o equilíbrio ecológico da área”, segundo um comunicado do LIFE WILD WOLF.

Além da plantação, foram ainda criadas pequenas charcas, fundamentais para atrair a fauna e promover a diversidade biológica.

Estas ações têm um objetivo central “melhorar o habitat das presas naturais do lobo-ibérico, como o corço e o veado, reforçando as condições para a convivência secular entre esta espécie e as comunidades locais”.

Para o presidente da direção dos Amigos da Montanha, Américo Alves, esta iniciativa “reforça o papel ativo da associação na conservação da natureza, demonstrando que o envolvimento comunitário é determinante para promover soluções concretas de restauro ecológico.”

A ação, inicialmente prevista para o início de fevereiro, tinha sido adiada devido às tempestades que marcaram as últimas semanas, garantindo agora condições de segurança e eficácia para os trabalhos no terreno.

Os Amigos da Montanha têm já planeada a próxima ação de restauro, desta feita em Paredes de Coura, a 28 de março.

O projeto LIFE WILD WOLF , que tem uma duração de quatro anos e meio e 18 parceiros, está a decorrer desde janeiro de 2023 em Portugal, Croácia, República Checa, Alemanha, Grécia, Itália, Eslovénia e Suécia. O principal objectivo é reduzir as situações problemáticas que podem surgir em zonas de lobo e ajudar a mitigar conflitos entre humanos e lobos.

Em Portugal, o projeto desenvolve-se na região noroeste, mais concretamente nos distritos de Viana do Castelo e Braga, concelho de Montalegre. É coordenado pelo BIOPOLIS – CIBIO e tem como parceiros o Município de Paredes de Coura e a GNR.

Por exemplo, em Portugal está a ser feita a recuperação de habitats para melhorar a disponibilidade de ungulados selvagens. A meta é aumentar a abundância de presas, especialmente de corço, em pelo menos 20%.

Helena Geraldes

Sou jornalista de Natureza na revista Wilder. Escrevo sobre Ambiente e Biodiversidade desde 1998 e trabalhei nas redacções da revista Fórum Ambiente e do jornal PÚBLICO. Neste último estive 13 anos à frente do site de Ambiente deste diário, o Ecosfera. Em 2015 lancei a Wilder, com as minhas colegas jornalistas Inês Sequeira e Joana Bourgard, para dar voz a quem se dedica a proteger ou a estudar a natureza mas também às espécies raras, ameaçadas ou àquelas de que (quase) ninguém fala. Na verdade, isso é algo que quero fazer desde que ainda em criança vi um documentário de vida selvagem que passava aos domingos na televisão e que me fez decidir o rumo que queria seguir. Já lá vão uns anos, portanto. Desde então tenho-me dedicado a escrever sobre linces, morcegos, abutres, peixes mas também sobre conservacionistas e cidadãos apaixonados pela natureza, que querem fazer parte de uma comunidade. Trabalho todos os dias para que a Wilder seja esse lugar no mundo.

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