De 2 a 8 de outubro, terá lugar a primeira grande campanha científica de monitorização do Parque Natural Marinho do Recife do Algarve – Pedra do Valado, coordenada pelo CCMAR a bordo do navio Santa Maria Manuela.
Entre os dias 2 e 7 de outubro, o navio histórico Santa Maria Manuela estará fundeado na Baía de Armação de Pêra para as equipas fazerem a monitorização científica do Recife do Algarve.
Esta expedição dá continuidade ao trabalho feito nesta área protegida, criada em janeiro de 2024 e com cerca de 156 quilómetros quadrados ao longo da costa de Albufeira, Lagoa e Silves. É ali que se encontra um dos maiores recifes naturais costeiros de Portugal, com 156 quilómetros quadrados de área.
Os maiores objetivos desta expedição são “gerar informação atualizada para orientar os próximos passos da conservação e devolver à comunidade um plano de gestão eficiente e concertado”, segundo um comunicado do CCMAR (Centro de Ciências do Mar do Algarve).
A missão envolve uma equipa multidisciplinar de investigadores, peritos em ecologia marinha, pescas, biodiversidade, oceanografia, tecnologia marinha e literacia dos oceanos.
Entre as atividades previstas estão o mapeamento de habitats prioritários – como gorgónias, pradarias marinhas, jardins de corais e bancos de algas calcárias (Maerl) -, a monitorização ambiental com recurso a câmaras subaquáticas, eDNA, acústica, observação de aves e mamíferos marinhos; e a utilização de plataformas tecnológicas como ROV (Veículos Operados Remotamente), AUV (Veículos Subaquáticos Autónomos), drones e mergulho científico.
Os dados recolhidos vão apoiar a elaboração do plano de gestão do Parque, avaliar as mudanças na biodiversidade e nos usos humanos um ano após a sua criação e consolidar o modelo de gestão comunitária pioneiro em Portugal. Isto porque é a primeira Área Marinha Protegida de Interesse Comunitário (AMPIC) em Portugal.
Desde 2018, o CCMAR, a Fundação Oceano Azul, o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) e os municípios de Albufeira, Lagoa e Silves, têm liderado o processo de criação da área protegida, promovendo a recolha de informação científica e a participação ativa de pescadores, autarquias, associações locais e cidadãos. Pela primeira vez no país, uma área marinha protegida foi construída com base num modelo de gestão colaborativa que integra utilizadores, gestores e comunidade.
“Queremos reforçar que o Parque Natural Marinho não deve existir apenas no papel, mas que deve funcionar, gerar conhecimento, proteger a biodiversidade e assegurar o futuro das comunidades locais”, comentou Diana Vieira, responsável na Fundação Oceano Azul pela Campanha Recife do Algarve e Gestora de Projetos.
“O CCMAR vai mobilizar investigadores de diversas áreas para recolher dados essenciais que permitirão avaliar o atual estado do ecossistema e, ao mesmo tempo, orientar as medidas de gestão a implementar, para que esta área marinha seja verdadeiramente e eficazmente protegida”, explicou Jorge Gonçalves, investigador do CCMAR.
A Pedra do Valado é um hotspot de biodiversidade marinha com 1059 espécies marinhas registadas, incluindo 754 invertebrados, 152 peixes vertebrados, 61 aves marinhas, 2 tartarugas marinhas, 7 espécies de cetáceos e 82 espécies de macroalgas. Naquela área marinha foram identificadas 18 espécies ameaçadas, entre as quais os cavalos-marinhos (Hippocampus spp.) e o mero (Epinephelus marginatus).
Estima-se que suporte mais de 1.600 empregos diretos, com um impacto económico superior a 48 milhões de euros por ano.
A expedição é da responsabilidade da Fundação Oceano Azul, Oceanário de Lisboa e CCMAR, apoiados pelo ICNF, AMN e municípios de Albufeira, Lagoa, Portimão e Silves.
“Um ano e meio depois da sua criação, o processo entra numa fase decisiva para garantir a proteção efetiva desta área”, explicou, em comunicado, a Fundação Oceano Azul. “O Programa Especial e o Regulamento de Gestão do Parque Natural Marinho estão a ser elaborados e, por isso, este é um momento único para dar os primeiros passos na monitorização científica da área protegida e reativar a sensibilização e o envolvimento da comunidade na valorização deste património natural e cultural da região.”