A plantação de 300 árvores e arbustos como teixos, azereiros e pinheiros-silvestres e a criação de pequenas charcas foi o resultado de um dia de trabalho, a 28 de fevereiro, para restaurar o habitat do lobo-ibérico junto ao Mosteiro de Santa Maria de Pitões das Júnias, Montalegre.
Mais de 80 voluntários participara, nesta iniciativa promovida pelo projeto europeu LIFE WILD WOLF, em parceria com a Associação Amigos da Montanha, a Junta de Freguesia de Pitões das Júnias, a Associação dos Baldios do Parque Nacional da Peneda-Gerês e a sua equipa de sapadores florestais, o BIOPOLIS/CIBIO (Universidade do Porto), elementos da equipa do Corpo Nacional de Agentes Florestais, sediada no concelho de Montalegre, o Município de Montalegre e o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).
Os participantes plantaram 300 árvores e arbustos de dez espécies autóctones, todas de origem local. Entre elas destacam-se espécies raras e sensíveis como o teixo, o azereiro e o pinheiro-silvestre, “um contributo decisivo para reforçar a biodiversidade e restaurar o equilíbrio ecológico da área”, segundo um comunicado do LIFE WILD WOLF.
Além da plantação, foram ainda criadas pequenas charcas, fundamentais para atrair a fauna e promover a diversidade biológica.
Estas ações têm um objetivo central “melhorar o habitat das presas naturais do lobo-ibérico, como o corço e o veado, reforçando as condições para a convivência secular entre esta espécie e as comunidades locais”.
Para o presidente da direção dos Amigos da Montanha, Américo Alves, esta iniciativa “reforça o papel ativo da associação na conservação da natureza, demonstrando que o envolvimento comunitário é determinante para promover soluções concretas de restauro ecológico.”
A ação, inicialmente prevista para o início de fevereiro, tinha sido adiada devido às tempestades que marcaram as últimas semanas, garantindo agora condições de segurança e eficácia para os trabalhos no terreno.
Os Amigos da Montanha têm já planeada a próxima ação de restauro, desta feita em Paredes de Coura, a 28 de março.
O projeto LIFE WILD WOLF , que tem uma duração de quatro anos e meio e 18 parceiros, está a decorrer desde janeiro de 2023 em Portugal, Croácia, República Checa, Alemanha, Grécia, Itália, Eslovénia e Suécia. O principal objectivo é reduzir as situações problemáticas que podem surgir em zonas de lobo e ajudar a mitigar conflitos entre humanos e lobos.
Em Portugal, o projeto desenvolve-se na região noroeste, mais concretamente nos distritos de Viana do Castelo e Braga, concelho de Montalegre. É coordenado pelo BIOPOLIS – CIBIO e tem como parceiros o Município de Paredes de Coura e a GNR.
Por exemplo, em Portugal está a ser feita a recuperação de habitats para melhorar a disponibilidade de ungulados selvagens. A meta é aumentar a abundância de presas, especialmente de corço, em pelo menos 20%.