Pela primeira vez desde a sua criação, há 30 anos, o Parque Nacional de Cabañeros, em Castela-La Mancha, registou o nascimento de uma ninhada de lince-ibérico (Lynx pardinus), algo considerado um marco relevante para a conservação de uma das espécies mais ameaçadas do mundo.
As duas crias são descendentes de Uvita e de U2, um casal integrado no âmbito do programa de reintrodução da espécie.
Uvita, nascida em 2023, foi capturada em setembro de 2024 na Serra Morena e transferida posteriormente para Cabañeros, após um período de quarentena e avaliação sanitária.
Já U2 foi criado em cativeiro, depois de a mãe ter morrido atropelada, tendo passado pelo centro de reprodução de La Olivilla, em Jaén.
Os dois animais foram libertados em 2024, após períodos de adaptação em cercados de pré-soltura. Nos meses seguintes, o acompanhamento por parte das equipas técnicas permitiu confirmar interações entre os dois linces, embora sem reprodução no primeiro ciclo.
Segundo um comunicado do Ministério do Ambiente de Espanha (Miteco), o nascimento agora registado indica que o casal se estabeleceu com sucesso no território e conseguiu reproduzir-se em condições naturais, um passo essencial para a criação de uma população auto-sustentável.
O sucesso desta reprodução está diretamente ligado à disponibilidade de coelho-bravo (Oryctolagus cuniculus), a principal presa do lince-ibérico. Na verdade, em Cabañeros têm sido desenvolvidas há décadas medidas para recuperar as populações desta espécie, incluindo a instalação de abrigos artificiais, melhoria do habitat e reforços populacionais.
Estas intervenções, muitas delas apoiadas por projetos europeus LIFE, visam restabelecer as cadeias tróficas do ecossistema mediterrânico. Além do lince-ibérico, beneficiam também espécies como a águia-imperial-ibérica (Aquila adalberti), a águia-real (Aquila chrysaetos) e o gato-bravo (Felis silvestris).
Para os responsáveis pelo programa, o nascimento desta ninhada é mais do que um sucesso pontual: é um sinal de que os processos ecológicos essenciais estão a ser restabelecidos e de que o Parque Nacional pode vir a integrar de forma sustentada a rede de áreas de distribuição do lince-ibérico.
“A recuperação desta espécie emblemática continua, assim, a depender de uma combinação de gestão adaptativa, conhecimento científico e cooperação entre entidades públicas e organizações de conservação”, segundo o Miteco.