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Esta lesma do mar foi eleita Invertebrado do Ano 2026. Saiba o que tem de especial

21.08.2026
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Foto: Alif-Abdul-Rahman/Wiki Commons

A lesma marinha Costasiella kuroshimae, conhecida em inglês por ovelha-folha, venceu a competição realizada pelo jornal britânico The Guardian.

Descrita pela ciência apenas em 1993, e do tamanho de um grão de arroz, a lesma Costasiella kuroshimae exibe umas cores brilhantes, entre o verde, o branco e o rosa, que têm ficado cada vez mais populares graças ao desenvolvimento das tecnologias que permitem fazer fotografia macro submarina.

Esta espécie habita os mares tropicais que rodeiam o Japão, Indonésia e Filipinas.

O aspeto curioso da ovelha-folha, como é conhecida em inglês (‘leaf sheep’, no original), não é todavia a única característica deste pequeno invertebrado que atrai atenções. É que esta lesma marinha é uma das poucas espécies deste grupo que consegue obter energia a partir do sol, num processo de fotossíntese semelhante ao das algas verdes de que se alimenta, e das quais obtém esse poder. (Em Portugal, a lesma Elysia viridis tem também essa capacidade).

Nesta edição do concurso, a competição foi mais ferrenha do que em edições anteriores, relata uma notícia do The Guardian.

O abelhão da espécie Bombus dahlbomii, o maior de todos os abelhões, ocorre no Chile, Argentina e Patagónia. Foto: Pato Novoa/Wiki Commons

Enquanto que a lesma do mar vencedora arrecadou centenas de milhares de votos, não ficou muito longe do maior abelhão do mundo – a espécie Bombus dahlbomii – que ficou em segundo lugar. A terceira posição foi ocupada pelo caranguejo-ferradura, um “fóssil vivo” que já existia antes dos dinossauros, e que pouco se alterou em 445 milhões de anos.

O caranguejo-ferradura-do-Atlântico (Limulus polyphemus) é uma das quatro espécies deste “fóssil vivo” que existem atualmente no planeta, nativas apenas das Américas ou da Ásia. Foto: Hans Hillewaert/Wiki Commons

Entre vários milhares de invertebrados de todo o mundo, nomeados pelos leitores do jornal, foram escolhidas apenas 10 espécies para avançarem para a fase de competição.

Lançada há três anos, a competição do Invertebrado do Ano foi criado “para celebrar invertebrados negligenciados e muitas vezes ridicularizados, que somam pelo menos 1,7 milhões de espécies – cerca de 97% de todos os animais – provavelmente com milhões ainda por descobrir e descrever pela ciência”, afirma o The Guardian.

“Sem o trabalho não pago de invertebrados selvagens que polinizam colheitas cruciais, filtram água, reciclam lixo, limpam a poluição e adicionam fertilidade aos solos, a vida na Terra iria rapidamente perecer”, conclui o jornal.

Inês Sequeira

Trabalhei 14 anos na secção de Economia do jornal Público. Juntamente com a Helena Geraldes e a Joana Bourgard, em 2015 ajudei a fundar a Wilder, onde me sinto como “peixe na água”. Escrevo sobre plantas, animais, espécies comuns e raras, ciência, conservação, políticas ambientais e naturalistas. Aprendo e partilho algo novo todos os dias.

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