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Mau tempo causa arrojamento de 80 aves marinhas nos Açores

06.02.2026
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Torda-anã. Foto: Nuno Gonçalves/SRMP

A Secretaria Regional do Mar e das Pescas dos Açores está a acompanhar de perto o arrojamento de aves marinhas por causa do mau tempo, depois de ter registado mais de 80 arrojamentos de tordas-anãs (Alle alle), uma espécie que, em condições normais raramente é observada em terra.

Nos últimos dias, as autoridades açorianas têm registado a ocorrência de aves marinhas arrojadas em várias ilhas do arquipélago, devido às condições meteorológicas adversas. A situação está a ser acompanhada de perto pela Secretaria Regional do Mar e das Pescas, através da Direção Regional de Políticas Marítimas (DRPM), autoridade ambiental para o meio marinho na Região.

“Até à presente data, foram registados mais de 80 arrojamentos de tordas-anãs (Alle alle), uma espécie que, apesar de invernar em águas açorianas, em condições normais raramente é observada em terra”, escreve a Secretaria Regional em comunicado. “Estes episódios associam-se geralmente a períodos de mau tempo, estando igualmente documentado noutras regiões do Atlântico Norte.”

Até ao momento, foram contabilizados sete exemplares na ilha das Flores, nove na ilha Graciosa, 55 no Faial, 16 no Pico e duas na ilha Terceira. A maioria das aves encontrava-se já morta ou em estado moribundo, apresentando, nesse caso, sinais de exaustão extrema e desorientação, sem capacidade para regressar ao mar.

Das ocorrências registadas, cinco aves foram avaliadas e alvo de cuidados veterinários, com intervenção do CERAS (Centro de Recuperação de Aves Selvagens) do Pico e do médico veterinário da Câmara Municipal de Lajes das Flores e do Serviço de Desenvolvimento Agrário da mesma ilha, tendo sido possível a recuperação e libertação de um exemplar na ilha das Flores.

O registo destas ocorrências está a ser feito por vigilantes da natureza dos Serviços de Ambiente e Ação Climática, observadores de aves, organizações não governamentais e delegados de ilha da Secretaria Regional do Mar e das Pescas.

Se encontrar uma ave marinha arrojada não lhe deve tocar ou tentar recolher. Se ainda estiver viva, evite um contacto para não causar stress adicional. Deve comunicar prontamente a ocorrência às autoridades ambientais ou aos serviços competentes da respetiva ilha, através da linha SOS Ambiente (+351 800 292 800).

“O acompanhamento e a monitorização sistemática de episódios como este, por parte das autoridades, é fundamental para a avaliação do impacto de eventos meteorológicos extremos na biodiversidade marinha, contribuindo assim para a melhor gestão e conservação dos ecossistemas dos Açores.”

Helena Geraldes

Sou jornalista de Natureza na revista Wilder. Escrevo sobre Ambiente e Biodiversidade desde 1998 e trabalhei nas redacções da revista Fórum Ambiente e do jornal PÚBLICO. Neste último estive 13 anos à frente do site de Ambiente deste diário, o Ecosfera. Em 2015 lancei a Wilder, com as minhas colegas jornalistas Inês Sequeira e Joana Bourgard, para dar voz a quem se dedica a proteger ou a estudar a natureza mas também às espécies raras, ameaçadas ou àquelas de que (quase) ninguém fala. Na verdade, isso é algo que quero fazer desde que ainda em criança vi um documentário de vida selvagem que passava aos domingos na televisão e que me fez decidir o rumo que queria seguir. Já lá vão uns anos, portanto. Desde então tenho-me dedicado a escrever sobre linces, morcegos, abutres, peixes mas também sobre conservacionistas e cidadãos apaixonados pela natureza, que querem fazer parte de uma comunidade. Trabalho todos os dias para que a Wilder seja esse lugar no mundo.

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