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Seis aves marinhas para ver no verão

31.07.2026
leitura de 2 minutos
Cagarra (Calonectris diomedea) Foto: Marcabrera/WikiCommons

Em Portugal ocorrem 76 espécies de aves marinhas e costeiras, de forma regular. Nuno Oliveira, coordenador do “Sentinelas do Oceano” na SPEA-BirdLife, sugere seis espécies que pode ver mais facilmente no verão. E explica o que estão a fazer.

É durante o verão que muitos de nós se dirigem até às praias de norte a sul, à procura de frescura, sol e (algum) descanso.

Mas não somos os únicos a utilizar o oceano que banha Portugal. Centenas de aves marinhas e costeiras partilham este espaço connosco.

Perguntámos a Nuno Oliveira, de uma forma geral, o que estão as aves marinhas a fazer nesta altura do ano nas águas portuguesas?

“Com um grupo tão variado de espécies, podemos dizer que cada uma está a usar as nossas águas de forma extraordinária”, respondeu à Wilder este ornitólogo da Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA-Birdlife).

E deu alguns exemplos de espécies que podemos tentar procurar.

Neste momento, “a cagarra está a alimentar as crias quer esteja nos Açores, na Madeira ou no continente”. “As crias acabaram de eclodir e neste momento os progenitores alimentam-nas diariamente, o que quer dizer que não se afastam muito das colónias de reprodução para se alimentarem.”

Por seu lado, “os novos juvenis de galheta, no continente, acabaram recentemente de deixar as zonas de reprodução e estão a explorar os mares em redor. Os progenitores também estão mais livres para se alimentarem e se começarem a preparar para a época de reprodução seguinte”.

“Por esta altura, a gaivota-d’asa-escura começa a chegar em maior número à zona costeira do continente, oriunda das suas colónias no centro-norte europeu (como Reino Unido, França, Alemanha, Holanda e Bélgica). O número irá aumentar ao longo do verão, aqui onde se encontra uma das mais importantes áreas de invernada para a espécie.”

E a freira-do-bugio, endémica do arquipélago da Madeira, “acabou praticamente de por o seu único ovo e iniciar assim mais uma época de reprodução”.

“O pintainho também terminou a sua época de reprodução. Adultos e juvenis vagueiam agora pelas águas da Madeira, Açores e continente.”

Por fim, a pardela-balear, a espécie de ave marinha mais ameaçada da Europa, está neste momento a “utilizar intensamente as águas costeiras entre Aveiro e a Nazaré, onde a grande maioria da sua população (mais de 90%) se alimenta e descansa nesta altura do ano”.

“A maioria das espécies passa grande parte do seu ciclo de vida afastadas de costa”, alertou.

Mesmo assim, há alturas do ano em que podemos observar uma diversidade muito interessante de aves marinhas.

“Entre setembro e novembro, os nossos cabos e promontórios são locais de excelência para observar aves marinhas.”

Por exemplo, no continente, “locais como os cabos Mondego, Carvoeiro, Raso, Espichel e de São Vicente, permitem-nos observar largas centenas ou mesmo milhares de aves nesta altura, de um grande número de espécies”.

“Nos Açores e na Madeira, são as espécies nidificantes ou as limícolas costeiras que costumam atrair um maior número de aficionados. Mas podemos tentar a nossa sorte nalguns promontórios bem conhecidos pelos observadores experientes, como por exemplo, Porto Moniz na ilha da Madeira ou o Farol do Arnel em São Miguel.”

Mas, de facto, “é no mar que estas espécies nos permitem deslumbrar o que de melhor oferecem. Neste caso, existem vários operadores turísticos que disponibilizam viagens para observação de aves marinhas em qualquer uma das três regiões”. 


Conheça aqui as melhores colónias de aves marinhas para visitar na primavera.

Helena Geraldes

Sou jornalista de Natureza na revista Wilder. Escrevo sobre Ambiente e Biodiversidade desde 1998 e trabalhei nas redacções da revista Fórum Ambiente e do jornal PÚBLICO. Neste último estive 13 anos à frente do site de Ambiente deste diário, o Ecosfera. Em 2015 lancei a Wilder, com as minhas colegas jornalistas Inês Sequeira e Joana Bourgard, para dar voz a quem se dedica a proteger ou a estudar a natureza mas também às espécies raras, ameaçadas ou àquelas de que (quase) ninguém fala. Na verdade, isso é algo que quero fazer desde que ainda em criança vi um documentário de vida selvagem que passava aos domingos na televisão e que me fez decidir o rumo que queria seguir. Já lá vão uns anos, portanto. Desde então tenho-me dedicado a escrever sobre linces, morcegos, abutres, peixes mas também sobre conservacionistas e cidadãos apaixonados pela natureza, que querem fazer parte de uma comunidade. Trabalho todos os dias para que a Wilder seja esse lugar no mundo.

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