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Lince-ibérico vai começar a ser reintroduzido em Aragão em março

20.02.2026
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O lince Walabi foi reintroduzido em Doñana a 17 de fevereiro. Foto: Junta da Andaluzia

Já começaram os trabalhos para a construção de um cercado de aclimatação para receber os linces Waka e Winx, em Torrecilla de Valmadrid, em Aragão. Doñana recebeu esta semana um lince nascido em Silves, Walabi.

Será já em março que esta comunidade autonómica espanhola se vai juntar à lista dos territórios ocupados por este felino emblemático e ameaçado. Os últimos registos de lince nesta região espanhola são dos anos 80 do século passado.

Segundo a agência de notícias espanhola EFE, os primeiros dois linces (Lynx pardinus) a chegar, Waka e Winx, são provenientes do Centro de reprodução em cativeiro El Acebuche, em Doñana, na Andaluzia.

Ambos vão permanecer cerca de um mês naquele cercado de aclimatação, com 18 mil metros quadrados, antes da sua libertação definitiva na natureza. Este processo é chamado de solta branda e foi usado também, por exemplo, com os primeiros linces soltos em Portugal, Katmandú e Jacarandá, a 16 de dezembro de 2014 no Vale do Guadiana. 

De momento, as autoridades tencionam libertar oito linces em Aragão, quatro machos e quatro fêmeas.

Walabi, de Silves para Doñana

Também em solta branda, esta terça-feira, dia 17 de fevereiro, foi libertado um lince, chamado Walabi, num cercado na herdade de Las Marismillas, Andaluzia, – propriedade do Ministério espanhol para a Transição Ecológica e Desafio Demográfico – para reforçar a população de Doñana. Este lince com um ano de idade é um macho que veio do Centro Nacional de Reprodução do Lince Ibérico, em Silves.

Segundo a Junta da Andaluzia, Walabi “pertence a uma linhagem genética de alto valor, o que reforça o objetivo de melhoria e diversificação genética da população de Doñana-Aljarafe, uma das sub-populações históricas da espécie”.

Walabi foi equipado com um colar de seguimento que permitirá monitorizar as suas deslocações, comportamento e integração no território. O lince vai permanecer no cercado durante várias semanas antes da sua libertação definitiva.

O lince-ibérico vive hoje uma fase de consolidação, depois de mais de duas décadas de recuperação, graças a projetos sucessivos de conservação. Estima-se que existam hoje na Península Ibérica, pelo menos, 2401 linces, 354 dos quais em Portugal.

Para isto tem sido crucial o papel dos centros de recuperação dedicados a esta espécie emblemática, um dos quais em Portugal. Em 2025 conseguiram um total de 62 crias, 48 das quais sobreviveram e serão libertadas este ano.

Segundo as contas da EFE, desde 2005 nasceram em cativeiro mais de 800 crias e dessas mais de 400 já foram reintroduzidas na natureza.

Neste momento, o lince-ibérico continua numa das três categorias de ameaça definidas pela Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), ainda que esteja na mais baixa, Vulnerável.

Helena Geraldes

Sou jornalista de Natureza na revista Wilder. Escrevo sobre Ambiente e Biodiversidade desde 1998 e trabalhei nas redacções da revista Fórum Ambiente e do jornal PÚBLICO. Neste último estive 13 anos à frente do site de Ambiente deste diário, o Ecosfera. Em 2015 lancei a Wilder, com as minhas colegas jornalistas Inês Sequeira e Joana Bourgard, para dar voz a quem se dedica a proteger ou a estudar a natureza mas também às espécies raras, ameaçadas ou àquelas de que (quase) ninguém fala. Na verdade, isso é algo que quero fazer desde que ainda em criança vi um documentário de vida selvagem que passava aos domingos na televisão e que me fez decidir o rumo que queria seguir. Já lá vão uns anos, portanto. Desde então tenho-me dedicado a escrever sobre linces, morcegos, abutres, peixes mas também sobre conservacionistas e cidadãos apaixonados pela natureza, que querem fazer parte de uma comunidade. Trabalho todos os dias para que a Wilder seja esse lugar no mundo.

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