PUB

Nasce pela primeira vez uma ninhada de lince-ibérico no Parque Nacional de Cabañeros

05.05.2026
leitura de 1 minuto
Crias de lince-ibérico. Foto: Programa de Conservação Ex-situ/Arquivo

Pela primeira vez desde a sua criação, há 30 anos, o Parque Nacional de Cabañeros, em Castela-La Mancha, registou o nascimento de uma ninhada de lince-ibérico (Lynx pardinus), algo considerado um marco relevante para a conservação de uma das espécies mais ameaçadas do mundo.

As duas crias são descendentes de Uvita e de U2, um casal integrado no âmbito do programa de reintrodução da espécie.

Uvita, nascida em 2023, foi capturada em setembro de 2024 na Serra Morena e transferida posteriormente para Cabañeros, após um período de quarentena e avaliação sanitária.

U2 foi criado em cativeiro, depois de a mãe ter morrido atropelada, tendo passado pelo centro de reprodução de La Olivilla, em Jaén.

Os dois animais foram libertados em 2024, após períodos de adaptação em cercados de pré-soltura. Nos meses seguintes, o acompanhamento por parte das equipas técnicas permitiu confirmar interações entre os dois linces, embora sem reprodução no primeiro ciclo.

Segundo um comunicado do Ministério do Ambiente de Espanha (Miteco), o nascimento agora registado indica que o casal se estabeleceu com sucesso no território e conseguiu reproduzir-se em condições naturais, um passo essencial para a criação de uma população auto-sustentável.

O sucesso desta reprodução está diretamente ligado à disponibilidade de coelho-bravo (Oryctolagus cuniculus), a principal presa do lince-ibérico. Na verdade, em Cabañeros têm sido desenvolvidas há décadas medidas para recuperar as populações desta espécie, incluindo a instalação de abrigos artificiais, melhoria do habitat e reforços populacionais.

Estas intervenções, muitas delas apoiadas por projetos europeus LIFE, visam restabelecer as cadeias tróficas do ecossistema mediterrânico. Além do lince-ibérico, beneficiam também espécies como a águia-imperial-ibérica (Aquila adalberti), a águia-real (Aquila chrysaetos) e o gato-bravo (Felis silvestris).

Para os responsáveis pelo programa, o nascimento desta ninhada é mais do que um sucesso pontual: é um sinal de que os processos ecológicos essenciais estão a ser restabelecidos e de que o Parque Nacional pode vir a integrar de forma sustentada a rede de áreas de distribuição do lince-ibérico.

“A recuperação desta espécie emblemática continua, assim, a depender de uma combinação de gestão adaptativa, conhecimento científico e cooperação entre entidades públicas e organizações de conservação”, segundo o Miteco.

Helena Geraldes

Sou jornalista de Natureza na revista Wilder. Escrevo sobre Ambiente e Biodiversidade desde 1998 e trabalhei nas redacções da revista Fórum Ambiente e do jornal PÚBLICO. Neste último estive 13 anos à frente do site de Ambiente deste diário, o Ecosfera. Em 2015 lancei a Wilder, com as minhas colegas jornalistas Inês Sequeira e Joana Bourgard, para dar voz a quem se dedica a proteger ou a estudar a natureza mas também às espécies raras, ameaçadas ou àquelas de que (quase) ninguém fala. Na verdade, isso é algo que quero fazer desde que ainda em criança vi um documentário de vida selvagem que passava aos domingos na televisão e que me fez decidir o rumo que queria seguir. Já lá vão uns anos, portanto. Desde então tenho-me dedicado a escrever sobre linces, morcegos, abutres, peixes mas também sobre conservacionistas e cidadãos apaixonados pela natureza, que querem fazer parte de uma comunidade. Trabalho todos os dias para que a Wilder seja esse lugar no mundo.

Não perca