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As lagartixas da cidade convivem mais do que as do campo, mas porquê?

25.09.2025
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Foto: Mariomassone

Investigação conclui que as lagartixas-dos-muros que vivem no meio urbano são mais sociáveis do que as residentes nas áreas rurais. E avança possíveis razões para isso.

O estudo, publicado esta semana na revista científica Biology Letters por uma equipa de investigadores da Universidade de Bielefeld, na Alemanha, descobriu que apesar do ambiente aparentemente inóspito das cidades, as lagartixas-dos-muros (Podarcis muralis) parecem adaptar-se bem a este meio.

Foi na Croácia que a equipa de investigadores estudou o comportamento deste réptil de cores brilhantes, que está presente em muitos outros países da Europa, incluindo Portugal. Ficaram surpreendidos com os resultados.

“As nossas conclusões mostram que as lagartixas-dos-muros nas cidades mantêm muitos mais contactos e desenvolvem laços mais fortes com os seus conterrâneos, do que em habiats naturais”, afirma Avery Maune, primeira autora do estudo agora publicado e doutoranda em Bielefeld. “Isso é espantoso porque estas lagartixas são normalmente muito territoriais e tendem a evitar-se umas às outras”, afirma também, numa nota de imprensa da universidade alemã.

A forma como se relacionam estes animais foi analisada pelos cientistas com recurso ao mapeamento das suas redes sociais, o que permitu estudar a fundo as relações entre diferentes lagartixas. E os resultados foram inequívocos, sustenta a equipa: em meio urbano, as lagartixas constroem mais relações, mantêm contactos mais próximos e estão mais frequentemente integradas em grupos.

Em causa, argumentam os investigadores, estará a estrutura das cidades, que limita a disponibilidade de sítios onde estes répteis se podem esconder e provoca uma oferta desigual de locais ensolarados e com alimento disponível. Resultado? Estas lagartixas vêm-se pressionadas a partilhar espaços mais apertados e ficam assim mais tolerantes a outros animais da espécie, algo que não é comum acontecer em ambientes mais naturais.

“O facto de conseguirem desenvolver novas estratégias sociais pode ser crucial para as espécies sobreviverem em meios urbanos”, sublinha Avery Maune.

Liderado pela Universidade de Bielefeld, este estudo contou também com cientistas da Universidade de Zagreb, na Croácia, e do Collegium Hellveticum, na Suíça.

Inês Sequeira

Trabalhei 14 anos na secção de Economia do jornal Público. Juntamente com a Helena Geraldes e a Joana Bourgard, em 2015 ajudei a fundar a Wilder, onde me sinto como “peixe na água”. Escrevo sobre plantas, animais, espécies comuns e raras, ciência, conservação, políticas ambientais e naturalistas. Aprendo e partilho algo novo todos os dias.

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